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StoneArt Portugal

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Eu e os meus livros. Sejam bem vindos a esta minha casa.

StoneArt Portugal

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Eu e os meus livros. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Navego nas ondas da fantasia

Foto de Marina Segura

Teus olhos são doces, cor da esperança,
Que carregas nesse enorme coração
Teu sorriso, a luz
Que me ilumina nas noites sem fim
Tua boca, solene, saboreia o meu querer
Brotam timbres de quimeras
E as tuas palavras são cânticos
De sereias encantadas no oceano
Onde navego ao teu encontro.
Preciso do teu amor
Da fonte do teu odor
Tuas mãos trazem-me o mundo
E a paz que tanto procuro
No teu abraço sinto-me segura
Sou mulher… Sou sempre só tua!
Neste nosso mundo de perfeição…
Em que te criei, doce ilusão.
Quero voltar a sentir
Os teus lábios junto aos meus
E assim viajar
Para um lugar recôndito
Onde me esperas… sorrindo.

Paulo Afonso Ramos & Vera Silva & Pedra Filosofal

Bordeline

Foto de Hamad Al-Naemi
Estou aqui sentada no sofá com uma sensação agonizante em mim, não sei para onde ir, não sei como ir, não sei o que fazer e preciso encontrar algo para fazer, sentir-me viva a fazer algo, preciso. Agito os pensamentos dentro da minha cabeça, o tempo passa e eu sem saber nada. Apetece-me chorar mas não choro com medo de magoar quem me rodeia, apetece-me correr até à casa de banho e engolir meia dúzia de medicamentos, esquecer o que mora em mim, enlouquecer só um bocadinho.
Quantas vezes me tentei matar? Quantas vezes me tentei esquecer? Perdi-lhes a conta.
Quero cortar-me de novo e sentir esta dor dentro de mim diminuir, quero desaparecer. Se perco o autocarro apetece-me morrer, se o céu está azul apetece-me viver, se alguém se chateia comigo apetece-me morrer, se alguém me dá um abraço apetece-me viver.
Se é para voltar para aquele lugar onde estava quando tomava medicamentos então deixem-me estar aqui na indecisão.
Quero fazer algo! Preciso.
Apetece-me correr para a casa de banho, pegar na lâmina e cortar-me só um pouquinho... olho o meu braço e penso em todas as vezes que me cortei, nas marcas que isso me deixou, na ideia suicida que habita em mim e em tudo o que me impede de o fazer.
Calo-me! Silencio-me! Mas há dentro de mim um mar de vozes misturadas que não consigo calar, mesmo que queira.
Esta noite não dormi, queria mas não consegui, lembrei-me imensas vezes da voz da psiquiatra: "sempre que não conseguir dormir tome um comprimido, não lhe fará mal" mas também me lembro que sempre que não conseguia dormir tomava um comprimido e não resultava, tomava outro e nada, outro e mais outro e ainda outro e nada, até que acordava numa cama de hospital e me acusavam de tentativa de suicídio. Prefiro ficar alerta, acordada a noite inteira sem pregar olho.
Tenho um nó na garganta que mal me deixa respirar, as minhas mãos tremem, no peito o coração não bate, salta. O que se passa comigo? Preciso de ir ao médico mas tenho medo de o fazer. A última vez que lá fui ela não me atendeu porque não podia, depois deixei de lá ir. Desistir de mim? Sim! Eu não presto. Se prestasse estava neste momento a estudar mas não consigo...
... há tanta coisa a mais dentro de mim.
Acho que vou à casa de banho, se me cortar só um bocadinho ninguém notará e dentro de mim calar-se-á algo.
Se vir sangue sinto-me viva.
Eu não sou normal!

O texto acima é da Margarete Silva. Quando publiquei a crónica sobre o suicídio, recebi o comentário abaixo da Margarete. Achei importante trazer-vos ambos, porque, em conjunto, definem, na primeira pessoa, o que sente alguém que sofre desta neurose. Por outro lado, esclarecem algumas das dúvidas que muita gente tem sobre as razões do suicídio.

