Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Contos água e areia



Quando José Torres se levantou para escrever notou que havia sol naquele dia. Hesitou um breve momento, mas ligeiro se soltou de braço em braço, de mão em mão, estendido nos raios.
Aproximou-se do jardim da casa com a sensação de que há muito não o visitava. As ervas tinham crescido até um ponto quase impossível de crescimento. Dobradas sobre si, formavam novelos.
As árvores tinham inclinado o tronco para a frente da planície suplicando por sol, e os frutos mirrados caíam de podres no chão improvável da terra.
Pensou por um só instante que a sua viagem em veleiro solto de escrita, tinha sido afinal feita entre quatro paredes, e que o mar enrolava agora no seu jardim.
Marujo de barba solta e alma dorida, embrenhou-se no jardim que começava nos seus dedos.
Sentou-se, dobrado sobre si mesmo como âncora.
E decidiu escrever.
E escreveu... escreveu... um romance, um conto, um poema. Não importava o género, o que importava era escrever. As térmitas continuavam a roer-lhe os dedos. Não conseguia parar. Com alguma raiva, porque a escrita às vezes também tem ataques de raiva, fez um dueto com o cão, aquele que iria vender se a crise se acentuasse. E de tanto escrever com a alma, meteu-se com a prosa, deixou de aparecer à poesia, mas não sem antes sustentar-se num poema. Deitou-se com elas. Mas a insónia apareceu e então, regressou à escrita, para pegar num novo estilo que já se tinha anunciado num último voo. Contos. Contos que se ligavam por um fio de água num tempo de areia. Quatro histórias ligadas pela água que o marcavam, de que se orgulhava. Uma delas, “o Rapaz que escrevia poemas de amor” era quase a sua biografia. Na sua ansiedade de os partilhar com os seus leitores assíduos pensou em editá-los em livro. Chamou-lhes “Contos de água e areia”. Contagiou rapidamente o seu irmão, Silva Torres que, com muita paciência e respeito pelo irmão mais velho (senão tinha-o mandado dar uma volta), ilustrou o livro e desenhou a capa. Já ao Flávio (o Silver) pediu-lhe o prefácio. E o livro ficou perfeito. Não por si, mas pelos seus leitores a quem respeita e para quem tem sempre uma palavra atenta.
No dia 2 de Julho às 21h30, na Feira do Livro em Barcelos, com a apresentação do escritor, Branco de Matos será o lançamento deste livro. Estão todos convidados a estar presentes. Na mesma ocasião será também lançado o livro do Flávio Silver, chamado Sétimo Vão. Tenho a certeza que é um livro a ter em casa e a ler, porque o Flávio é um excelente autor de quem também sou fã.
Quem não possa estar presente mas queira adquirir o livro poderá contactar o José Torres através do mail joseilidiotorres@sapo.pt ou pelo blogue http://www.o-ente-do-ser.blogspot.com/

Este texto é feito de plágio. Declarado, assumido e autorizado - são retalhos de diversos textos e comentários deste autor fabuloso que é o José Torres