Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

StoneArt Portugal

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Eu e os meus livros. Sejam bem vindos a esta minha casa.

StoneArt Portugal

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Eu e os meus livros. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Balada da neve



Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria... .
Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho...

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança, e
noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança...

E descalcinhos, doridos...
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...

Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!...

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza.
e cai no meu coração.

Poema de Augusto Gil

Esperança













Foto de Vasilis Fotopoulos

Danço num palco de estrelas
Em tapete de relva macia
Que me acaricia os pés.
Ouço a música tocar
Enquanto flutuo nos teus braços
Que me envolvem
Num luar de silêncio
Fecho os olhos
Quero eternizar esta dança
Guardá-la no meu coração
E, quando o sol acordar,
Levo-te o sonho num beijo
Silencioso, terno e intenso
Com que te desperto
Para que juntos
Sonhemos o amanhã


Dueto com a Vera Silva...
(sim, eu e a Vera...)

À Pedra Filosofal

Foto de Simon Nekdo

Bom senso anda doente,
Cambaleia frouxo
E se deixa cair
Aos pés da insanidade.
Sorriem os astutos
E dão glória aos pecados
E à vaidade.
Mas para além das águas amargas,
Descem, penduradas em nuvens claras,
Pedras de açúcar
Enfeitadas de mil nomes
Que se lançam em carinhos,
Que rompem distâncias
E que fazem a estupidez
Corar de vergonha
E à amizade dão olhos de ampulheta,
Cantando odes à estranha alquimia
Que em nada transforma o ouro
Mas que faz nascer o realmente valioso
Nos corações feitos de chumbo.

Este poema foi-me oferecido pela Edileia, mais uma poetisa como há poucas e cujos poemas sempre me fizeram sonhar. Este poema que ela me dedicou deixou-me com lágrimas nos olhos.
Edi, obrigado. Do fundo do coração. Não me creio merecedora de tanto. Espero que a nossa amizade que está agora a nascer se mantenha por muitos e longos anos.
Conheçam mais da Edileia no blogue http://desequilibrio.blogtok.com/

E agora, ó Poetas, que vos deixo de mim?


Foto de Jean Vigneault


E agora, ó Poetas, que vos deixo de mim?
Longas noites de insónias
De cabelos encostados
E olhares escorregadios
Neste meu odor de jasmim

Esqueci-me de dormir
Em cima das memórias
Que fui arrastando
No destino que não apaguei...

- ah, que esquecida eu sou, Poetas!

Nas minhas mãos dorme o sono de ontem
E deslizam-me os sorrisos
Em lençóis acetinados
Manchados de lágrimas
Dos dias em que me abafei de mim

- é tudo o que me resta, Poetas!

Este poema foi escrito pela Manuela Fonseca, mais uma amiga e uma autora cuja leitura recomendo.
A Manuela mantém três blogues. No blogue
http://manuela-guardadoradesonhos.blogspot.com temos música, poesia e prosa. Pequenas coisas que a Manuela gosta e que, acima de tudo, quer partilhar com os amigos. No blogue http://ensaios-poeticos.blogspot.com temos o grato prazer de conhecer a escrita da Manuela. Uma escrita que lhe dá prazer e que a nós delicia. No blogue http://encontro-encontrodeolhares.blogspot.com podemos encontrar as noticias acerca do evento que está a ser organizado pela Manuela com a ajuda de mais três amigos.

Em silêncio...


Foto de Daniela Guimarães


Deixa-me amar-te assim... em silêncio... Não me peças palavras que não sei pronunciar, nem gestos que nunca fiz. Não sei tanto do que queria e quero tanto do que não sei. Olhas-me e perco o norte. Fico muda e desvio o olhar. Não é por não te amar, mas sim por esse amor ser grande demais. Mas em silêncio... Seria tão fácil dizer que te amo e perder-te. Seria tão simples dançar ao som da ilusão e entregar-me completa, plácida, serena, e acrescentar apenas as letras que faltam quando não digo “Amo-te”! Não me peças para ser o que não sou, nem para me transformar subitamente em mulher, porque sou apenas menina. Queria crescer nos teus braços fortes e esconder-me atrás do teu tronco másculo. Mas abraço-te... em silêncio. Desejo o suave toque acetinado dos teus lábios nos meus e imagino como será um beijo de verdade. Anseio por ele e sonho-o... em silêncio. Aproveito-me do que tenho de melhor e sonho... Nos meus sonhos eu sou tua e tu... Tu, meu amor, pertences-me! Todos os dias nos amamos intensamente e somos apenas um do outro! Todos os segundos das minhas noites são aproveitados ao máximo e vividos energicamente, ardentemente, gloriosamente... Chega a manhã e a realidade! Não me peças palavras que não sei dizer e deixa-me! Deixa-me amar-te assim... em silêncio...


