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StoneArt Portugal

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Eu e os meus livros. Sejam bem vindos a esta minha casa.

StoneArt Portugal

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Eu e os meus livros. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Contos água e areia



Quando José Torres se levantou para escrever notou que havia sol naquele dia. Hesitou um breve momento, mas ligeiro se soltou de braço em braço, de mão em mão, estendido nos raios.
Aproximou-se do jardim da casa com a sensação de que há muito não o visitava. As ervas tinham crescido até um ponto quase impossível de crescimento. Dobradas sobre si, formavam novelos.
As árvores tinham inclinado o tronco para a frente da planície suplicando por sol, e os frutos mirrados caíam de podres no chão improvável da terra.
Pensou por um só instante que a sua viagem em veleiro solto de escrita, tinha sido afinal feita entre quatro paredes, e que o mar enrolava agora no seu jardim.
Marujo de barba solta e alma dorida, embrenhou-se no jardim que começava nos seus dedos.
Sentou-se, dobrado sobre si mesmo como âncora.
E decidiu escrever.
E escreveu... escreveu... um romance, um conto, um poema. Não importava o género, o que importava era escrever. As térmitas continuavam a roer-lhe os dedos. Não conseguia parar. Com alguma raiva, porque a escrita às vezes também tem ataques de raiva, fez um dueto com o cão, aquele que iria vender se a crise se acentuasse. E de tanto escrever com a alma, meteu-se com a prosa, deixou de aparecer à poesia, mas não sem antes sustentar-se num poema. Deitou-se com elas. Mas a insónia apareceu e então, regressou à escrita, para pegar num novo estilo que já se tinha anunciado num último voo. Contos. Contos que se ligavam por um fio de água num tempo de areia. Quatro histórias ligadas pela água que o marcavam, de que se orgulhava. Uma delas, “o Rapaz que escrevia poemas de amor” era quase a sua biografia. Na sua ansiedade de os partilhar com os seus leitores assíduos pensou em editá-los em livro. Chamou-lhes “Contos de água e areia”. Contagiou rapidamente o seu irmão, Silva Torres que, com muita paciência e respeito pelo irmão mais velho (senão tinha-o mandado dar uma volta), ilustrou o livro e desenhou a capa. Já ao Flávio (o Silver) pediu-lhe o prefácio. E o livro ficou perfeito. Não por si, mas pelos seus leitores a quem respeita e para quem tem sempre uma palavra atenta.
No dia 2 de Julho às 21h30, na Feira do Livro em Barcelos, com a apresentação do escritor, Branco de Matos será o lançamento deste livro. Estão todos convidados a estar presentes. Na mesma ocasião será também lançado o livro do Flávio Silver, chamado Sétimo Vão. Tenho a certeza que é um livro a ter em casa e a ler, porque o Flávio é um excelente autor de quem também sou fã.
Quem não possa estar presente mas queira adquirir o livro poderá contactar o José Torres através do mail joseilidiotorres@sapo.pt ou pelo blogue http://www.o-ente-do-ser.blogspot.com/

Este texto é feito de plágio. Declarado, assumido e autorizado - são retalhos de diversos textos e comentários deste autor fabuloso que é o José Torres

