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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Solidariedade e compaixão

Foto de Per Johansson



Gabriela Mistral disse que a fragilidade é um dos nossos maiores dons. É através dela que nos tornamos conscientes de nossa finitude e da transitoriedade da vida. Contudo, temos um outro dom: o dom do amor ao próximo e este amor pode ser definido em duas palavras: solidariedade e compaixão.
Estes dois sentimentos nos devolvem nossa humanidade perdida (ou não) num mundo dito exclusivo de interesses terrenos e alheio à dor do outro. Acima de tudo, a solidariedade e a compaixão nos colocam perto desta Força, que nos interliga e nos aproxima à medida que podemos ver que a dor do outro não é menor que a nossa, à medida que nos identificamos com o sofrimento do próximo e de alguma forma, desejamos minimizá-lo. Isto chama-se amor consciente e desinteressado, isto é vontade de fazer o bem.
Quando somos solidários e compassivos, a dor do outro é a nossa. Nos indignamos se o próximo se indignar, sofremos se ele sofrer, tentamos ser alento e damos a mão, o ombro amigo, palavras consoladoras e até choramos juntos.
São nos momentos difíceis que encontramos estas almas e elas nos aparecem sob diversas formas: pode ser aquele olhar que se condói por ti, podem ser pessoas que se indignam contigo, ou mesmo que dizem “ vou orar por ti” e ainda há aquelas que abrem as bolsas e te dão fotos de santos para te ajudar e proteger.
Sim, estes anjos sem asas estão por ai, existem de verdade e eu os encontrei nesta semana de desafios e luta.
Nunca acreditei na total desumanização do ser humano que, grotescamente, massacra e é massacrado pelo sistema vigente. Nunca acreditei num mundo esmagado pela estupidez e pela hipocrisia. Nunca pensei como Camus que disse ser a existência humana algo ininteligível, que via o homem como um ser que se afundava em uma rotina confortável que lhe dava a ilusão de ter algum valor e, se enganava de que não estava só. E, agora, acredito menos ainda. A solidariedade e a compaixão são as pontes que nos libertam da solidão.
Tenho esperança na força renovadora do bem, tenho esperanças no amor, tenho esperanças no ser humano e na sua incrível capacidade de atos grandiosos e sentimentos nobres.
Gabriela Mistral está tão certa. Sim, somos seres frágeis, mas somos fortes ainda em nosso poder de compartilhar os nossos corações e de amar o próximo como a nós mesmos.

Karla Bardanza
Dedico este texto às Poetisas (Ângela Lugo, Amora, Pedra Filosofal, Betha M.Costa, Rosamaria, Mel de Carvalho, Vera Silva, Cleo, Gaivota, Alcina) e aos Poetas (Luís F. e Frank Mike- meus parceiros e amigos, JoséTorres, HorrorisCausa, Valdevinoxis, Gilberto,Henrique Pedro) e aos leitores/as do Luso-Poemas que junto comigo se indignaram e, caridosamente, deram-me alento através de suas palavras. Dedico também a todas as pessoas que encontrei esta semana: médicos/as (Dra Sivana e Dr Jeferson), enfermeiros/as, pacientes como eu, taxistas, anônimos, e também as minhas amigas e amigos, pessoas que enviaram-me e.mails e suas doces palavras, todos anjos sem asas. Obrigada por torcer por mim e minha filha que ainda esta convalescendo, mas bem melhor. Deixo aqui apenas um pedido:
Se você mora no Rio de Janeiro, DOE SANGUE. Para cada pessoa com dengue hemorrágica são necessárias 7 bolsas de sangue. Faça sua parte. Doe sua Luz.

A Karla passou, há pouco tempo, por uma fase menos boa. A sua filha esteve internada no hospital, no Rio de Janeiro, com Dengue Hemorrágica. Felizmente já está recuperada. Pedi-lhe este texto (entre tantos bem lindos que ela tem) pela solidariedade que ela recebeu dos amigos e conhecidos, e que demonstra que, afinal, ainda há uma esperança para a humanidade.
Conheçam mais da Karla e dos seus lindos textos em
http://kbardanza.zip.net/