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StoneArt Portugal

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Eu e os meus livros. Sejam bem vindos a esta minha casa.

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Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Eu e os meus livros. Sejam bem vindos a esta minha casa.

21 de Março

Hoje comemoram-se várias efemérides: em 1804 a França adoptou o código napoleónico, em 1960 ocorreu o massacre de Sharpeville na África do sul e em 1965 Martin Luther King Jr. liderou 3200 pessoas no início da terceira marcha pelos direitos civis de Selma até Montgomery, no Alabama.

21 de Março é também o 80.º dia do ano de 2017 e faltam apenas 285 para que 2017 dê lugar a 2018.

Costuma ser o dia em que começa a primavera (que este ano se adiantou), é o dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, dia da Síndrome de Down, da poesia, da floresta e da árvore e é também o Dia Mundial do Sono.

Mas isto tudo não interessa nada, mas mesmo nada. O que interessa é que dia 21 de Março é também dia de aniversário. Podia estar aqui a celebrar o aniversário de Johann Sebastian Bach que nasceu em 1685 mas acho que ele já não se interessa muito por estas coisas. Ou de Ayrton Senna que nasceu em 1960 mas desconfio que, entretido com as corridas como ele deve estar lá onde estiver, também não vai sentir a falta.

De todas estas efemérides e comemorações, só uma me interessa pessoalmente.

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Um terço da Seita do Arroz faz anos hoje e esta é minha forma desajeitada de lhe dar os parabéns e de lhe dizer (como se ela não soubesse) da importância que tem na minha vida. Na nossa, aliás, que me parece que o outro terço também concorda com isto.

Foi em Setembro que te conheci, Maria (ler isto com voz de Vítor Espadinha, com música de Recordar é Viver – sim, sou suficientemente velha para conhecer esta música). Não trazias nada nos olhos porque, na altura, eram só blogs. Um blog divertido, é verdade, mas com um defeito: não gostava (e não gosta, pronto nem vale a pena) de Sushi, ao contrário de mim que sou fã. E a destruir mitos urbanos. A blogger menos in do pedaço. E nada, na altura, faria prever que, uns meses mais tarde, mail para aqui, mail para ali, facebook a seguir, agora um café e, hoje, não passa um dia que não falemos as três.

Há coisas na vida que não se explicam, há coisas que estragam a contabilidade. Mas que, ao mesmo tempo, são tão mas tão boas que já nem nos lembramos como era antes. E a Seita é uma dessas coisas.

Pelo sorriso fácil, por não julgar o que somos, por gostar tanto de humor negro como eu, por estar sempre presente, ainda que longe, por saber ouvir e aconselhar, e por gostar de arroz (ainda que não no sushi), obrigado Maria por estares ai, por seres quem és e por seres um terço da melhor seita do universo, quiçá até do planeta e, de certezinha, da minha vida.

Outras razões haverá para a importância que tens para mim mas essas deixo-as na intimidade do nosso chat. Sabes quais são, eu sei quais são e a M.J. também sabe. Só nós três é que sabemos (ler com tom de Tony de Matos ou Tiago Bettercourt. O que preferirem, enfim) porque o nosso mundo começa, cá dentro da nossa seita.

Estaremos a pecar por excesso?

Ontem o StandVirtual cometeu a “asneira” de brincar com um estereótipo: as mulheres não sabem estacionar.

Caiu o carmo, a trindade, o papa e o santo António e mais umas quantas beatas. Que era machista, misógino, estereotipado e sabe-se lá mais o quê. Foram tantas as críticas, ameaças e afins que achei, por momentos, que tinham cometido um crime de lesa-majestade. Ou, pior ainda, que tinham matado alguém.

Eu ri-me. Primeiro porque eu detesto estacionar. Preferencialmente estaciono a direito, sem muitas manobras. De tal modo que quase que pensei que me tinham tirado uma foto a mim própria. Depois porque brincaram com uma coisa que toda a vida ouvi: as mulheres conduzem mal e que nunca levei a mal, apesar de ser mulher e mesmo quando não conduzia. Por fim… é humor, minha gente. Humor! E eu já disse aqui várias vezes que se pode brincar com tudo – do cancro aos estereótipos, das coisas boas e das coisas más, das crianças aos velhos. Temos de saber rir, acima de tudo porque a vida não pode nem deve ser levada demasiado a sério (até porque nem sequer saímos dela com vida).

