StoneArt Portugal

Novembro 09 2010

 

Viver em comunidade não é fácil. Há quem nasça com essa vocação e pense no bem-estar geral em simultâneo com o bem-estar individual, podendo até, muitas vezes, pôr o bem-estar da comunidade à frente do seu próprio. Também há quem aprenda a ser assim, muitas vezes influenciado pelos vizinhos que acabam por se tornar amigos. Os problemas surgem quando algum indivíduo, membro dessa comunidade, não o sabe fazer. Nem quer aprender.
Apetece-me falar um bocado do meu prédio. Quer dizer, não do prédio onde eu vivo, mas sim dum prédio imaginário, onde se juntam histórias de mau convívio. Neste prédio, que tanto pode ter apartamentos como utilizadores, há de tudo para todos os gostos.
A minha vizinha acha-se dona do prédio. Então, tudo o que os outros decidam que vá contra a sua opinião, é boicotado por ela. Pode até nem ser nada de especial e ela até pode nem sequer ser afectada pela decisão. Mas se ela não concorda, então não se faz. Mesmo que ela seja a única a estar contra.
Tenho outra vizinha que não mede o que diz. Não tem qualquer pejo em ofender os outros, com ou sem razão. Acha que a qualidade é definida por ela e que, se ela não gosta, os outros também não podem gostar.
Já a vizinha do andar mais acima gosta, basicamente, de embirrar. Se está um dia de sol, ela diz que está de chuva. Se está frio ela diz que tem calor. Abrir as janelas nem por isso que faz corrente de ar. Mas se as deixamos fechadas então falta-lhe o ar.
Quanto à do andar de baixo, é a moralista de serviço. Não quer prejudicar ninguém, todos temos direito a opinião, não vale a pena discutir porque haveremos de chegar a um consenso… Mas, quando lhe pedimos que pague o que deve, faz-se de esquecida.
Subimos mais um andar e encontramos a vizinha que quer ser o centro das atenções. Mal de quem não a mimar com um olá ou uma visita. Anda no elevador para cima e para baixo à procura de quem a veja para poder aparecer. E quando não lhe dizem nada, daqui d’el rei que vem a casa abaixo.
Se descermos um piso, teremos à nossa espera a víbora, aí, perdão que me enganei, neste piso temos a vizinha que só sabe dizer mal. De tudo e de todos. Preferencialmente pelas costas porque, pela frente, diz bem do interlocutor. O que fica sempre bem, como é óbvio.
Estava a esquecer-me da vizinha do último andar. Esta jovem passa por nós no prédio e parece que todos lhe devemos e ninguém lhe paga. Nem um bom dia, nem um pequeno cumprimento. E, se for caso disso, até fecha a porta na cara dos vizinhos.
Já a vizinha do andar térreo defende, com unhas e dentes, que não tem nada a ver com o telhado. Afinal, com tantos andares por cima da casa dela, não faz sentido que lhe estejam a dizer que tem de tratar do telhado.
A vizinha do lado por mais que lhe peçam que tenha cuidado quando leva o lixo à rua, ou quando o cão sai de casa, ela não quer nem saber. Suja as escadas e o elevador com os pingos do lixo ou o cão faz as suas necessidades antes de chegar à rua e quem quiser que limpe.
Poderia continuar a falar-vos das minhas vizinhas. Destas que não sabem nem querem saber como se vive em comunidade. Nestas que vivem no meu prédio, no teu prédio ou até num qualquer site da internet. Porque os casos acima descritos podem-se passar tanto num prédio, como num site, como num emprego. Basta que haja uma comunidade. E pessoas que não a respeitam.
Não é difícil viver com os outros. Difícil é conviver com pessoas como as minhas vizinhas. Se respeitarmos os outros, se aceitarmos que podemos ter opiniões diferentes, se soubermos ouvir, se… quer dizer, no fundo, tantos ses resumem-se a respeito. Pelos outros. E ai sim, se todos se respeitassem e se dessem ao respeito, a vida em comunidade seria bastante mais agradável.

