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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Dia dos namorados

Foto de Roy Somech

São Valentim viveu em Roma, na época do imperador Claudius II. Este imperador achava que os jovens sem família seriam melhores guerreiros e que se alistariam com maior facilidade, razão pela qual proibiu os casamentos. Valentine era bispo e contrariava as disposições do imperador, até ao dia em que foi descoberto e condenado à morte. Enquanto se aguardava a execução da sentença os jovens enviavam flores e cartas ao bispo, dizendo que todos acreditavam no amor. Entre eles estava Asterius, uma jovem cega, filha do carcereiro, que conseguiu visitar Valentine. A amizade nasceu entre os dois e, milagrosamente, Asterius recuperou a visão. Valentine escreveu cartas a Asterius, onde assinava sempre como “do teu Valentine”.
Valentine foi decapitado em 14 de Fevereiro de 270 d.c.
No início, o dia de hoje era um dia de jejum, de homenagem ao santo falecido nesta data. Foi na Idade Média que o dia 14 de Fevereiro passou a estar associado ao amor romântico.
No Brasil o dia dos namorados comemora-se no dia 12 de Junho e está associado a outro Santo, Fernando de seu nome, conhecido por António por ter sido esse o nome que escolheu quando entrou para a Ordem Franciscana. Santo António viveu na idade média, numa altura em que o casamento estava em queda porque a união carnal (resultante do casamento) era considerada pecado. Estamos a falar duma época em que se valorizava a vida espiritual celibatária em oposição à constituição de família com os respectivos descendentes. Santo António oponha-se a essa posição e, na maioria das suas pregações, falava da importância da família e da sua união.
No Japão existem dois dias dos namorados. O primeiro é 14 de Fevereiro, quando as mulheres dão presentes e chocolates para amigos, namorados e afins. No dia 14 de Março os homens retribuem o presente.
Hoje o dia de São Valentim, ou o dia dos Namorados está associado à troca de recados de amor e de objectos simbólicos que podem ir da silhueta dum coração a um cupido com asas. A troca de mensagens românticas iniciou-se no século XIX, com os casais apaixonados a escreverem o que queriam dizer. Hoje são produzidos, em massa, cerca de um bilhão de cartões de cartões que são, depois, enviados.
Este dia é um dos dias mais lucrativos do ano para os comerciantes.
Em suma, um dia que seria para celebrar o amor e a amizade tornou-se, ao longo dos séculos, numa data consumista em que é (quase) obrigatório comprar um presente ao namorado ou marido, sem contemplar os amigos. Compra-se por obrigação, e não porque se gosta. O mesmo problema que se passa com o Natal, por exemplo.
A nossa cara-metade deverá ser, também, nosso amigo. Então quando me refiro aqui aos amigos, refiro-me também à cara-metade
O dia de hoje devia ser usado para dizermos aos nossos amigos o quanto gostamos deles. Se bem que isso poderia e deveria ser feito todos os dias do ano.
Em vez dum presente ou duma mensagem que se compra em qualquer loja e que foi feita de uma forma impessoal, dêem um beijo especial a quem gostam, façam um telefonema de surpresa, digam o quanto gostam dos amigos. Mas não o façam só hoje, façam-no sempre que desejarem.
Sei que já falei nisto quando falei nos meus amigos. Mas acho que nunca é demais referir que se deve dizer, e demonstrar, o quanto gostamos dos outros. E mais que um dia de consumo, o dia de hoje pode e deve ser aproveitado para isso.
Por isso, e para todos os meus amigos, Feliz Dia de São Valentim.

Nota final – para poder fazer o enquadramento histórico do dia de hoje, usei a Wikipédia e fóruns sobre o assunto