Estamos a cair no exagero do politicamente correcto. Estamos a criar uma geração de enxofrados, de flores de estufa que não sabem rir de si próprios, que se ofendem por tudo e por nada. Hoje tudo é bullying, incorreto, ofensivo, machismo, intolerante. Antes de se escrever ou dizer qualquer coisa temos de fazer estudos de mercado, análises, sondagens e, mesmo assim, corremos o risco de alguma alma se sentir ofendida.

Não se atira o pau ao gato porque é violência. Não se brinca com as loiras porque é um estereótipo. Ai de quem contar uma anedota sobre ciganos, deficientes, alentejanos ou pretos

(alguma vez ouviram um preto a contar anedotas de pretos? Eu já. E muitos dos meus amigos de faculdade também. Porque aquele jovem brinca, e muito, com isso. É uma pessoa resolvida, sem complexos, coisa que falta a muita gente)

Será que a humanidade (ou pelo menos boa parte dela) perdeu a capacidade de se rir de si própria e só quer rir dos outros? Se assim é, desculpem, mas perderam também esse direito. Ninguém, mas mesmo ninguém, tem o direito de se rir dos outros se não souber, primeiro, rir-se de si própria. No dia em que isso acontecer, certamente que deixaremos de ser tão politicamente correctos, tão aborrecidos com tudo e o mundo tornar-se-á um lugar muito melhor.

Experimentem. Vão ver que não dói nada.

e se eu morrer...

Depois de ler Os Livros do Final da Tua Vida fiquei, mais uma vez, a pensar nos últimos dias que, um dia, terei para viver. Só há duas coisas que temos garantido na vida – o nascimento e a morte e nunca sabemos, ao certo, quando chega o fim. Sabemos apenas que ele chegará e que, até lá, devemos viver (e não sobreviver).

Já o disse várias vezes. Não tenha medo da morte. Não sofro por saber que, um dia, será a minha vez. Quem morre de véspera é o peru de Natal e eu quero viver cada segundo da vida intensamente.

Curiosamente, meditava eu sobre este tema, quando leio o texto da M.J. e pergunto-me, e se amanhã fosse o meu último dia? Do que iria sentir saudades? O que faria hoje? Como quereria que fossem as minhas últimas horas?

(que este post sirva também de testamento quando me acontecer alguma das coisas previstas. Nos casos omissos aplicar o bom senso tendo em consideração o exposto)

À família, se um dia eu começar a mostrar sinais de senilidade (mais do que agora, vá) ou se virem que já não consigo cuidar de mim, escolham um lar de terceira idade e internem-me. Visitem-me, leiam para mim (quando eu não o poder fazer) mas não me levem para as vossas casas nem queiram ser vocês a cuidar de mim. Tem de viver a vossa vida e não precisam duma velha rezingona e senil a azucrinar-vos o juízo. Já basta o que aturam de mim agora.

Se eu sofrer de alzheimer, e já não vos conhecer, leiam para mim. Tenho a certeza que me irá ajudar a passar o tempo e a me sentir melhor. Reconhecer-vos-ei nas palavras.

Se eu tiver alguma doença grave, com poucas/nenhumas hipóteses de recuperação e que me condene a uma vida vegetal… (e se possível) não me reanimem, não me deixem presa a uma cama, não me deixem sofrer.

(porque é disso que tenho medo, de sofrer, da dor)

Se eu tiver uma doença incurável e se souberem disso, não tenham medo de me falar no assunto. Não se coíbam de me falar do que sou para vós, na morte inevitável, na doença, ou no que desejo que aconteça quando morrer. É um facto e teremos de o aceitar, todos em conjunto. Não esperem pela minha morte para estar comigo, nessa altura não me servirá de nada. É em vida que vos quero por perto.