O meu filho

Foto de Joe Orsak

Logo a seguir a ter nascido a minha filha comecei a pensar como seria ter dois filhos. Cresci acompanhada de duas irmãs, tinha (e tenho) um amigo que é meu irmão de coração e, claro, queria o mesmo para a Margarida. Como o meu marido também tem três irmãos não foi difícil convencê-lo.
Não queríamos uma diferença muito grande de idades entre os dois. A nossa ideia era, quando nos víssemos livres de fraldas e biberões seria de vez.
O dia em que soube que estava grávida do Martim ficou marcado por dois acontecimentos. Nesse dia o meu sobrinho saiu da maternidade, e o meu avô, quando lhe dei a notícia chorou, pediu-me que não lhe dissesse mais nada porque não ia conhecer este bisneto. Morreu um mês mais tarde.
Faz hoje cinco anos que nasceu o Martim. A gravidez correu melhor que a primeira. Vomitei, é certo mas muito menos que da primeira vez. Se calhar porque tinha menos tempo para pensar no assunto. A minha filha ocupava-me os dias.
Quando saí da maternidade a minha filha e o meu marido foram-me buscar. Lembro-me de ouvir aquela voz linda da Margarida a perguntar se podíamos levar aquele mano que estava no quarto comigo. Tinha visto vários bebés no berçário mas preferia aquele. É claro que lhe fizemos a vontade.
Foi um bebé bastante mais calmo que a irmã. Ainda bem, porque eu estava com os dois em casa. Tentei sempre que nenhum dos dois se sentisse abandonado em detrimento do outro. Nunca coloquei sequer a hipótese dela ir para casa da avó como ia quando eu estava a trabalhar. A casa não seria a mesma sem ela.
Outro detalhe que os diferençou foi que ele nunca quis adormecer ao colo. Chorava quando estava mais tempo ao colo do que o estritamente necessário – para comer, mudar de sítio ou de fralda.
Quando ele começou a andar nós descobrimos o que era não estar parados. E começou cedo a querer dar os primeiros passos, mais não fosse até perto das coisas que queria partir – na sua ânsia, claro, de descobrir do que eram feitos.
É uma criança alegre, bem-disposta e, acima de tudo, malandra. Muito malandra mesmo. Gosta de pregar partidas à irmã (para desespero dela… e nosso) e aos colegas da creche. Os brinquedos que recebe duram muito pouco tempo. Quero acreditar que é porque gosta de ver como funcionam…
Tem dias em que desespera qualquer um. Está sempre a tentar descobrir uma forma diferente de fazer asneiras. E o pior é que, normalmente, consegue.
Consegue aliar a vontade de fazer disparates à vontade de ser um adulto. Ou mais crescido. O que o leva a corrigir os comportamentos dos amigos da idade dele para aquilo que pensa ser correcto. Muitas vezes, e nos casos em que os conflitos não são criados por ele, tenta mediar de modo a resolver, sem intervenção dos adultos. Tal como a irmã prefere programas educativos a desenhos animados. Gosta de aprender, mas não tudo, apenas as coisas que lhe despertam atenção.
E é carinhoso. Muito carinhoso. Mas apenas e só quando assim o entende.
Apesar de nunca estar descansada quando estou com ele (ou mesmo quando não estou, porque nunca sei o que ele vai fazer a seguir), não trocaria este desassossego pelo descanso que seria ter apenas a Margarida. Eles completam-se. E completam-me.

É proibido

Foto de Matusciac Alex

É proibido chorar sem aprender,
Levantar-se um dia sem saber o que fazer
Ter medo de suas lembranças.

É proibido não rir dos problemas
Não lutar pelo que se quer,
Abandonar tudo por medo,

Não transformar sonhos em realidade.
É proibido não demonstrar amor
Fazer com que alguém pague por tuas dúvidas e mau humor.
É proibido deixar os amigos

Não tentar compreender o que viveram juntos
Chamá-los somente quando necessita deles.
É proibido não ser você mesmo diante das pessoas,
Fingir que elas não te importam,

Ser gentil só para que se lembrem de você,
Esquecer aqueles que gostam de você.
É proibido não fazer as coisas por si mesmo,
Não crer em Deus e fazer seu destino,

Ter medo da vida e de seus compromissos,
Não viver cada dia como se fosse um último suspiro.
É proibido sentir saudades de alguém sem se alegrar,

Esquecer seus olhos, seu sorriso, só porque seus caminhos se desencontraram,
Esquecer seu passado e pagá-lo com seu presente.
É proibido não tentar compreender as pessoas,
Pensar que as vidas deles valem mais que a sua,

Não saber que cada um tem seu caminho e sua sorte.
É proibido não criar sua história,
Deixar de dar graças a Deus por sua vida,

Não ter um momento para quem necessita de você,
Não compreender que o que a vida te dá, também te tira.
É proibido não buscar a felicidade,

Não viver sua vida com uma atitude positiva,
Não pensar que podemos ser melhores,
Não sentir que sem você este mundo não seria igual.

