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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Aprendi

Foto de Mathew Cook

É curioso. Passamos a vida a dizer que as crianças devem aprender com os adultos, mas não nos lembramos que também nós deveríamos aprender com elas.
Aconteceu-me, pelo menos por duas vezes, aprender com os meus filhos duas lições que, se calhar, eu, como mãe, adulta e que se considera responsável, já devia saber.
Primeiro foi com a minha filha. Um dia que o irmão estava mais irrequieto e que a magoou, ela zangou-se com ele. E ele, claro, pediu-lhe desculpa. Ela, do alto dos seus 5 anos, disse-lhe “as desculpas não se pedem, evitam-se”. E eu, que ia intervir, calei-me e, enquanto esperava pela reacção do visado, pensei com os meus botões – ora ai está. Porque não pensamos nós, adultos, nisto? Quantas vezes fazemos coisas que sabemos que estão erradas e depois tentamos, com um pedido de desculpas, que tudo fique sanado. Grande erro. Primeiro porque, lá está, as desculpas evitam-se. E depois porque, mesmo depois de pedidas as desculpas, as atitudes ficam. E já magoaram alguém. Que poderá perdoar mas dificilmente esquecerá. Sempre tentei pautar a minha vida por este princípio. Não fazer aos outros o que não gostava que me fizessem a mim. Agora, com a minha filha, aprendi a acrescentar que devo evitar ter de pedir desculpa.
O meu filho deu-me uma lição. Daquelas que eu tive de engolir em seco. É simples. Os meus filhos raramente jogam com a Playstation. Preferem brincar juntos. Mas apeteceu-lhe jogar. Só que a consola está, habitualmente, desligada. Só o pai a sabe ligar. Como o pai estava a dormir ele pediu-me que fosse eu a ligar. Eu respondi – não sei fazer. Tens de esperar pelo pai. E o meu filho, cheio de razão, disse-me: mãe, se não tentares não sabes. Fiquei sem palavras, sem reacção. Aliás, reagi sim, peguei nos cabos e fui tentar. Ora, porque não é sempre assim? Porque não tentamos sempre? Mais uma lição aprendida e que passará a fazer parte dos meus princípios. Creio que nunca mais terei coragem de dizer que não sei, sem tentar primeiro.