Amiga Stone
O normal em mim é desejar a morte muitas vezes ao dia, só porque tenho uma neurose, neurose borderline, na verdade já tentei acabar comigo e por minutos não conseguia, nada me orgulha. Também não tenho o orgulho ferido por agora lhe dizer isto mas o seu texto tocou-me.
Estou sozinha em casa e dentro de mim uma dor revolta quase me levava a pegar numa caixa de medicamentos e me esconder a choro na casa de banho, sabe Deus para fazer o quê, mas a sua crónica prendeu-me.
Tenho um blog inteiramente dedicado à minha doença www.dancas-de-mim.blogspot.com, talvez através dele encontre alguma resposta para as suas perguntas, aviso-a de antemão que são complicadas respostas para complicadas perguntas.
Deixo-lhe um texto meu, um desses acordares para a vida a que eu chamo ressuscitar:
Deito-me na escuridão, não consigo dormir sozinha, não consigo dormir sem a presença de alguém, há sombras que me perseguem, há um mundo inteiro que eu não entendo a ocupar-me as veias, nos braços as feridas que fiz a mim própria e a vontade de nunca as ter feito, cicatrizes para uma vida inteira, saltei do meu mundo para entender o vosso como se fosse fácil de entender o que cedo nos custa a amar... Fiquei assim com a linha firme a servir-me de segurança, hei-de avançar ou recuar? Esta minha súbita maneira de forjar a realidade ao ponto de me reconhecer nela. Esta minha estúpida e insensata mas tão deliciosa como desequilibrada vontade de morrer às vezes, quando todos adormecem e eu não consigo fechar as pálpebras.
Um beijo e um obrigado por me ter prendido aqui.
Margarete. És uma pessoa maravilhosa. Uma escritora que admiro. Não te meças pela doença, mede-te pelas vitórias que vais tendo sobre a neurose borderline. É pelas vitórias, pela tua escrita, pelas tuas fotos, pela tua maneira de ser que te deves medir. E, ao analisarmos estes factores, o que encontramos é que não és, de facto, normal. És extraordinária.
Além do Danças de Mim, a Margarete tem outro blogue. Aconselho uma visita atenta e diária a http://margaretedasilva.blogspot.com/ onde poderão encontrar a excelente escrita da Margarete.

Intercâmbio Poético

Foto de Gustavo Rodriguez

Em tempos falei-vos da necessidade que algumas pessoas sentem de escrever. Aquele necessidade quase visceral de passarem para um papel palavras que se juntam num poema, numa carta ou num simples texto. Desabafos, sentimentos, crónicas... cada um no seu estilo, reflexo da sua forma de estar e de ser.
Cada um desses escritores é uma pessoa. Única. Com defeitos, virtudes, capacidades que fazem com que a sua forma de escrever seja, também ela única. Mas há um laço que os une. A escrita para uns, a leitura para outros.
Para saber escrever é preciso, primeiro, saber ler. Não estou, claro, a falar da aprendizagem na escola primária, onde o processo é simultâneo. Aprendemos a ler e a escrever ao mesmo tempo. Estou a falar dos escritores, daqueles que escrevem em blogs, sites de escrita ou mesmo que publicam livros.
Saber ler não é passar os olhos na diagonal, chegar ao fim e dizer que o título diz tudo. Saber ler é ler com espírito crítico, ler nas linhas e nas entrelinhas. Saber ler é apreender tudo o que está no texto. É ler uma frase e pensar que ficaria melhor de uma ou doutra maneira, ou pensar que é uma frase perfeita e que gostaria de ter sido o próprio a escrevê-la.
Muita da minha aprendizagem saiu dos livros e dos textos que vou lendo. Hoje, quando escrevo alguma coisa, não perco de vista autores que me influenciam, de forma positiva ou negativa. É nos textos deles que encontro as lições que preciso para escrever (e quanto ainda tenho para aprender).
Ler é também viajar. Pelas imagens que outros construíram. E, quantas vezes, é nessas imagens construídas pelos outros que se vai buscar a inspiração para o que se vai escrever a seguir. Lembro-me, por exemplo do caso da história do Harry Potter. Considerações à parte sobre a qualidade, J.K.Rowling assume ter-se inspirado em algumas colectâneas da Enid Blyton, por exemplo, “o colégio das quatro torres” e “as gémeas no colégio de Santa Clara”.
O intercâmbio poético entre a leitura e a escrita não termina por aqui. Pelo contrário, enquanto houver quem saiba ler terá de haver quem saiba escrever (ou vice-versa). A leitura não existe sem a escrita, mas a escrita também não existe sem a leitura. São duas faces da mesma moeda – os textos.
Devemos também ter uma preocupação suplementar quando sabemos que os nossos textos vão ser lidos, devemos esmeramo-nos mais, uma vez que, para além da necessidade de transcrever os nossos sentidos temos a responsabilidade de respeitar a escrita, respeitando assim o leitor que, na maioria das vezes, é um estranho para o autor.
Temos mais cuidado com o que escrevemos quando sabemos que estranhos nos podem ler do que teríamos se só escrevêssemos para amigos, e ao termos esse cuidado temos a possibilidade de nos ir aperfeiçoando, tentando não falhar.
Claro, falhas acontecem a todos. E é importante sabermos disso e aceitarmos a crítica de outros. Não se trata de críticas relativas à qualidade. A qualidade não é mensurável, ao contrário dos erros de ortografia ou de gramática. Trata-se sim de críticas construtivas que ajudem o autor a melhorar. E é essa a função do leitor. Ajudar o autor a encontrar as suas falhas, para que, no texto seguinte, possa melhorar. E é função do escritor corresponder às expectativas do seu leitor, continuando a escrever e a publicar. Num intercâmbio poético.