Este texto é da Vera Silva. Conheci a Vera numa livraria em Lisboa, quando fomos ao lançamento dum livro. Já nos conhecíamos virtualmente, mas ela não conhecia a minha cara. Quando soube quem eu era teve a reacção mais... inesperada. Nem vos sei explicar bem como foi ou sequer o que foi aquilo. Sei que a nossa amizade nasceu naquele momento e tem vindo a florescer a cada minuto que passa (oxalá assim continue).
Antes daquele dia já eu a acompanhava, quer no blogue
http://prosas-e-versos.blogspot.com quer no luso-poemas. Sempre atenta ao que ela escrevia porque a Vera consegue encarnar, na perfeição, o que escreve, apesar de nem sempre o sentir.

O valor das coisas

Foto de Leo Indrawan
Fernando Pessoa dizia que “O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas sim na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis”

Um dia cheguei ao luso-poemas, e encontrei esta história contada pela Tália:

“Ontem o meu filho sentiu uma vontade enorme de me oferecer algo, então apanhou uma pedra do chão a caminho de casa e ofereceu-ma… com tanto amor… e pediu-me para a guardar junto do meu coração… assim o fiz… juntei-a a outras duas que um dia me ofereceram em silêncio à beira mar…Ouro? Tenho algum guardado numa gaveta… nem sei bem em qual…”

Escolhi este texto da Tália, por ser dos mais verdadeiros e dos mais sentidos que já li. Mais tarde, se ela me autorizar, claro, trarei a este blogue outros poemas dela.
A Tália/Vanda é uma poetiza de mão cheia. Consegue retirar, das palavras, todo o sumo que elas têm e deixar-nos embriagados.
Desde que comecei a frequentar site Luso-poemas que leio tudo o que ela publica.
Conheci a Tália à uns meses atrás, e, confesso que simpatizei logo com ela. Depois, com a convivência só confirmei aquilo que já sabia. É uma pessoa amiga, que se interessa pelos outros.

Conheçam mais da Tália no blog http://www.nectardaspalavras.blogspot.com

Alma de poeta

Foto de Claudia Marcu


Na penumbra da noite,
O suspiro de alguém que escreve...
Envolto em mistérios, sombras...
Nada encontro...
Alma que se solta...
Luz que se apaga no horizonte
Poetas que se perdem nas palavras
Ecos que o vento traz e leva...
Comunhão da tinta e do papel,
Escrevo, penso, reflicto...
Não encontro o meu destino,
Serei poeta, ou apenas uma ilusão...
Não importa,
Deixo as palavras nascer
Liberto o sentimento...
Condenado a vaguear,
Nesta dúvida e mistério que há em mim,
Sem partir, sem chegar...
Refúgio de mares envoltos em tempestades,
Paro neste porto de abrigo,
Conduzo as palavras que se soltam...
Surgem no papel,
Expressam sentimentos...
Mas quem sou?
Poeta, ou ilusão.
A dúvida persiste...
Deixo-me conduzir no momento...
Escravo de uma alma presa...
Solto, com alegria, a escrita,
Torno-me cúmplice do momento,
Textos, poemas...
Como Outonos de folhas mortas,
Folhas que caem, brisa que sopra
Quadro de inspiração...
Alimenta a alma...
Escrevo palavras soltas...
Afinal quem sou?
Poeta, ou ilusão...

Este poema foi escrito pelo Luís Ferreira que diz que não é poeta, mas, sinceramente, e na minha opinião, o que ele tem mesmo é uma Alma de Poeta. Dai a minha escolha por este poema dele.
A alma do Luís está bem espelhada no blogue que mantêm, no endereço http://marsonhos.blogspot.com, onde tenta, por meio das palavras que domina, ajudar a construir um mundo melhor. Dado que somos amigos desde que me lembro, acompanho o Mar de Sonhos desde o dia do seu nascimento. E eu, que nunca fui grande fã de poesia, acabei por ir aprendendo, com ele, a gostar e a apreciar.
Hoje o Luís tem o seu lugar garantido nos autores que eu leio, não por força da nossa amizade (que espero que dure uma eternidade), mas pela forma como escreve.