Ainda que tenha um tempo curto, deixem-me ter tempo para ler.

Porque também é disso que sentirei falta.

Aos meus amigos, a todos os que contribuíram ao longo da minha vida para me sentir bem comigo, não me despeço de vós. Quero apenas que saibam que saibam o quanto foram importantes para mim e o quanto, mesmo nas ausências, estiveram presentes.

A minha família, toda ela, é o meu pilar. Somos muitos, unidos, especiais no carinho que nos une em todos os momentos, mesmo quando estamos de candeias às avessas e prontos a discutir uns com os outros. Gostava que tantas outras famílias fossem assim, que se amassem até na discórdia. Por sermos diferentes, discordamos. Por nos amarmos, aceitamos que o somos. Mesmo quando não concordamos com as opções tomadas, respeitamo-las e aceitámo-las.

Gostava ainda que os meus filhos não sofressem em demasia com a minha partida porque, enquanto se lembrarem de mim, eu estarei viva nos seus corações e nas suas mentes. Queria que se mantivessem unidos e que se lembrassem sempre de se respeitarem um ao outro. Tentaria mostrar-lhes o quanto os amo e o quanto eles significam para mim.

Quanto ao meu corpo, aquele que não vou precisar, aproveitem tudo o que se puder. Se ajudar uma só pessoa a melhorar a sua qualidade de vida, já valeu a pena.

Não quero flores ou coroas. Não as levo comigo. Usem esse dinheiro para ajudar uma associação animal à vossa escolha. Qualquer uma delas dará melhor uso ao dinheiro do que eu darei às flores ou às coroas.

Sorriam e riam. Lembrem-se sempre da importância que dou ao sorriso e ao bom humor. Do positivismo com que encaro todas as situações (ou que tento pelo menos). Se quiserem deitar alguma lágrima, que seja por se estarem a rir. Também é do riso – do vosso e do meu – que irei sentir falta.

Não me enterrem. Gostaria de ser cremada, e as cinzas deitadas na serra da Arrábida ou em Sesimbra, no mar (não sei se é possível, mas pronto).

Não recordem o dia da minha morte mas sim os dias que vivi. Esses sim foram importantes.

E por fim a minha presença digital. A família tem a password do email e do facebook. Apaguem as contas, não quero memoriais on line (assim como não quero memoriais físicos). Quanto aos blogs, minha querida Gaffe, és a única que sabe a password. Nunca a quis mudar (principalmente porque, se o fizer, nunca mais me vou lembrar da nova…) e por isso deixo-te a tarefa de acederes de novo e de, em conjunto com a minha seita do arroz) colocarem um post em cada blog a informar do que aconteceu e fechem, por favor, os comentários. Despeçam-se por mim de todos os que por aqui passaram.

 

Não, não estou com nenhuma doença terminal nem prevejo morrer nos tempos mais próximos. Estou a morrer como estamos todos porque cada dia que vivemos é um dia que ficamos mais perto do fim, mas, realmente, Os Livros do Final da Tua Vida fizeram-me perceber que é sempre tempo de pensar nestas coisas e de deixar claro o que queremos.

Na vida e na morte.

Conversas #16 sobre...

A propósito desta noticia, digo eu para a minha filha:

- tecnicamente a pílula não é um medicamento.

- mas previne doenças.

- um bebé não é uma doença.

- é sim! é um tumor.

- Um tumor???

- Sim!

- mas tu não és um tumor. E nasceste de mim!

- Não sou mas já fui. Até fui removida de ti. As cesarianas são operações de remoção do tumor. Eu não tenho data de nascimento, tenho data de remoção!

(ainda me estou a rir)

 

Coisas que se ouvem

- comprei as cápsulas da Nicola para a nespresso mas nem bebi. Quando a meti na máquina fez um barulho diferente. Deitei logo tudo fora.

 

 

- eu não faço o IRS. O meu marido que faça se quiser, que o IRS é coisa de homem.

