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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Anjo

Foto de Paula Grenside


Chamaram-me de anjo. Sabe-se lá porquê, talvez por ter dado alguns esclarecimentos a quem tinha algumas dúvidas. Ou talvez por ter estado disponível para ouvir. Não interessa a razão pela qual me chamaram. Interessa que eu não quero ser anjo.
Dizem que anjo não tem sexo. E eu tenho. Sou mulher, gosto de ser mulher!
Dizem que os anjos cantam e tocam harpa. Eu também canto. Mas parece que os anjos cantam bem e eu tenho uma boa voz... mas para escrever à máquina. Quando canto no duche quase consigo ver as gotas de água a fugir assustadas. Quanto ao tocar harpa, temo que seja outro problema insolúvel. Eu não consigo distinguir um Mi dum Dó. Clave, para mim, é uma amiga que usa esse Nick na internet.
Nas imagens os anjos vestem-se com longos vestidos brancos. São magros. Tem o IMC (índice massa corporal) certo. Eu posso vestir vestidos brancos, mas se há coisa que não bate certo é o IMC. Sou mais carne que osso e de magra só mesmo nos dedos (e nem todos).
Diz a Wikipédia que os anjos emanam luz e que tem uma beleza delicada. Pois. Não estou ligada a nenhum candeeiro para dar luz (mas já dei à luz. Será que serve?) e quanto à beleza é perfeitamente discutível. A beleza está nos olhos de quem vê. Também não me considero feia, mas dai a dizer que tenho uma beleza delicada vai uma grande distância.
A Wikipédia acrescenta ainda que são virtuosos e inocentes. Ora aqui estão duas coisas que eu não sou, definitivamente.
Mais importante ainda. Os anjos usam auréola e asas. Ora eu não tenho nem uma coisa nem outra. E parece-me que deve doer bastante o processo de as atarraxarem às minhas costas (as asas) e ao pescoço (o suporte da auréola).
Resumindo e concluindo... não sou anjo algum. Sou apenas eu. E assim quero continuar, mesmo que me voltem a chamar anjo.