 

publicado por Pedra Filosofal às 20:28

Novembro 09 2010

Viver em comunidade não é fácil. Há quem nasça com essa vocação e pense no bem-estar geral em simultâneo com o bem-estar individual, podendo até, muitas vezes, pôr o bem-estar da comunidade à frente do seu próprio. Também há quem aprenda a ser assim, muitas vezes influenciado pelos vizinhos que acabam por se tornar amigos. Os problemas surgem quando algum indivíduo, membro dessa comunidade, não o sabe fazer. Nem quer aprender.
Apetece-me falar um bocado do meu prédio. Quer dizer, não do prédio onde eu vivo, mas sim dum prédio imaginário, onde se juntam histórias de mau convívio. Neste prédio, que tanto pode ter apartamentos como utilizadores, há de tudo para todos os gostos.
A minha vizinha acha-se dona do prédio. Então, tudo o que os outros decidam que vá contra a sua opinião, é boicotado por ela. Pode até nem ser nada de especial e ela até pode nem sequer ser afectada pela decisão. Mas se ela não concorda, então não se faz. Mesmo que ela seja a única a estar contra.
Tenho outra vizinha que não mede o que diz. Não tem qualquer pejo em ofender os outros, com ou sem razão. Acha que a qualidade é definida por ela e que, se ela não gosta, os outros também não podem gostar.
Já a vizinha do andar mais acima gosta, basicamente, de embirrar. Se está um dia de sol, ela diz que está de chuva. Se está frio ela diz que tem calor. Abrir as janelas nem por isso que faz corrente de ar. Mas se as deixamos fechadas então falta-lhe o ar.
Quanto à do andar de baixo, é a moralista de serviço. Não quer prejudicar ninguém, todos temos direito a opinião, não vale a pena discutir porque haveremos de chegar a um consenso… Mas, quando lhe pedimos que pague o que deve, faz-se de esquecida.
Subimos mais um andar e encontramos a vizinha que quer ser o centro das atenções. Mal de quem não a mimar com um olá ou uma visita. Anda no elevador para cima e para baixo à procura de quem a veja para poder aparecer. E quando não lhe dizem nada, daqui d’el rei que vem a casa abaixo.
Se descermos um piso, teremos à nossa espera a víbora, aí, perdão que me enganei, neste piso temos a vizinha que só sabe dizer mal. De tudo e de todos. Preferencialmente pelas costas porque, pela frente, diz bem do interlocutor. O que fica sempre bem, como é óbvio.
Estava a esquecer-me da vizinha do último andar. Esta jovem passa por nós no prédio e parece que todos lhe devemos e ninguém lhe paga. Nem um bom dia, nem um pequeno cumprimento. E, se for caso disso, até fecha a porta na cara dos vizinhos.
Já a vizinha do andar térreo defende, com unhas e dentes, que não tem nada a ver com o telhado. Afinal, com tantos andares por cima da casa dela, não faz sentido que lhe estejam a dizer que tem de tratar do telhado.
A vizinha do lado por mais que lhe peçam que tenha cuidado quando leva o lixo à rua, ou quando o cão sai de casa, ela não quer nem saber. Suja as escadas e o elevador com os pingos do lixo ou o cão faz as suas necessidades antes de chegar à rua e quem quiser que limpe.
Poderia continuar a falar-vos das minhas vizinhas. Destas que não sabem nem querem saber como se vive em comunidade. Nestas que vivem no meu prédio, no teu prédio ou até num qualquer site da internet. Porque os casos acima descritos podem-se passar tanto num prédio, como num site, como num emprego. Basta que haja uma comunidade. E pessoas que não a respeitam.
Não é difícil viver com os outros. Difícil é conviver com pessoas como as minhas vizinhas. Se respeitarmos os outros, se aceitarmos que podemos ter opiniões diferentes, se soubermos ouvir, se… quer dizer, no fundo, tantos ses resumem-se a respeito. Pelos outros. E ai sim, se todos se respeitassem e se dessem ao respeito, a vida em comunidade seria bastante mais agradável.
publicado por Pedra Filosofal às 20:23

Agosto 30 2010

 

De vez em quando lá acordo virada para o lado contrário da cama, e dá-me para ir buscar temas estranhos.

(Ou pelo menos estranhos para mim… se bem que, pensando bem, até isto de escrever ainda é estranho para mim, pelo que posso pensar que qualquer tema sobre o qual eu escreva é estranho… mas adiante, que não é disto que trata a crónica de hoje)

Com a aproximação, a passos largos, do início de mais um ano escolar, adivinho que se estejam a aproximar também os temas de reportagem habituais a esse propósito. O custo do material escolar,

(Educação gratuita? Onde? Cada vez que o ano lectivo começa, os encarregados de educação começam a deitar contas à vida, ou à bolsa, para perceberem quanto vão gastar, assim duma assentada),

a qualidade do ensino, a ansiedade das crianças (e dos pais), o melhor sítio para as crianças se sentarem na sala, os colegas, os exames que hão-de realizar, o regulamento escolar, atrasos no inicio das aulas, o estatuto do aluno, etc.