Viver em comunidade

Dizem, por ai, que o ser humano é biologicamente social e que temos a capacidade de, continuamente, transformarmos o mundo de modo a nos adaptarmos, a satisfazer as nossas necessidades para vivermos cada vez melhor.

Tenho, muitas vezes – demasiadas vezes - sérias dúvidas, que assim seja.

Sim, é verdade que, nós, os Homens, transformamos o mundo e adaptamo-lo às nossas necessidades. Será isso totalmente positivo? Sinceramente, haverá coisas boas mas também coisas más nessa adaptação. As alterações climatéricas (sim, Sr Trump, elas existem mesmo e para pior, não para melhor) são a prova de que nem tudo o que o Homem faz para viver melhor vai ter essa mesma consequência.

(e não, as coisas não vão melhorar enquanto não percebermos que pequenos gestos fazem diferença)

Também é verdade que somos animais sociais. É precisamente na sociedade em que estamos integrados que aprendemos a nossa linguagem, as regras, etc e tal.

Mas seremos, verdadeiramente, capazes de viver em comunidade? Em deixarmos de olhar para o nosso umbigo e vermos o todo?

É aqui que as minhas dúvidas ganham forma. Porque a maioria das pessoas não sabe que, viver em comunidade é preocupar-nos com o nosso em vez do meu, é colocar as nossas necessidades acima das minhas, é ver o todo em vez do individual. É ceder em algumas coisas para que o grupo saia beneficiado.

É, também, respeitar os outros e perceber que a nossa liberdade termina onde começa a dos outros.

E seria tão mais fácil viver em comunidade se todos o soubessem fazer…

Avô é pai com açúcar*

Passei parte da minha infância e adolescência com os meus avós maternos. A casa deles era quase na mesma rua da casa dos meus pais, e sempre que eles estavam a trabalhar, eu ia para casa dos meus avós. Ele, o meu avô Manuel, era o meu herói. A paciência que ele tinha para a rezingona da minha avó (eu tinha de sair a alguém, certo?) era notável. O amor que ele punha nas torradas que fazia para as netas e para o neto fazia com que nos empanturrássemos sempre que ele estava em casa (isto quando ele não saia, a meio da tarde, para ir a casa dos meus pais levar-nos torradas acabadinhas de fazer para o nosso lanche). Cozinhava que era uma delícia (era o amor que punha em tudo quanto fazia que tornava tudo ainda melhor).

A minha avó Alcide era a matr(i)aca da família. Sempre a resmungar (ou melhor, só o fazia por duas razões – por tudo e por nada). Nada estava bem, nada prestava e estava sempre mais doente que os outros. Imensos defeitos, numa pessoa que nos amava acima de tudo e para quem, a melhor coisa que podia acontecer, era os netos estarem lá em casa (de preferência enfiados na cama dela a fazer-lhe companhia enquanto resmungava com a televisão). E era por esses defeitos que os netos lhe retribuíam o amor na mesma medida que ela nos dava.

“Lá está o advogado de defesa” era a frase mais ouvida naquela pequena casa, quando a ti Alcide resmungava connosco e o ti Manuel nos defendia. Nós riamos e sabíamos que era quase impossível sermos mais amados que ali, onde tudo era à nossa medida, abraços, carinhos e resmunguice incluídos.

E sou quem sou e como sou precisamente por isso. Porque os meus avós fizeram parte integrante da minha infância e adolescência. Porque quero sempre ser melhor para que eles continuem a ter orgulho em mim, estejam eles onde estiverem.

Só tenho de lhes agradecer também por isso.

(e por me terem dado a melhor história de amor que conheci)

 

*(in Arroz de Palma de Francisco Azevedo)

Missão emagrecer - Take 4

As últimas semanas tem sido assim para o complicadito a nível profissional e, por isso, nem tenho conseguido cá vir.

Fui a semana passada à nutricionista fazer a avaliação. Na segunda feira a seguir ao Natal tinha lá ido mas esqueci-me de anotar a evolução. Sei que, na altura, tinha perdido 700 gr mas não anotei mais nada.

