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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Solidão é uma ilha com saudade de barcos

Foto de Andris Eglītis

Solidão. Ai está um sentimento que se pode contradizer a ele próprio. Podemos sentir-nos sós no meio de uma multidão, ou acompanhados estando sozinhos. Depende apenas de nós, da nossa forma de ser e de estar… mas também da forma como lidamos com as diversas situações. Depende, por isso, muito mais de nós do que de quem nos rodeia.
Sinto-me só. Uma queixa ouvida vezes sem conta. Ao que eu respondo – que fizeste para te sentires mais acompanhado? A tua ilha terá espaço para os barcos atracarem? Ou será que te afastaste, ao longo da vida, de tudo e todos e agora, que queres companhia, ninguém te quer acompanhar? Esforças-te para estar com os outros, ou esperas apenas que sejam os outros a quer estar contigo, sem que lhes dês nada em troca?
Eu? Eu gosto de estar acompanhada. Sempre. Com a família ou com os amigos. Sou uma ilha com muitos portos, com barcos sempre a chegar e a partir. Não os obrigo a ficar, nem a partir. Ficam enquanto querem. Partem quando chega a hora de partirem, na certeza, porém, que podem voltar sempre que queiram.
Gosto também dos meus momentos de solidão. De não ter ninguém por perto. Só eu e os meus botões. Sem pensar em nada de especial, apenas e só no bom que é estar só.
Claro que muitas vezes a solidão pode ser provocada por circunstâncias menos boas. Basta ver a solidão a que os velhotes são obrigados por familiares sem escrúpulos que os deixam abandonados num qualquer lar, muitas vezes sem condições. Ou os doentes abandonados pelas famílias nos hospitais. Mas sabem, muitas vezes, esses mesmos doentes ou esses velhotes, tomaram atitudes que levaram a que as famílias não queiram saber deles. Mas isso daria outra crónica…

Notas
* O título desta crónica é da autoria de Adriana Falcão. Estou a tentar responder a um desafio da Amora, que me deu algumas frases desta autora para eu analisar. Esta é a primeira.
* Para que não haja dúvidas ou más interpretações, creiam que uso o termo “velhotes” com o máximo carinho. É assim que trato a minha avó, a minha mãe, o meu pai e os meus tios. Trato-os por velhotes com todo o carinho que eles merecem.