Espera…  o estatuto do aluno só saiu este ano, curiosamente foi publicado à meia dúzia de dias, não dando sequer tempo para que as escolas se preparem para o aplicar logo no início do ano escolar. Este tema, sendo novo, de certeza que vai dar azo a umas boas reportagens.

Claro que também se vai falar de violência escolar. Normalmente associada à violência entre alunos, ou de professores contra os alunos (muitas vezes associado, infelizmente a casos de pedofilia). Mas, e eu pergunto, e a violência contra os professores e auxiliares de educação, perpetrada pelos pais e/ou pelos alunos? Fala-se, à boca pequena, de que existem casos. Sabe-se que ali aconteceu um pai dar um par de estalos ao professor à frente dos alunos. Que aqui um aluno deu pontapés à professora porque não queria ir para a sala de estudo. Na outra escola um professor suicidou-se por não conseguir manter a ordem na sala. Aquela professora foi ameaçada por ter tirado o telemóvel à aluna. O outro professor levou com um cinzeiro na cabeça. A professora daquela turma teve uma navalha espetada em cima da mesa. Precisam de mais casos?

Muitos destes casos não chegam a passar para fora dos portões da escola, porque a vítima, o(a) professor(a), sabe que a nossa justiça é lenta, que muitos pais se desligaram da educação dos filhos

(ao ponto de eu ter ouvido, da boca dum pai duma criança de 8 anos, dirigido a um professor que tinha levado dois pontapés da referida criança, que “eu não faço nada dele, que quer você que eu lhe diga. Veja você se me pode ajudar”)

e que, se avançam com as queixas, ainda podem vir a sofrer represálias (do aluno, dos pais, da sociedade onde estão inseridos). Algumas vezes, esses professores os que são violentados, se forem pessoas mais fracas, acabam por se suicidar.

Meus caros, estamos a falar dum dos pilares de qualquer sociedade – os professores. São eles que ensinam, aos nossos filhos, uma boa parte dos conhecimentos que eles vão precisar para se tornarem adultos decentes, amados e respeitados pela sociedade. Mas não o fazem sozinhos. Nós, os pais, temos responsabilidades acrescidas. É a nós que cabe ensinar o fundamental – o respeito pelo próximo, pelos adultos, pelos mais velhos, por toda a gente. Enquanto não o conseguirmos fazer, com certeza que os professores também não o vão fazer.

Lembro-me, assim em jeito de fim de crónica, duma frase que li à uns tempos atrás e com a qual não podia concordar mais, por reflectir exactamente o que acabei de expor: “Fala-se tanto da necessidade de deixar um planeta melhor para os nossos filhos que se esquece da urgência de deixarmos filhos melhores para o nosso planeta."

E já agora, porque recordar é viver, diziam antigamente que os professores quando tinham que dar umas reguadas não se inibiam… alguns criticavam, outros apoiavam e ainda havia os que toleravam, mas certo era que o nosso Mundo era melhor, mais educado e com um melhor nível de conhecimento. Comparem, se quiserem ou se tiverem descernimento, bagagem e coragem para o fazerem de forma isenta.    