Ora bem, tendo em mente que, quando comecei esta missão vestia o 54 de calças e tinha pouco mais de 127 kg, aqui estão os números das últimas consultas:

 

Data Peso IMC %Massa gorda %massa magra % água Peito Anca Cintura
10/10/2016 127,20 42,01 49,80 63,90 37,10 129 145 124
19/11/2016 124,70 41,19 52,50 59,20 35,10 125 144 119
26/12/2016 124,00 40,96 53,40 57,80 34,50 129 143 119
30/01/2017 125,00 41,29 51,10 61,10 36,10 129 142 119

 

Pois bem. Em quatro meses foram dois quilos embora, a cintura diminuiu 5 cm e a anca 3 cm. Este fim de semana tive de ir comprar umas calças porque as minhas caiam-me pelo rabo abaixo. Na semana passada estive ao telefone com um amigo por cinco ou dez minutos enquanto andava a pé e cheguei ao fim da conversa sem estar a arfar.

Parece pouco, eu sei. Mas não é. Acima de tudo porque estou a conseguir o que pretendia - estou a perder peso de forma consistente, sem excessos, sem medicação e sem sacrifícios. Pronto, vá, faço um sacrifício - ir ao ginásio. Continua a não ser a minha praia mas percebo os benefícios. E mais que os perceber, sinto-os no corpo.

Sei que ainda há um caminho a percorrer mas também sei que estou motivada. Sinto-me bem comigo.

Continuam a acompanhar-me?

 

Ser vítima de violência doméstica como critério contratação

IEFP lança primeiro concurso para apoiar contratação de desempregados de 2017 e as empresas podem receber 3.791,88 euros por cada contrato sem termo celebrado dentro de determinadas condições.

E até tudo bem.

Este valor pode até ser majorado em 10% se a contratação reunir outras condições... Com as quais concordo plenamente: desempregados (independentemente do tempo de inscrição) em situação mais desfavorecida, designadamente os que sejam beneficiários do rendimento social de inserção, apresentem deficiência e incapacidade, sejam refugiados, ex-reclusos ou toxicodependentes em processo de recuperação ou se encontrem inscritos no IEFP há 25 ou mais meses. Perfeito.

Há uma majoração adicional e cumulativa de 10% se o posto de trabalho criado for “localizado em território economicamente desfavorecido”. Muito bem, Promover o emprego em zonas desfavorecidas. Parece-me lindamente.

E por fim... Os montantes a atribuir poderão ser majorados em mais 10% se o desempregado estiver a receber o rendimento social de inserção, tiver deficiência e incapacidade, integrar uma família monoparental, tiver o cônjuge também desempregado, tiver sido vítima de violência doméstica ou for refugiado, ex-recluso ou toxicodependente em processo de recuperação.

Como? Vítima de violência doméstica? As empresas vão ter benefícios se contratarem vítimas de violência doméstica? 

Antes de mais, deixem-me dizer-vos que sou da opinião que as vítimas de violência doméstica merecem todo o meu respeito e, no meu entender, todos os apoios que o estado possa dar para recomeçarem a sua vida.  Sem dúvida alguma!

Agora... condicionar o apoio a uma empresa à contratação duma vitima de violência doméstica já me faz alguma confusão, ainda para mais considerando alguns empresários que conheço.

É que parece que estou a ver as entrevistas de emprego: Olhe, a sua mulher bate-lhe? não? ah então desculpe mas não serve. Vá lá para casa e peça-lhe o favor de o espancar umas vezes e depois volte cá para o contratar a ver se eu ganho uns trocos a mais.

Ou se calhar sou eu que estou a imaginar coisas...

Falando um pouco mais a sério, conheço uma ou duas vítimas de violência doméstica e se há coisa que lhes é comum (para além do passado violento) é a vergonha do que passaram, a dificuldade em falar no tema e o não quererem ser conhecidas como vitimas. Ao incentivar as empresas a contratar estas pessoas porque foram (ou são) vítimas de violência doméstica é vitimizar ainda mais, é obriga-las a falar no assunto com desconhecidos que podem não saber como tratar o assunto com o respeito que merece.

E isto, mais do que tudo, faz-me confusão.

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