Diz-me... já não sei de mim

Foto de Ruby Strange

Não me tentes conhecer,
Se vivo rodeada de altas muralhas
Num mundo só meu,
Com os alicerces enterrados no tempo,
Onde ninguém penetra
Para além do silêncio.
O céu pode cair,
Mas as estrelas manter-se-ão penduradas
Em fios de sol e de lua,
E eu…
Eu?
Já não sei de mim.
Há muito que me perdi
Numa rua qualquer.


Diz-me. Em que rua estavas, quando passei, sem que reparasse em ti!
Diz-me. Em segredo, todas as coisas que mutilam o teu desejo e que, assim, encobrem a alegria do teu rosto. Podes contar-me tudo o que quiseres desde que o teu olhar sorria e a tua boca se encha de palavras quentes, para que as deites cá para fora, onde estarei, pronto, para as receber e partilhar, assim, as minhas emoções para que se unam com as tuas.
Diz-me. Diz-me que deixas o teu coração falar. Diz-me que não impedes o teu sentimento de se mostrar.
Diz-me que procuras a felicidade, e que, quando a encontrares, saberás reconhece-la, agracia-la e guarda-la. Diz-me que não tens medo de ser feliz!
Diz-me que nunca esquecerás as letras que usas para construir o mundo, nem que seja, apenas, o teu mundo…
Diz-me tudo! Diz-me… que eu serei um ouvinte activo, liberto de preconceitos, para que, entre as tuas palavras, possa sonhar as minhas e assim, construir o meu mundo também.
Mas, diz-me! E mesmo que queiras o silêncio, diz-me, por gestos ou por imagens, para que encontre uma ponte neste caminho minado. Será como que um fortalecer, entre murmúrios, que outras almas porfiam em fazer acontecer.
Diz-me.
Diz-me que deixas o teu sorriso fluir.
Diz-me que te libertas de mim, de ti, e que, assim, consegues ser a essência.
Não tenhas medo de nada. Diz-me…


Vera Silva & Paulo Afonso Ramos

É loucura

Foto de Justin Grant



É loucura odiar todas as rosas
Porque uma te espetou...
Entregar todos os teus sonhos
Porque um deles não se realizou...
Perder a fé em todas as orações
Porque numa não foste atendido...
Desistir de todos os esforços
Porque um deles fracassou...

É loucura condenar todas as amizades
Porque uma delas te traiu…
Descrer de todo o amor
Porque um deles te foi infiel…

É loucura deitar fora todas as hipóteses de ser feliz
Porque uma tentativa não deu certo…
Espero que na tua caminhada
Não cometas estas loucuras…
Lembra-te que há sempre uma outra hipótese…
Uma outra amizade…
Um outro amor…
Uma outra força…
É só ser persistente
E procurar ser mais feliz a cada dia!

Poema anónimo que encontrei, algures, na internet.
Por reflectir o que penso, por serem conselhos úteis a todos nós, trouxe-o a este espaço.

Diante dos teus olhos

Foto de Leslie Dean McEwan


À PEDRA FILOSOFAL

Eu tenho amor enfim, ó retina dos teus olhos!
Que traz o teu perfume em lume no espaço...
Ao peito, a lasciva flor do teu mormaço
Sou fonte em mel que escorre em abrolhos!

Mansos sonhos que deslizam em poesia!
E sei, que as artimanhas do tempo,
Vão seduzir de amor esse momento
Na fina alma desperto sincronia

Vou fecundar sementes, que explícitas;
Vão debulhar os fios das primícias!
Eu quero o teu olhar em fina prece!

Diante dos teus olhos...sorriria
Quantas vezes minha vida viveria!
Pra te cobrir de sonhos, fina messe!

Ledalge,14 de Maio de 2008

E foi diante dos meus olhos, enquanto conversávamos no Msn, que este soneto ganhou forma, o que demonstra bem as qualidades de sonetista da Ledalge.