publicado por Pedra Filosofal às 22:32

Agosto 30 2010

De vez em quando lá acordo virada para o lado contrário da cama, e dá-me para ir buscar temas estranhos.
(Ou pelo menos estranhos para mim… se bem que, pensando bem, até isto de escrever ainda é estranho para mim, pelo que posso pensar que qualquer tema sobre o qual eu escreva é estranho… mas adiante, que não é disto que trata a crónica de hoje)
Com a aproximação, a passos largos, do início de mais um ano escolar, adivinho que se estejam a aproximar também os temas de reportagem habituais a esse propósito. O custo do material escolar,
(Educação gratuita? Onde? Cada vez que o ano lectivo começa, os encarregados de educação começam a deitar contas à vida, ou à bolsa, para perceberem quanto vão gastar, assim duma assentada),
a qualidade do ensino, a ansiedade das crianças (e dos pais), o melhor sítio para as crianças se sentarem na sala, os colegas, os exames que hão-de realizar, o regulamento escolar, atrasos no inicio das aulas, o estatuto do aluno, etc.
Espera… o estatuto do aluno só saiu este ano, curiosamente foi publicado à meia dúzia de dias, não dando sequer tempo para que as escolas se preparem para o aplicar logo no início do ano escolar. Este tema, sendo novo, de certeza que vai dar azo a umas boas reportagens.
Claro que também se vai falar de violência escolar. Normalmente associada à violência entre alunos, ou de professores contra os alunos (muitas vezes associado, infelizmente a casos de pedofilia). Mas, e eu pergunto, e a violência contra os professores e auxiliares de educação, perpetrada pelos pais e/ou pelos alunos? Fala-se, à boca pequena, de que existem casos. Sabe-se que ali aconteceu um pai dar um par de estalos ao professor à frente dos alunos. Que aqui um aluno deu pontapés à professora porque não queria ir para a sala de estudo. Na outra escola um professor suicidou-se por não conseguir manter a ordem na sala. Aquela professora foi ameaçada por ter tirado o telemóvel à aluna. O outro professor levou com um cinzeiro na cabeça. A professora daquela turma teve uma navalha espetada em cima da mesa. Precisam de mais casos?
Muitos destes casos não chegam a passar para fora dos portões da escola, porque a vítima, o(a) professor(a), sabe que a nossa justiça é lenta, que muitos pais se desligaram da educação dos filhos
(ao ponto de eu ter ouvido, da boca dum pai duma criança de 8 anos, dirigido a um professor que tinha levado dois pontapés da referida criança, que “eu não faço nada dele, que quer você que eu lhe diga. Veja você se me pode ajudar”)
e que, se avançam com as queixas, ainda podem vir a sofrer represálias (do aluno, dos pais, da sociedade onde estão inseridos). Algumas vezes, esses professores os que são violentados, se forem pessoas mais fracas, acabam por se suicidar.
Meus caros, estamos a falar dum dos pilares de qualquer sociedade – os professores. São eles que ensinam, aos nossos filhos, uma boa parte dos conhecimentos que eles vão precisar para se tornarem adultos decentes, amados e respeitados pela sociedade. Mas não o fazem sozinhos. Nós, os pais, temos responsabilidades acrescidas. É a nós que cabe ensinar o fundamental – o respeito pelo próximo, pelos adultos, pelos mais velhos, por toda a gente. Enquanto não o conseguirmos fazer, com certeza que os professores também não o vão fazer.
Lembro-me, assim em jeito de fim de crónica, duma frase que li à uns tempos atrás e com a qual não podia concordar mais, por reflectir exactamente o que acabei de expor: “Fala-se tanto da necessidade de deixar um planeta melhor para os nossos filhos que se esquece da urgência de deixarmos filhos melhores para o nosso planeta."
E já agora, porque recordar é viver, diziam antigamente que os professores quando tinham que dar umas reguadas não se inibiam… alguns criticavam, outros apoiavam e ainda havia os que toleravam, mas certo era que o nosso Mundo era melhor, mais educado e com um melhor nível de conhecimento. Comparem, se quiserem ou se tiverem descernimento, bagagem e coragem para o fazerem de forma isenta.
publicado por Pedra Filosofal às 22:26

Julho 11 2010

 

Hoje apeteceu-me escrever uma crónica diferente. Não tenho pretensões a analista política, nem sequer a analista social, mas, de facto, tal como de médico e de louco, se calhar também de analista todos temos um pouco… basta ouvir ou ler as notícias que vêem a lume. Ler ou ouvir atentamente, pois claro.

 

No outro dia, por exemplo, fiquei estupefacta com a notícia de abertura dos telejornais portugueses – Cristiano Ronaldo foi pai. A minha área não é o jornalismo, mas aprendi, na altura em que o ensino era isso mesmo – ensino – que a notícia de abertura dum telejornal era a mais importante do dia. Então, das duas, uma. Ou as regras se alteraram algures no espaço e no tempo (e eu, que sou muito crédula até acredito que assim seja) ou então estamos a assistir a uma grande inversão de valores. Será que, no nosso país, é mais valorizado o facto de um qualquer futebolista ter sido pai do que, por exemplo, o facto de ter havido problemas de segurança nas praias da linha de Cascais provocados por lutas entre bandos rivais? (isto para não falar de problemas bem mais graves que Portugal atravessa e que tem sido relegados para terceiro ou quarto plano a favor dum campeonato do mundo de futebol ou coisa que o valha).