- Pablo Neruda -

Sinfonia carnal


Foto de Jiri Rasner
Com o poder da luz, no exagero das sensações eu te sinto... lento como a lua a se arrastar no céu, no meu corpo teu olhar caminha, preso ora aos meus suspiros, ora aos tremores quase imperceptíveis que me impulsionam à proximidade... sob o meu vestido nada senão um corpo arfante, em vulcânico calor, que tocas com vagarosas mãos, carregadas de torturas das quais desprendem notas que me chegam à boca como sumos helênicos que anseias provar, e me sugas então a alma... ah... eu perco a cor dos meus medos ao sentir-te o desejo lutando contra o tecido frágil, ao deixar se perderem meus seios na tua busca, na tua boca aflita... e murmuro teu nome, bêbada dos perfumes viris que aspiro dos teus cabelos... ah... tua barba por fazer me descobre cada canto, cada espera, cada ai que se sucede, enquanto livro-nos das tuas roupas como quem salva uma vida, em desespero... e grito que te quero, e minhas mãos te devoram na sutileza da descoberta e nossos olhos só vêem a volúpia em que se consomem, cegos de paixão e fome... ah... em meu ventre mil fogareiros acesos quando teus lábios me percorrem assim... úmidos, ousados, febris e eu não posso mais esperar... ouço, quase não ouço... teus gemidos perdidos nos meus, quando me afastas as coxas assim... e me tomas e tomo-te eu, e nos tomamos os dois, a princípio com ternura e prudência, para depois nos sabermos no frenesi rítmico do prazer sem nome, na sinfonia carnal que nos rege e eu sinto o abalar de tudo que existe quando o êxtase nos assalta em inconfundíveis espasmos e nos damos, enfim, à maior de todas as delícias...
Texto de Amora, uma grande amiga de além-mar. Com quem ainda hei-de ir comprar jóias.

Para ti Cleo

Foto de Arek Kotlewski

Ofereceram-me uma rosa
Numa viagem nocturna
Arrepiei-me sem querer
Na contra luz do tempo
De corpo sem alma
Louca e esquecida
De pés descalços…
Uma página ao calhas… do meu diário
Um fantasma preso na gaiola da vida
Momento insano
Sobre as recordações antigas
Estranho-me
E num impulso
Hoje escrevi-te um poema de amor...
E tu escreveste, sem lágrimas, o ponto final que faltava
Branco no preto
Um grito de silêncio
E, no canto do esquecimento
Fechei-me num castelo feito de ar
Mas eu sei que virás...
Porque nem sempre o silêncio basta.
Num tom azul que me escorre das mãos...
Neste mar me perdi... neste mar vos encontrei!
Embebedo-me de ti
No topo do meu mundo...
Vem...
Entre um poema e um desejo... há um beijo que espera
À tua espera!

No dia de aniversário da Cleo fiz-lhe este poema construído de títulos de textos dela.
Visitem o blog dela em http://impulsosdalma.blogspot.com/ e vejam os lindos textos que ela escreve

Meu desejo

Foto de Karim (Kim) Khamzin

Lançar-me ao mar sem medos, sem receios
Esse que invade, inunda, que consome.
E nesse abandonar perder o nome
Nos ventos, oceanos, devaneios.

Se quando me lançar em toda parte
O meu desejo vão, a minha sorte
Seja escrever num sopro, em qualquer arte
Que possa me guardar, eterna e forte

Recortes do meu ser na viração
No que restar de mim, qualquer canção
Levada pelo vento em maresia.

E diz de mim num verso e logo passa
Se tudo cai no tempo e sua devassa
que o amor guarde meu nome em poesia.