A Ledalge/Núria é uma amiga excepcional. Estamos separadas pelo oceano mas não deixamos que isso nos afecte e a nossa amizade tem crescido dia a dia.

Núria, querida amiga. Agradeço-te do fundo da alma, do fundo do coração, a dedicatória. Um beijo daqueles que não tem tamanho

Rio de Sal

Foto de Wil de la Cruz


Rio de sal que desliza,
Na encosta suave...
Dança no seu leito, em contornos perfeitos...
Brilha como diamante, na luz que trespassa,
Reflexos que acendem rastilhos a quem vê,
Prisma de cores em encantos puros,
Majestoso e simples...
Nas gotas que caem e caem num espaço infinito...
Auras que cintilam em pérolas de pequenas estrelas...
Intemporais, deslizam num tempo que abraça.
Poderoso rio de sal que caminhas sem parar,
Que corres, lentamente, no lento morrer dos dias,
Vazio, cheio de tudo,
Sentimentos puros de tempestades vividas...
Batalhas ganhas e perdidas, que alimentam o crescimento,
Marcas de diferenças no estado de espírito que alimentas,
Numa alma que espelha o coração, que bate em seu peito,
Compasso de harmonia em ritmos perfeitos.
Gotas perfeitas de gosto amargo e doce...
Com o sal que tempera o sentimento,
Transportas uma vida com sentido,
Num sentido que é dado à vida...
Como palavras por vezes esquecidas...
Que a boca não diz, que morrem no tempo,
Névoas que envolvem e que, timidamente, escondem,
Refúgios sempre presentes em guaritas bem guardadas,
De sílabas perdidas de mensagens tantas vezes escritas,
De poemas que se soltam ao vento...
Rio de sal que deslizas,
Porque és feito de lágrimas, que caem lentamente...
Sensibilidade de quem chora, e sente.


Poema de Luís Ferreira que, com a chancela da Edium Editores, irá apresentar o seu segundo livro de poesia, "Rio de Sal", no auditório da Biblioteca do Barreiro, no próximo dia 17 de Maio pelas 17.00 horas.
Sobre a obra escreve Xavier Zarco prefaciador e apresentador da obra:
"Um registo poético impetuoso, porque mesurado por um olhar grávido de espanto, tocado pelas mãos onde brota o poder de criar, erguido por palavras essenciais. Rio de Sal é um livro, uma teia poética, que, mais do que para ser lido e meditado, é para ser lido e sentido". (retirado do site da Edium editores em http://ediumeditores.blogspot.com/)
No decorrer do evento serão declamados poemas da obra por Ilda Oliveira do blog http://ashistorinhasdailda.blogspot.com/
Estão todos convidados a assistir.

Quem plantar amizade... Vai colher a flor!

Foto de Swallowtail v4

Plante no quintal de tua vida
Uma muda de amizade
Cerque, proteja e cuide
Para que nada de mal aconteça.

Adube a terra, alimente, regue
Cultive a planta num laço
De confiança e respeito.

Seja paciente, saiba esperar...
A Primavera vai chegar!

Por certo, surgirão as flores
As borboletas e as joaninhas
A colorir o teu pedacinho de quintal.

Observe a delicadeza das fores
Sente o perfume, brinque na alegria
Das borboletas...
Veja como é lindo o teu jardim!

Quando a Primavera for embora...
E o verão chegar, fique atento
Proteja a planta do sol castigante
Não a deixe murchar. Hidrate...
Resgate sua beleza, ofereça
Um pouco mais de atenção!

Repare que, com o tempo
Alguns brotos vão surgir
São frutos da tua dedicação, junte
Várias mudas, replante todo o teu quintal.

Redobre os cuidados
Para que nada de novo aconteça e deite
Na certeza de que outras Primaveras virão.

Em tua vida...
Um mar de flores te espera!

E, guarde deste tempo...
As saudades das tantas amizades
Que neste jardim você cultivou.

Poema de Paulo Coelho

GPS do coração

Foto de Mehmet Ataman



Dei ao GPS o teu nome
Ele fingiu não ter ouvido
Em vez de me dizer por onde
Cantou-me a canção do bandido

Insisti dando-lhe a tua morada
Em outra língua me falou
Que, por ti, era enganada
Pois outra aquela morada perguntou

Disse que o deitava fora
Se outra morada me dissesse
Levou-me então embora
Sem que nada me prometesse

Chegamos então a uma praia
Dando-me ele as coordenadas
Com as rodas escreveu na areia
O nome das tuas namoradas

Olhei para o mar e pedi
Que me ajudasse a compreender
Pensava que era única para ti
Que só a mim me irias querer

O mar a onda baixou
Trazendo a espuma às minhas lágrimas
E com calma me explicou
Que era ali que as beijavas

Existe sempre algo que nos guia
Muitas vezes contra qualquer razão
Dê sempre ouvidos e sorria
Ao GPS do coração...