 

Todos os dias fico ainda mais estupefacta com o estado a que o nosso país está a chegar. Quando julgo que nada mais me irá surpreender pela negativa, lá aparece mais uma notícia a provar que eu estava errada.

 

Sem entrar em politiquices do género de qual é o melhor partido para governar Portugal, o que é certo é que devemos ser um dos poucos países do mundo que é (des)governado por um Primeiro-ministro sobre o qual, todos os dias, se levantam suspeitas e cuja equipa não se entende sobre os assuntos que interessam ao comum dos mortais. A título de exemplo, no sábado, o governo (essa entidade mística que ninguém sabe bem quem são) disse que era previsível que a taxa de desemprego continuasse a aumentar. Esta notícia não referia quem tinha sido o ilustre membro do não menos ilustre governo a dar esta previsão. Mas, na notícia seguinte, o Primeiro-ministro dizia que a taxa de desemprego vai diminuir até final do corrente ano. Afinal quem é que tem razão?... Bem, devemos ter, com a taxa de desemprego o mesmo problema que tivemos com a terceira travessia do Tejo. No mesmo dia vieram a público três opiniões diferentes, supostamente todas fiáveis e que reflectiam a posição do Governo.

 

Mas há mais razões para eu achar que temos um país que, dia-a-dia, empobrece ainda mais. Crianças/adolescentes que, ao longo do ano lectivo, tem testes negativos, fraca participação nas aulas e que não conseguiram mostrar que sabiam a matéria dada, mas que passam de ano em prol das estatísticas. Crianças/adolescentes sujeitos a testes de aferição que são um atentado a quem se preocupou em estudar e que até os leva a sério. Professores que se suicidam porque tem medo de fazer frente aos alunos, ou que sentem a sua integridade física ameaçada por eles e/ou pelos pais. Pais que se descuram da sua responsabilidade de educadores porque não se podem aborrecer as crianças. Processos em tribunal que demoram anos a ser resolvidos. Adultos que, aos quarenta anos, são considerados velhos e acabados, e que, por causa da idade, não arranjam emprego. E isto é apenas a ponta do iceberg.

 

Só lamento que, quem vai pagar caro esta factura, não é quem a criou. Não vamos ser nós, que estamos aqui hoje, que a vamos pagar. São os nossos filhos e netos. Quero acreditar que ainda estamos a tempo de mudar o futuro que lhes estamos a deixar. Assim se queira fazê-lo.

 

Por indignação ou por direito a opinar, aqui fica registada a minha preocupação de hoje, dos problemas, que, infelizmente, já são reflectidos no presente e ainda serão mais no futuro. Todos já somos poucos para mudar e melhorar!
publicado por Pedra Filosofal às 09:17

Julho 10 2010

Hoje apeteceu-me escrever uma crónica diferente. Não tenho pretensões a analista política, nem sequer a analista social, mas, de facto, tal como de médico e de louco, se calhar também de analista todos temos um pouco… basta ouvir ou ler as notícias que vêem a lume. Ler ou ouvir atentamente, pois claro.

No outro dia, por exemplo, fiquei estupefacta com a notícia de abertura dos telejornais portugueses – Cristiano Ronaldo foi pai. A minha área não é o jornalismo, mas aprendi, na altura em que o ensino era isso mesmo – ensino – que a notícia de abertura dum telejornal era a mais importante do dia. Então, das duas, uma. Ou as regras se alteraram algures no espaço e no tempo (e eu, que sou muito crédula até acredito que assim seja) ou então estamos a assistir a uma grande inversão de valores. Será que, no nosso país, é mais valorizado o facto de um qualquer futebolista ter sido pai do que, por exemplo, o facto de ter havido problemas de segurança nas praias da linha de Cascais provocados por lutas entre bandos rivais? (isto para não falar de problemas bem mais graves que Portugal atravessa e que tem sido relegados para terceiro ou quarto plano a favor dum campeonato do mundo de futebol ou coisa que o valha).

Todos os dias fico ainda mais estupefacta com o estado a que o nosso país está a chegar. Quando julgo que nada mais me irá surpreender pela negativa, lá aparece mais uma notícia a provar que eu estava errada.

