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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Sinfonia carnal


Foto de Jiri Rasner
Com o poder da luz, no exagero das sensações eu te sinto... lento como a lua a se arrastar no céu, no meu corpo teu olhar caminha, preso ora aos meus suspiros, ora aos tremores quase imperceptíveis que me impulsionam à proximidade... sob o meu vestido nada senão um corpo arfante, em vulcânico calor, que tocas com vagarosas mãos, carregadas de torturas das quais desprendem notas que me chegam à boca como sumos helênicos que anseias provar, e me sugas então a alma... ah... eu perco a cor dos meus medos ao sentir-te o desejo lutando contra o tecido frágil, ao deixar se perderem meus seios na tua busca, na tua boca aflita... e murmuro teu nome, bêbada dos perfumes viris que aspiro dos teus cabelos... ah... tua barba por fazer me descobre cada canto, cada espera, cada ai que se sucede, enquanto livro-nos das tuas roupas como quem salva uma vida, em desespero... e grito que te quero, e minhas mãos te devoram na sutileza da descoberta e nossos olhos só vêem a volúpia em que se consomem, cegos de paixão e fome... ah... em meu ventre mil fogareiros acesos quando teus lábios me percorrem assim... úmidos, ousados, febris e eu não posso mais esperar... ouço, quase não ouço... teus gemidos perdidos nos meus, quando me afastas as coxas assim... e me tomas e tomo-te eu, e nos tomamos os dois, a princípio com ternura e prudência, para depois nos sabermos no frenesi rítmico do prazer sem nome, na sinfonia carnal que nos rege e eu sinto o abalar de tudo que existe quando o êxtase nos assalta em inconfundíveis espasmos e nos damos, enfim, à maior de todas as delícias...
Texto de Amora, uma grande amiga de além-mar. Com quem ainda hei-de ir comprar jóias.