Poema de Vanda Paz (Tália)

A minha filha

Foto de M Korach

Faz hoje sete anos que fui mãe pela primeira vez. Depois de uma gravidez um bocadito atribulada, em que fiquei a tratar a sanita por tu, e onde andava na rua a marcar o meu espaço, e depois de alguns alarmes falsos, com dia marcado, nasceu a bebé mais linda do mundo e arredores. Notem bem. A bebé mais linda. Porque o bebé mais lindo nasceu cerca de dois anos mais tarde. Sim, claro. Os meus bebés foram os mais lindos. Pelo menos para mim que sou a mãe.
A decisão de ter um filho estava tomada desde sempre. Sempre soube que queria ser mãe. E fui abençoada com duas crianças lindas. Ela é a mais velha, ele o mais novo.
Dele vos falarei quando for o dia de anos dele.
Dela falo-vos hoje. Com orgulho. Com carinho. Com muito amor.
A Margarida nasceu num dia de chuva. Lembro-me de estar no quarto à espera de vez para a cesariana e de olhar para a rua e só via água a escorrer pelos vidros. Quando sai da sala de partos e voltei a olhar estava um sol lindo. Só podia ser um bom pronuncio. Nos primeiros dias era comer e dormir. E sujar fraldas, pois claro. Muita fralda se mudou naquela casa. E o meu marido, que era alérgico a pegar em bebés, “medicou-se” e passou a ser sempre ele a tratar dela quando estava em casa. A mim cabia-me alimentá-la. Rapidamente passou a estar mais horas acordada que a dormir. Sempre com aqueles olhos lindos a olhar para nós, sempre muito atenta a tudo quanto a rodeava.
Enquanto ela crescia, também o nosso amor por ela cresceu. Sim, desenganem-se se acham que o amor de um pai ou mãe pelos filhos é logo completo à nascença. Não é. Vai crescendo na mesma medida em que eles vão crescendo. Uma das causas da depressão pós-parto, segundo os entendidos, é mesmo as mães acharem que amam pouco os seus filhos quando eles nascem.
A minha filha sempre foi uma criança obediente, meiga q.b., mas com personalidade forte. Lembro-me que não era preciso ter os detergentes fechados, nem cuidados excessivos lá por casa. Bastava dizer-lhe que não duas ou três vezes que ela nunca mais lá mexia. Ainda hoje é assim. Posso, por exemplo, contar-vos que, quando vai acampar com os escuteiros, é preciso dar-lhe autorização expressa para se sujar. Assim como não é capaz de pedir ou aceitar alguma coisa em casa de conhecidos sem que nos pergunte primeiro. Por outro lado, se as coisas não são feitas como ela quer ou como acha correcto, amua (ou prende o burro como lhe costumamos dizer).
Desde que começou a sua caminhada escolar que demonstra uma avidez pelo conhecimento, colocando-nos, a todos, numa situação, por vezes delicada, porque nem sempre sabemos responder como ela quer. Prefere ver programas sobre animais, sobre como fazer as coisas, sobre o espaço, enfim, programas educativos a desenhos animados. Agora que aprendeu a ler e a escrever obrigou-nos a um trato. Só faz os trabalhos que traz da escola e os que lhe dão no ATL, durante a semana. Ao fim de semana pode fazer uma ou duas fichas dos livros de exercício que seriam para as férias – e que ela acabaria, em duas semanas se deixássemos.
É uma criança extremamente sensível, e que não se esquece das coisas com facilidade. O meu avô morreu quando ela tinha 18 meses. Ainda hoje ela fala dele e diz que gostava de o ter de volta. Muitas noites fui dar com ela a chorar porque sentia a falta do bisavô.
Carinhosa. Muito. Sempre que se deita gosta de nos dizer, a mim, ao pai e ao mano que nos ama. Intervalado com muitos beijos.
Acima de tudo, e apesar de lhe reconhecer defeitos e virtudes, amo-a mais do que à vida. Tal como amo o meu filho. Sejam eles da forma que forem, com o feitio que tiverem, o importante, é que eu os amo, aos dois, e que apenas lhes desejo que sejam felizes.

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