Sem entrar em politiquices do género de qual é o melhor partido para governar Portugal, o que é certo é que devemos ser um dos poucos países do mundo que é (des)governado por um Primeiro-ministro sobre o qual, todos os dias, se levantam suspeitas e cuja equipa não se entende sobre os assuntos que interessam ao comum dos mortais. A título de exemplo, no sábado, o governo (essa entidade mística que ninguém sabe bem quem são) disse que era previsível que a taxa de desemprego continuasse a aumentar. Esta notícia não referia quem tinha sido o ilustre membro do não menos ilustre governo a dar esta previsão. Mas, na notícia seguinte, o Primeiro-ministro dizia que a taxa de desemprego vai diminuir até final do corrente ano. Afinal quem é que tem razão?... Bem, devemos ter, com a taxa de desemprego o mesmo problema que tivemos com a terceira travessia do Tejo. No mesmo dia vieram a público três opiniões diferentes, supostamente todas fiáveis e que reflectiam a posição do Governo.

Mas há mais razões para eu achar que temos um país que, dia-a-dia, empobrece ainda mais. Crianças/adolescentes que, ao longo do ano lectivo, tem testes negativos, fraca participação nas aulas e que não conseguiram mostrar que sabiam a matéria dada, mas que passam de ano em prol das estatísticas. Crianças/adolescentes sujeitos a testes de aferição que são um atentado a quem se preocupou em estudar e que até os leva a sério. Professores que se suicidam porque tem medo de fazer frente aos alunos, ou que sentem a sua integridade física ameaçada por eles e/ou pelos pais. Pais que se descuram da sua responsabilidade de educadores porque não se podem aborrecer as crianças. Processos em tribunal que demoram anos a ser resolvidos. Adultos que, aos quarenta anos, são considerados velhos e acabados, e que, por causa da idade, não arranjam emprego. E isto é apenas a ponta do iceberg.

Só lamento que, quem vai pagar caro esta factura, não é quem a criou. Não vamos ser nós, que estamos aqui hoje, que a vamos pagar. São os nossos filhos e netos. Quero acreditar que ainda estamos a tempo de mudar o futuro que lhes estamos a deixar. Assim se queira fazê-lo.

Por indignação ou por direito a opinar, aqui fica registada a minha preocupação de hoje, dos problemas, que, infelizmente, já são reflectidos no presente e ainda serão mais no futuro. Todos já somos poucos para mudar e melhorar!
publicado por Pedra Filosofal às 22:03

Junho 25 2010

 

Está interiorizado, na mente de quase todos (ou, pelo menos, dos católicos) que se deve, após a morte dum ente querido, celebrar a missa de sétimo dia. Talvez porque ao sétimo dia, Deus descansou e se entende que o defunto também está, finalmente, a entrar no seu período de descanso.
Sou católica mas confesso que não entendo a necessidade desta missa. Aliás, como não entendo muitas das cerimónias feitas em redor da morte, onde, muitas vezes, se usa, e abusa, dos sentimentos dos familiares para se ganhar dinheiro (e muito dinheiro mesmo).
Porque a morte nunca me fez confusão, e porque a aceito a com a naturalidade com que se aceita tudo o que é inevitável, resolvi, hoje, celebrar uma missa diferente. E porque nem sempre a missa do sétimo dia é celebrada no dia devido, hoje vou celebrar a missa do oitavo dia do meu avô.
O meu avô faleceu há pouco mais de sete anos. Tive, na véspera da sua morte, a oportunidade de lhe dizer o quanto o amava. Não há dia nenhum que não me lembre dele e que não sinta uma saudade enorme. Dele, do seu assobio inconfundível, das torradas que só ele sabia fazer e das conversas que tínhamos.
Avô, onde quer que estejas, sei que estás feliz por veres que, tal como me pediste, tenho cuidado da tua bisneta mais velha, tal como tenho cuidado do bisneto que sabias que ia nascer e me disseste logo que já não o irias conhecer. De certeza que também estás feliz por ver o teu outro bisneto, aquele que herdou o teu nome, a tornar-se num lindo menino e a cuidar da irmã que tem o nome da tua irmã. Avô, a tua história de amor com a avó abriu-me as portas para a escrita, sabias? Até nisso me acompanhaste. Ah, e sim, tenho entregue os impostos da avó como me pediste. E já viste, com certeza, que vai nascer mais um bisneto, filho do teu neto.
Como te prometi no dia do teu funeral, a todos os teus bisnetos falo de ti. Quero que eles saibam que nós, as mães deles, tiveram o melhor avô que se pode querer (ou, como a avó dizia, o melhor advogado de defesa).
Já percebeste também que a família continua unida como sempre foi. Umas discussões aqui, outras ali, mas nada nos afasta uns dos outros, como sempre quiseste. A nossa união mantêm-se por nós, mas também por ti, que foste, com a avó, a razão da existência desta família.

