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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Encontrei um tesouro

Foto de Marina Segura


Ao longo da minha vida, e tal como todos nós, já passei por bons e por maus momentos. Houve uma altura, num mau momento bastante prolongado, que achei que o mundo ia desabar em cima de mim. No período anterior e, quase exclusivamente por minha culpa, tinha perdido praticamente todos os amigos que tinha e, os poucos que restavam pouca paciência tinham para o meu mau humor. Fechei-me que nem uma concha e mal de quem a tentasse penetrar. Sairia, com certeza, ferido dessa tentativa. Os meus dias eram passados entre a faculdade, o trabalho e a minha casa. Não queria estar com ninguém, falar só mesmo por obrigação e conviver então era uma tortura.
Quem me conhece sabe que gosto de falar (até demais, ás vezes), que adoro estar com os amigos e que conviver com outras pessoas é quase que a minha segunda pele. Nesta fase era o oposto de mim.
Foi uma fase complicada. O meu mau estar levava-me a não ser eu nas minhas atitudes. E o facto de não conseguir ser eu nas minhas atitudes levava-me a estar mal. Um círculo vicioso, do qual não conseguia sair. Não interessa agora saber o motivo. Ficou perdido no tempo. Fugiu-me.
Foi na faculdade que encontrei um tesouro. Um não, vários. Pessoas que me conheceram nessa altura má e que, apesar de me conhecerem há pouco tempo, não abriram mão de mim. Tiveram a força suficiente para, aos poucos, começarem a penetrar no mundo fechado em que eu vivia. Forçaram-me a sair com eles. A conviver, a estar com pessoas. Nos primeiros tempos eu tentava fugir. Não queria ir. Arranjava desculpas esfarrapadas para não ir. Mas não desistiram. Aos poucos deixei de ter desculpas e comecei a ter de ir. E que bem que me soube voltar a estar com pessoas – mesmo que, nos primeiros tempos, não o assumisse.
Graças a esses tesouros que encontrei, a esses amigos que não desistiram de mim, voltei a sorrir, voltei a rir e voltei a encarar a vida com optimismo – em suma, voltei a ser eu. Com eles reaprendi que a amizade é fundamental e que não devemos desistir dos amigos – mesmo que eles queiram que o façamos.
Quando os nossos amigos cedem às pressões, quando renunciam de si, dos outros, dos seus sonhos, a verdadeira amizade está em ajudá-los a reencontrarem-se.