Magia de Natal



Com a chegada do mês de Dezembro, chegou também a preocupação habitual do Pai Natal. O que oferecer às crianças? Nos últimos anos o Pai Natal tinha assistido, desanimado, que muita gente se tinha esquecido do verdadeiro espírito de Natal. Cada vez mais as pessoas se preocupavam com a quantidade de prendas que recebiam em vez de se preocuparem com os outros. Partilhar, estar junto dos amigos e da família, ajudar quem mais precisasse… tudo tinha passado, agora o importante eram as prendas, prendas caras de preferência para que, no dia a seguir, pudessem mostrar aos outros.
Sem saber muito bem o que fazer, nem como chegar a quem mais precisava, falou com Rudolph, Dasher, Dancer, Prancer, Vixen, Comet, Cupid, Donder e Blitzen, as suas renas. Amigas de longa data, afinal estavam com ele desde o início, resolveram ir dar um passeio. Enquanto passeavam iam falando sobre as preocupações para aquele ano, que todos partilhavam.
Depois de caminharem por um bocado começam a ver muitas borboletas. Tinham chegado ao reino das Borboletas Mágicas.
As borboletas, por serem mágicas, perceberam logo as preocupações do pai Natal e as suas amigas renas e então chamaram os dois príncipes do reino, que chegaram numa carruagem puxada por dois cavalos – o Amor e a Ternura.
Quando chegaram ao pé do Pai Natal convidaram-no a dar um passeio pelo campo de alfazema enquanto as renas e os cavalos conversavam um pouco.
O Pai Natal falou então aos dois príncipes sobre as suas preocupações. Explicou-lhes que, cada vez mais, as pessoas queriam apenas saber de si, só olhavam para o seu umbigo, sem qualquer preocupação pelos outros. Passavam o ano a virar a cara quando viam mendigos a pedir, quando se apercebiam de crianças a passarem fome. No Natal, fingiam-se interessados, faziam apelos, havia recolha de brinquedos e de alimentos, visitas aos mais necessitados com promessas de ajudas… Com a chegada do ano novo todas essas intenções eram enterradas com o ano velho e tudo voltava ao mesmo.
Ele, Pai Natal, queria ajudar as crianças mas não conseguia, porque não sabia onde estavam todas elas.
Os príncipes, querendo ajudar, ofereceram ao Pai Natal uma bússola especial, feita de algodão doce azul.
Explicaram-lhe que aquela bússola, além de indicar o norte também mostrava onde o Pai Natal podia encontrar as crianças que, em vez de prendas, apenas queriam receber um pouco de amor e ternura.
Satisfeito por receber um presente tão útil, o Pai Natal agradeceu, porque assim teria oportunidade de ajudar ainda mais crianças.
Quando chegou ao pé das suas amigas renas o Pai Natal explicou-lhes que se tinham de apressar a chegar ao Pólo Norte porque a bússola estava com demasiadas luzes acesas e que tinham de ir buscar todos os duendes que estavam na fábrica de brinquedos para os ir deixar com cada uma daquelas crianças.
Tiveram muito trabalho, mas todo ele foi compensado por múltiplos sorrisos que nasceram na cara de cada criança. Uma épica sensação da época que o Pai Natal desejou prolongar por todo ano. Talvez um dia ofereçam essa prenda ao nosso querido Pai Natal…

Vale a pena tentar?


Foto de Win Lassche


Um dia perguntaram-me se valia a pena tentar. Sem saber a razão ou o objecto dessa pergunta, apenas questionei: vais prejudicar, conscientemente, alguém de alguma forma? Se a resposta for um simples não, então a minha resposta à pergunta se vale a pena tentar é… que sim, definitivamente sim, seja lá o que for que se vai tentar.
Desde que nascemos a nossa vida é feita de tentativas, umas vezes dão certo, outras nem por isso. Não temos de ter medo de tentar. É através das tentativas que vamos fazendo que aprendemos. E a vida é feita de aprendizagem, da nossa aprendizagem. Não podemos aprender pelos erros dos outros, temos de aprender com os nossos. Temos de errar, de ir fazendo tentativas até acertarmos. Quando nos surge uma oportunidade pela frente se não a tentarmos seguir o que vai acontecer é que vamos ficar a perguntar, para o resto da vida, o que é poderia ter acontecido se eu a tivesse seguido? Se a seguirmos teremos a resposta a essa pergunta e ainda podemos sair beneficiados.
Nunca gostei da ideia de imaginar o que é que poderia ter acontecido. Gosto mais de pensar que fiz o que tinha de ser feito. Não me arrependo de nada do que fiz, mas antes do que não fiz, por medo de tentar. Não gosto de pensar no que poderia ter sido, prefiro pensar no que foi. Os erros que cometi foram os meus erros, aprendi com eles, cresci por causa deles.
Nunca deixamos de aprender. Nem nunca deixamos de errar... então porque haveremos de deixar de tentar?
É claro, e como disse no início. Importa que não se ponha em risco terceiras pessoas (e já agora nem nós próprios), importa respeitar os outros, aceitar e respeitar que a nossa liberdade termina onde começa a dos outros e não magoar ou prejudicar conscientemente as outras pessoas. Se estes princípios forem respeitados e se surgir alguma ideia ou alguma oportunidade... tentem.
Vale a pena tentar… Vale sempre a pena tentar ser feliz, tentar escrever… tentar amar ou ser uma mera aprendiz…
Um dia, partirei, com a consciência de que tentei…