publicado por Pedra Filosofal às 23:46

Junho 25 2010

Está interiorizado, na mente de quase todos (ou, pelo menos, dos católicos) que se deve, após a morte dum ente querido, celebrar a missa de sétimo dia. Talvez porque ao sétimo dia, Deus descansou e se entende que o defunto também está, finalmente, a entrar no seu período de descanso.
Sou católica mas confesso que não entendo a necessidade desta missa. Aliás, como não entendo muitas das cerimónias feitas em redor da morte, onde, muitas vezes, se usa, e abusa, dos sentimentos dos familiares para se ganhar dinheiro (e muito dinheiro mesmo).
Porque a morte nunca me fez confusão, e porque a aceito a com a naturalidade com que se aceita tudo o que é inevitável, resolvi, hoje, celebrar uma missa diferente. E porque nem sempre a missa do sétimo dia é celebrada no dia devido, hoje vou celebrar a missa do oitavo dia do meu avô.
O meu avô faleceu há pouco mais de sete anos. Tive, na véspera da sua morte, a oportunidade de lhe dizer o quanto o amava. Não há dia nenhum que não me lembre dele e que não sinta uma saudade enorme. Dele, do seu assobio inconfundível, das torradas que só ele sabia fazer e das conversas que tínhamos.
Avô, onde quer que estejas, sei que estás feliz por veres que, tal como me pediste, tenho cuidado da tua bisneta mais velha, tal como tenho cuidado do bisneto que sabias que ia nascer e me disseste logo que já não o irias conhecer. De certeza que também estás feliz por ver o teu outro bisneto, aquele que herdou o teu nome, a tornar-se num lindo menino e a cuidar da irmã que tem o nome da tua irmã. Avô, a tua história de amor com a avó abriu-me as portas para a escrita, sabias? Até nisso me acompanhaste. Ah, e sim, tenho entregue os impostos da avó como me pediste. E já viste, com certeza, que vai nascer mais um bisneto, filho do teu neto.
Como te prometi no dia do teu funeral, a todos os teus bisnetos falo de ti. Quero que eles saibam que nós, as mães deles, tiveram o melhor avô que se pode querer (ou, como a avó dizia, o melhor advogado de defesa).
Já percebeste também que a família continua unida como sempre foi. Umas discussões aqui, outras ali, mas nada nos afasta uns dos outros, como sempre quiseste. A nossa união mantêm-se por nós, mas também por ti, que foste, com a avó, a razão da existência desta família.
publicado por Pedra Filosofal às 23:41

Junho 10 2010

 

A meio do terceiro período escolar, os meus pais mentiram-me: disseram, a mim e ao meu irmão, que tinham tirado dias de folga para irmos a Sesimbra. A mãe disse que o nosso carro ia para a oficina, e que tínhamos de ir ao aeroporto buscar o seu afilhado, que vinha da Madeira, no carro da tia. Mas a mãe também disse que, quando fossemos para o aeroporto, tínhamos de levar as malas porque a tia tinha de ir às compras e ia comprar muita coisa e as malas não iam lá caber. Eu e o Martim (o meu irmão) acreditamos. Eu e o Martim, que estávamos a fazer as malas, ouvimos a mãe dizer, alto e bom som, que íamos ver um avião por dentro.

Quando chegamos ao aeroporto, a mãe foi entregar as malas e mandou-nos irmos dar uma volta pelo aeroporto. Quando a mãe regressou, já sem as malas, fomos para a sala de espera do aeroporto. A mãe apontou para um avião e disse que era aquele que íamos visitar.

Passado um bocado, fomos para o avião vê-lo por dentro. A mãe disse que tínhamos de fingir que íamos voar e, portanto, tivemos de nos sentar.

Quando o avião estava prestes a levantar voo, entrei em pânico, e estava sempre a dizer: mãe vamos sair! Mãe vamos sair!...

E continuava desesperada, quando a mãe nos diz: Afinal não vamos para Sesimbra, vamos para Paris!

Eu fiquei de boca aberta e cada vez mais em pânico e perguntei: mãe, o piloto é experiente? Ele já fez muitos voos? Este avião é seguro?

