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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Para lá do rosto

Foto de Jorge Luis R Tagle

Quantos de nós já tiraram conclusões acerca da maneira de ser de alguém apenas e só por olhar para o rosto?
O rosto, considerado por muitos como “espelho da alma” pode esconder a verdadeira personalidade do seu dono. Um rosto bonito, bem desenhado pode esconder uma “víbora”. Um rosto menos favorecido pode trazer-nos uma pessoa interessante, simpática e com quem dá gosto conviver.
Porque vivemos em sociedade, temos de conviver com outras pessoas. Umas com ar simpático, mas que não o são. Outras com ar antipático… e que, por sua vez, também o não são.
Hoje a nossa sociedade vive a cultura do bonito por fora. Infelizmente. O que leva a que, muita gente que merece ter lugar de destaque não o tenha por não ter recebido o bónus duma cara bonita. No oposto, muitas caras bonitas, mas que não passam disso, têm o mundo nas mãos.
Não andamos de cara tapada, claro. E a primeira coisa que vemos do outro é o rosto. E é pelo rosto que construímos a primeira opinião. Depois vem a descoberta – a personalidade corresponde ou não?
Já aprendi a não me deixar influenciar pelo rosto. Porque já vi pessoas com caras de pouco amigos que se revelaram impecáveis, com quem se pode conversar, simpáticas, amigas. Já vi pessoas chegarem com um sorriso nos lábios e esse sorriso revelou-se cínico, antipático.
Conforme vamos conhecendo as pessoas também as feições mudam. Já repararam nisso? Um rosto bonito e simpático, acompanhado duma personalidade antipática transforma-se e, aos poucos, para quem tem de conviver com essa situações, o rosto deixa de ser tão bonito, passa a ser normal e, quiçá até feio (num extremo). Noutros casos, rostos bem feios começam a ganhar beleza quando se conhece a personalidade da pessoa.
A Internet, nestas coisas pode facilitar. Ou não. Facilita porque podemos ir conhecendo a pessoa antes de lhe conhecer a cara. Talvez por isso, e para evitar ideias preconcebidas, haja quem opte por ter desenhos em vez da foto. Assim não há hipótese de se dizer que o rosto é simpático ou antipático. É a forma de ser e de estar da pessoa que vai determinar a opinião que se tem dela. E não o rosto. Do lado de lá do computador pode estar a cara mais feia do mundo. O que interessa é a personalidade… certo é que, por outro lado, a Internet facilita a criação de uma ou de várias personalidades diferentes que permitem enganos que podem ter consequências.
Mas estas falsidades não existem só na Internet. Pessoas que se fingem de amigas, que fingem que se interessam com os outros quando só querem saber de si, que ajudam com o intuito único de terem reconhecimentos públicos… E quantas vezes o que lhes vemos no rosto são sorrisos, mostram-se afáveis, são simpáticas…
Cabe-nos a nós, como indivíduos e membros da sociedade, decidir se é pelo rosto ou pela maneira de ser e de estar que avaliamos o outro. Mas não se iludam. A interacção também é importante. Comportamentos simpáticos geram simpatia. Comportamentos antipáticos geram antipatia. Por isso, sejam simpáticos…