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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Em Sesimbra

Foto tirada ontem, pela minha filha

Estou de férias. Em Sesimbra. Quase todos os anos, e desde que me lembro, que as minhas férias são passadas nesta maravilhosa terra de pescadores.
Existem diversas lendas relacionadas com a origem de Sesimbra. Uma delas diz que a vila foi fundada por Zimbra, um pescador que fugiu, com a noiva, a um tirano que exigia dormir com as donzelas na noite anterior ao casamento. Junto com eles, fugiram diversos casais a quem, sempre que se perguntava alguma coisa, respondiam “Se Zimbra quiser...”. Donde terá nascido o nome de Sesimbra.
São muitas as lendas relacionadas, quer com Sesimbra, quer com o castelo (onde, ao que parece, viviam umas mouras lindíssimas e extremamente cruéis).
Independentemente das razões da sua fundação, Sesimbra é uma vila piscatória, que tem crescido lentamente ao longo dos séculos. O crescimento estará sempre limitado pela serra, uma vez que Sesimbra está situada numa baia protegida e escondida pela Serra da Arrábida.
A praia de Sesimbra, apesar das suas águas geladas, é bastante procurada pelos veraneantes. O problema é que a praia tem diminuído de tamanho, na inversa razão da procura dos veraneantes. Pensam que estou a exagerar? Infelizmente não.
Ontem, quando saímos para dar um passeio, a seguir ao almoço, fomos até à muralha que separa a praia da vila. E, qual não foi o nosso espanto quando reparamos que o mar tinha tomado, quase de assalto, toda a praia. Em muitas zonas não havia areal, apenas mar. Quem queria estar ao sol, estava na muralha. Ou nas esplanadas da avenida da praia. Quem queria estar a banhos podia estar em qualquer sítio da praia. Afinal, o mar também estava em todos os sítios da praia.
Esta situação é perfeitamente normal... no Inverno. Ou em Setembro, quando são as marés vivas. Nunca em Julho.
Todos os anos se vai buscar areia ao mar para compor a praia. Para a aumentar de modo a permitir que os banhistas tenham espaço para estar ao sol. Só que a subida do nível do mar e as alterações climatéricas fizeram com que, este ano, esse esforço fosse inglório. O que me leva a pensar que, um dia, não muito distante, também a praia de Sesimbra fará parte das lendas.
E, se assim for... se a praia de Sesimbra desaparecer, com certeza que o mesmo vai acontecer, mais tarde ou mais cedo, a outras praias portuguesas. Portuguesas e não só.
Com o tempo é muito provável que nasçam várias lendas... e que irão começar com “dizem os antigos que havia aqui um areal onde as pessoas podiam estender as suas toalhas e tomar banhos de sol...”