E perguntei muitas mais coisas, ao que a mãe respondeu: sim, este avião é o mais seguro. A TAP (Transportes Aéreos de Portugal) é a companhia de aviões mais segura e ainda só teve um acidente com estes aviões mas foi há muito muito tempo.

Mais tranquila, sossegada e com menos pânico, deixei-me ficar sentada. Momentos depois, a mãe disse que o avião ia levantar voo e, na verdade, começou a andar.

- Tamos a andar – disse o Martim.

- Claro que estamos, não querias ficar aqui parado o tempo todo, Martim – murmurei eu, mas nem a mãe nem o Martim ouviram.

- Encostem-se, vamos começar a andar mais depressa e depois vamos voar!

E começamos mesmo a voar. Íamos a uma grande velocidade.

- França, aqui vamos nós! – disse eu – Paris, aqui vamos nós!

Maggie, 9 anos

 

Esta é a primeira parte da história das últimas férias em família, escrita pela minha filha  e que eu, como mãe muito orgulhosa, resolvi mostrar-vos a todos.

publicado por Pedra Filosofal às 21:52

Junho 10 2010

A meio do terceiro período escolar, os meus pais mentiram-me: disseram, a mim e ao meu irmão, que tinham tirado dias de folga para irmos a Sesimbra. A mãe disse que o nosso carro ia para a oficina, e que tínhamos de ir ao aeroporto buscar o seu afilhado, que vinha da Madeira, no carro da tia. Mas a mãe também disse que, quando fossemos para o aeroporto, tínhamos de levar as malas porque a tia tinha de ir às compras e ia comprar muita coisa e as malas não iam lá caber. Eu e o Martim (o meu irmão) acreditamos. Eu e o Martim, que estávamos a fazer as malas, ouvimos a mãe dizer, alto e bom som, que íamos ver um avião por dentro.
Quando chegamos ao aeroporto, a mãe foi entregar as malas e mandou-nos irmos dar uma volta pelo aeroporto. Quando a mãe regressou, já sem as malas, fomos para a sala de espera do aeroporto. A mãe apontou para um avião e disse que era aquele que íamos visitar.
Passado um bocado, fomos para o avião vê-lo por dentro. A mãe disse que tínhamos de fingir que íamos voar e, portanto, tivemos de nos sentar.
Quando o avião estava prestes a levantar voo, entrei em pânico, e estava sempre a dizer: mãe vamos sair! Mãe vamos sair!...
E continuava desesperada, quando a mãe nos diz: Afinal não vamos para Sesimbra, vamos para Paris!
Eu fiquei de boca aberta e cada vez mais em pânico e perguntei: mãe, o piloto é experiente? Ele já fez muitos voos? Este avião é seguro?
E perguntei muitas mais coisas, ao que a mãe respondeu: sim, este avião é o mais seguro. A TAP (Transportes Aéreos de Portugal) é a companhia de aviões mais segura e ainda só teve um acidente com estes aviões mas foi há muito muito tempo.
Mais tranquila, sossegada e com menos pânico, deixei-me ficar sentada. Momentos depois, a mãe disse que o avião ia levantar voo e, na verdade, começou a andar.
- Tamos a andar – disse o Martim.
- Claro que estamos, não querias ficar aqui parado o tempo todo, Martim – murmurei eu, mas nem a mãe nem o Martim ouviram.
- Encostem-se, vamos começar a andar mais depressa e depois vamos voar!
E começamos mesmo a voar. Íamos a uma grande velocidade.
- França, aqui vamos nós! – disse eu – Paris, aqui vamos nós!

Maggie, 9 anos

Esta é a primeira parte da história das últimas férias em família, escrita pela minha filha e que eu, como mãe muito orgulhosa, resolvi mostrar-vos a todos.
publicado por Pedra Filosofal às 21:49

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(...) existem três tipos de alquimistas - disse o meu Mestre. - Aqueles que são vagos, porque não sabem do que falam; aqueles que são vagos, porque sabem do que estão a falar, mas sabem também que a linguagem da Alquimia é uma linguagem dirigida ao coração, e não à razão. - E qual é o terceiro tipo? - perguntei. - Aqueles que nunca ouviram falar em Alquimia, mas que conseguiram, através das suas vidas, descobrir a Pedra Filosofal. In "O Alquimista" de Paulo Coelho
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