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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Um passeio por Lisboa

Foto de Dias dos Reis

No outro dia, por razões profissionais, sai do meu local de trabalho, algures nas Avenidas Novas e fui até ao Bairro Alto acompanhada de uma amiga que trabalha comigo e que também vive na Margem Sul do Tejo.
Quando chegamos ao jardim de S Pedro de Alcântara (ao cimo do elevador da Glória) podemos ver Lisboa de cima, em todo o seu esplendor. Estava um dia propício, nem muito solarengo nem muito cinzento. Teria dado uma foto linda. Olhei para a minha amiga e percebi, pelo seu ar espantado, que ela nunca ali tinha estado. No decorrer da conversa percebi que nem ali, nem em mais de metade de Lisboa... apesar trabalhar na cidade há quase 17 anos.
Eu, apesar de ter sempre trabalhado na mesma zona, conheço relativamente bem o resto da cidade de Lisboa. A Baixa, Alfama e a zona do Príncipe Real são as zonas que conheço melhor. Depois conheço quase toda a cidade de vista. De turista.
Os turistas pagam para vir conhecer a nossa cidade, e nós, que passamos por ela todos os dias não a conhecemos. Mas, quem aqui trabalha ou vive, paga para ir conhecer outras cidades. Não se sintam culpados. Quem vive nas outras cidades também não as conhece. Pelas mesmas razões que nós.
A vida agitada que levamos, a correria desde que nos levantamos até que nos deitamos não nos deixa tempo para visitarmos as cidades onde vivemos ou trabalhamos. Nem para estar com os amigos tantas vezes quantas desejaríamos. Nem com a família. Há quanto tempo não paramos num café ou numa esplanada a beber um café ou um refresco com um grupo de amigos, sem olhar para o relógio porque temos um compromisso logo a seguir?
Hoje a nossa vida é um contra relógio constante. A sociedade moderna é escrava do tempo. Sobram coisas para fazer depois de acabar o dia. E, por mais que se saiba que assim é, não fazemos nada para mudar. Antes arranjamos ainda mais coisas para fazer.
Tenho tentado, junto com um grupo de amigos, contrapor esta tendência. Uma vez por mês escolhemos um local diferente para passarmos o dia ou a tarde. Sem relógios, ficamos a conhecer um sítio diferente e, acima de tudo, é um dia que estamos juntos. Pode parecer pouco... mas tem sido bastante gratificante. Se calhar, se fizerem um esforço para o fazer, mesmo que seja só em família, acreditem que se vão sentir bastante bem.