À Beira Mar



Foto de Maximilian Tjipto


Enquanto mexia na areia, Lara lembrava-se daquele dia, uns anos antes, em que, numa outra praia, tinha conhecido Carlos.
Estava a apanhar uns banhos de sol com as suas amigas de ocasião, quando um grupo de rapazes sentou-se por perto, com a música a tocar.
Incomodadas, resolveram ir tomar um banho. Como a água estava fria, ficaram à beira mar a conversar até que um dos rapazes resolveu passar por elas, salpicando-as. Elas riram-se e voltaram para as toalhas.
Nos dias que se seguiram, Lara continuou a ir à praia e o mesmo rapaz também. Sentava-se sempre por perto, quando ela ia tomar banho, passava por ela e salpicava-a. Até que chegou o dia em que Carlos ganhou coragem para lhe falar. Era o último dia de férias de Lara... Trocaram telefones, moradas e prometeram manter o contacto.
Nos meses que se seguiram, Carlos e Lara escreveram-se quase todos os dias. Sobre eles, sobre os amigos, sobre a escola...
Foi por carta que o amor entre os dois começou a nascer, e foi também por carta que começaram a namorar.
Apesar da distância que os separava voltaram a encontrar-se. Nesse dia, quando se encontraram e os olhares se cruzaram, todas as dúvidas que poderiam ter dissiparam-se.
O namoro que tinha nascido por carta, tornou-se real.
Ao lembrar aquele primeiro beijo, do seu primeiro amor, Lara sorriu, por entre as lágrimas que deitava.
A distância que os separava não impediu que o namoro continuasse. Quase sempre era Carlos que ia ter ela, já que ele tinha deixado de estudar e estava à procura de emprego. Continuavam a escrever-se… era a maneira que encontravam de passar os dias quando não estavam juntos.
E foram passando os dias… os meses. Durante 2 anos Lara e Carlos namoraram, a felicidade sempre estampada no rosto dela. Carlos tratava-a sempre com carinho e ternura. Lara tinha encontrado o homem com quem queria passar o resto dos dias…
Naquele dia Lara abriu o correio e tinha uma carta. Estranhou, a letra não era conhecida, mas era para ela.
A carta, assinada por Ana, era simples. Um pedido. Para que Lara saísse da vida de Carlos porque ele namorava com a Dulce, irmã de Ana, na cidade onde viviam os três. Ana explicava ainda que a irmã não sabia do que se passava e que tinha descoberto o romance de Carlos com Lara porque o tinha seguido até à cidade onde Ana vivia.
Todas as ilusões de Lara foram destruídas. Sentia um grande amor por Carlos mas só fazia sentido se fosse correspondido, se Carlos sentisse o mesmo que ela.
Enquanto relia a carta, sentada na praia, tentava perceber como é que podia ter sido enganada daquela maneira. E chorava… chorava pelo amor perdido, pelas ilusões que tinha criado, por se sentir enganada.
Lara era determinada. Não iria deixar que Carlos percebesse o quanto a tinha magoado. Não lhe permitiria, nem por um segundo, desconfiar que ela sabia do que se passava.
Com esforço, mas resolvida a fechar este capítulo da sua vida, levantou-se, secou as lágrimas, e foi ter com Carlos que a esperava no café ao pé da estação dos comboios. Conseguiu, durante esse dia, que seria o último em que estavam juntos, fingir que estava tudo bem.
Quando se despediram combinaram novo encontro para uma semana mais tarde. Sem perder tempo, logo que Carlos se foi embora, Lara escreveu uma carta a Ana a explicar-lhe que nada sabia da vida dupla de Carlos e que iria deixá-lo. No entanto achava que, tal como ela tinha sido enganada, também Dulce estava a ser enganada, e iria ser enganada várias vezes. Propôs-lhe então dar uma lição a Carlos, para que ele percebesse que tinha sido descoberto.
No dia combinado, Carlos saiu do comboio na estação e dirigiu-se ao café onde, habitualmente, se encontrava com Lara.
Quando lá chegou encontrou Lara e Dulce, sentadas à mesma mesa. Ainda tentou explicar-se mas as duas estavam decididas. Levantaram-se e, sem se despedirem, saíram do café e da vida dele.
Cá fora, enquanto falavam sobre a situação da qual tinham saído, foi nascendo uma amizade que haveria de durar por muitos anos.

Pág. 1/2

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D