Isabor Navarro

A Sandra é uma das melhores poetisas que conheço. Uma pessoa que admiro e de quem não perco pitada do que escreve. Visitem o blog dela em http://asolidaodasmulherespoetas.blogspot.com/ e vejam lá se não tenho razão.
O soneto que hoje vos mostro dela foi seleccionado para uma antologia a ser publicada em breve.

Entre o perguntar e o agir

Foto de Vladimir Joska

Nos anos sessenta John Kennedy, penso que no discurso de tomada de posse como presidente, disse: "não perguntem o que a América pode fazer por vós, mas sim o que podem vocês fazer pela América".
Com pequenitas alterações, esta frase resume uma filosofia que devia ser a de vida para muitas pessoas. Senão para todas. Não perguntem o que os outros podem fazer por vós. Perguntem o que vocês podem fazer por vocês próprios, e pelos outros claro.
Por nós próprios, porque, quando temos algum problema é, de facto, mais fácil, perguntar aos amigos – o que podes fazer para me resolver este problema? Não pode haver atitude mais errada. Os amigos podem ajudar a encontrar soluções (e os verdadeiros amigos, aqueles que se importam, de certeza que as vão procurar sem que lhes peçam) mas não nos podem resolver os problemas. Isso é uma coisa que só nós podemos fazer. Só nós podemos decidir qual o caminho a seguir porque qualquer consequência do que façamos, será para nós. E depois não podemos, nem devemos querer, culpar os amigos por teremos feito aquilo que nos aconselharam (porque os amigos apenas aconselham, nada mais). Falar com os amigos, desabafar traz-nos, muitas vezes, outras formas de ver os problemas. Porque nos fazem perguntas que nós não nos lembramos de fazer antes, porque vêem os problemas doutra forma. Nada melhor que contar com um bom amigo para nos ajudar. Não para solucionar.
Ed. Howe disse "quando o teu amigo atravessar alguma aflição, não o aborreças perguntando-lhe o que podes fazer por ele. Pensa em algo apropriado e fá-lo". Ou seja, o que nós podemos fazer pelos outros. Se desabafam connosco, se nos contam o que se passa, devemos ser ouvintes atentos, tentar ver o outro lado, às vezes fazer o papel de advogado do diabo e defender teses contrárias àquelas em que acreditamos, apenas e só para ajudar a encontrar uma solução (que terá, deverá e só poderá ser aquela que o próprio quiser). Se não sabemos o que se passa, se apenas sabemos, por qualquer razão, que se passa alguma coisa, então a melhor solução é apoiar, fazendo com que o nosso amigo saiba que pode contar connosco quando quiser. Porque a amizade reside nisto. Saber dar e saber receber. Sem exigências. Sem excessos. Sem agradecimentos. Porque a amizade sente-se, não se agradece.

Sinais do Silêncio


"Sinais do Silêncio" está quase a nascer! A sua apresentação será feita no dia 7 de Junho, pelas 16 horas, no Diana Bar – Av. dos Banhos, Praia da Póvoa de Varzim. Será um privilégio ter a vossa companhia nesse dia. A apresentação do Livro será feita pela poetisa Conceição Bernardino, e o prefácio da autoria de Alice Santos. Aqui fica um excerto desse mesmo prefácio:

"No segundo livro de Rosa Maria encontramos uma mulher muito mais liberta, onde a escrita e a paixão andam de mãos dadas, inseparáveis, qual par de amantes.

Surge uma Rosa que resolveu desabrochar e nos mostra a alma desnudada, sem pudor ou preconceito, sem receios, medos, falsos moralismos. Uma mulher mais atrevida nas palavras, com diálogos interditos, e, por isso, mais despida de si e vestida de candura, sedução e desejos.

A sua essência consegue conquistar o impossível pois, quem ler estes versos vai ser protagonista do encontro mágico entre o ser e o sentir.

A poesia entranha-se de mansinho na alma do leitor, entreabrindo a porta da imaginação e deixando-o transformar-se em tudo o que sempre sonhou e nunca ousou concretizar."

Espero por si.

Rosa Maria Anselmo


É um livro que recomendo. E um lançamento a não perder, sem dúvida.

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