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StoneArt Portugal

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Eu e os meus livros. Sejam bem vindos a esta minha casa.

StoneArt Portugal

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Eu e os meus livros. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Serenamente


Foto tirada no Gerês, por mim

Na carreira de tiro,
Em tapete verde alcatifado
Vereda a cair
Nas varandas do Gerês,
Serra que escorrega,
Desfalece na corrente do Homem
Rio, que rasga granito
Impetuoso e vibrante.
Colhi uma flor
Que arranquei pela raiz
Flor de campo,
Bravia e cheirosa
Que a rola branca
Debicou.
Alva pena me deixou
Em troca da flor
Que me levou.
E como é linda e macia!
Nem se devia chamar pena
Se pena se chama
Às mágoas da alma.
Vai rola branca
Entrega a minha flor ao vento…
José Alberto Valente

Uma mulher vestida de aurora boreal

Foto de Andrei Safronov


Eis que surge sobre as brumas do inverno
Uma Deusa acompanhada por Júpiter
Que foi um filho salvo por uma pedra
Protegida por um leão correndo pela terra
E uma águia observando-a pelo infinito céu
Vestida pela luz que emana da Aurora Boreal
Trazendo na essência a temperança
Com sua Arte mais preciosa e alquímica
Enfeitada nos cabelos por ramos de alecrins
Coroada por uma coroa de marfim
Simbolizando o encontro do Sol e da Lua
Como no sonho de uma Pedra Filosofal
Descansando diante de um ribeiro manso
Seus olhos provam a visão do fogo
E tudo o que toca com o olhar, vira ouro
Na sua mão esquerda segura a copa de prata
Da Rainha sábia do mundo cabalístico
Na sua mão direita segura uma lança
Do Rei Salomão, sob a forma de uma tocha acesa
Iluminando sua visão diante das sombras
Do seu pescoço desce um fio de ouro
Com o símbolo do Yin e Yang do Tao
Alimentando a simbiose da sua alma universal
Levando sua mensagem pela Rosa dos Ventos
Quando surge o arco-íris no Oriente e Ocidente
Seus pés caminham sobre a superfície lunar
Pelos caminhos das provas mais difíceis
Por onde o coração, a mente e a alma passam
Transformando-a numa Deusa Mãe
De todos aqueles que ainda possuem
Um coração de criança pulsando em si
À sonhar por toda existência da eternidade




Este poema foi feito pela minha querida aluna Helen de Rose, que o dedicou a mim.
Aprendi, com este poema, a lenda de Júpiter que ainda hei-de trazer a este blog. Obrigado Helen pelo teu carinho
.

Injustiça

Foto de Liva Rutmane

Deixa-me. Quero gritar
libertar os meus ecos
dessa injustiça que não sentes
quero. Mesmo que não saibas.

O mundo não parou
na lágrima que derramei
só a minha emoção se despiu
despindo toda a injustiça.

Sabes ver o meu sorriso?
Afinal, a injustiça, ficou aprisionada.

Este poema foi-me dedicado pelo meu amigo Paulo Afonso Ramos numa época conturbada. Felizmente resolveu-se tudo a contento e ele foi, sem dúvida alguma, um dos meus alicerces.

A outra face do Natal

Foto de Gundega Dege

Ceia de Natal, Confraternização. Troca de presentes. Festa de Ano Novo. Brinde. Beijos e abraços. Repleto de ritos sociais, o encerramento do ano é uma época que reforça o sentimento de solidão em muitos de nós. Até mesmo quem gosta de viver só durante o ano inteiro está sujeito a ser invadido por um desconforto inesperado ao perceber que não sabe com quem partilhar o peru de dia 24 ou o champanhe de dia 31. O golpe de solidão que chega com a última página do calendário não é exclusivo de quem está, literalmente, sozinho durante as datas festivas. Há aqueles que, no meio de ruidosos encontros familiares ou empresariais, mal conseguem disfarçar o mal-estar e a sensação de inadequação.
O Natal é um período consensualmente considerado de alegria e esperanças optimistas. Por norma é assim mas, para muitas pessoas, pode ser uma época muito triste e fazer-se acompanhar por sentimentos de solidão, desamparo e desânimo. A alegria, imposta pela sociedade, torna-se desconfortável para quem não consegue pôr de lado a angústia. O desgaste provocado pelo esforço em contemplar tudo e agradar a todos faz disparar os níveis de ansiedade numa escalada ascendente assim que surgem as primeiras propagandas de Natal e Ano Novo.
A "tristeza do Natal" é comum durante o frenesim de Dezembro ao fazermos balanços e projectos. Aquela que para muitos de nós é a época mais feliz do ano, para outros é precisamente o contrário. O Natal e os encontros de família podem transformar--se em momentos tristes e difíceis de suportar, especialmente se a pessoa já está deprimida. Paralelamente, nos meios de comunicação social é vendida urna mensagem que difere da realidade que a maioria das pessoas vive e sente, sobretudo num período de crise económica, desemprego, violência e incertezas em relação ao futuro. Não é raro ouvirmos comentários negativos em relação aos preparativos do Natal, traduzidas pelas célebres frases "Detesto o Natal" ou "Odeio quadras festivas".
Muitas vezes, o sentimento de desamparo e desânimo é provocado por datas que nos trazem lembranças tristes, seja por perdas, como a de entes queridos, separações, desemprego ou doenças. Todos esses factos provocam o que podemos chamar de tristeza natural. Entristecer não é deprimir. É a consciencialização da situação ou condição que não aquela que gostaríamos que fosse, independentemente de ser ou não fantasiosa. Afinal, todo o ser humano tem momentos de tristeza, faz parte da vida.
Mas, na generalidade, a "tristeza do Natal" é sazonal, de duração breve, decorre durante alguns dias ou semanas e, em muitos casos, termina quando as férias acabam e quando se retorna à rotina quotidiana. O mais importante é permitir a si próprio estar triste ou saudoso. Esses são os sentimentos normais, particularmente na época do Natal.
Porém, mesmo para quem é difícil contornar esta quadra, é importante tomar consciência de que esse sentimento é mais comum do que se imagina e de que há formas de superar a tristeza e angústia, e readquirir, pelo menos em parte, o espírito natalício. Deixar de lado projectos "extraordinários", propor-se objectivos realísticos, organizar o próprio tempo, elaborar listas de prioridades, fazer um plano e segui-lo, exercitar o pensamento positivo, são truques ao alcance de qualquer um.
Enfim, o segredo reside na capacidade de sair da ritualidade muito "litúrgica" das festas e procurar inventar novas maneiras de celebrar o Natal e o Ano Novo.
E porque não?… Ser solidário e desejar a paz ao resto do mundo!

Cláudia Fernandes

Clamor ao amor

Foto de Lutz Honermann

Toca o vento,
Vivaldi à minha alma vibrante,
Canta a chuva,
os meus poemas de paixão,
Do meu espírito,
A torrente amorosa, o coração,
Mais alto,
que o voo de uma águia, distante!...

No meu sangue,
correm meus sonhos dispersos,
Pulsar agonizado,
do meu coração ardente!...
Num clamor de loucura,
soltam-se os versos...
Quando eu sonho,
o amor do Zeus divinamente...

Batida em fúria,
por muitos vendavais,
Mãos cheias de amores,
Rosas e beijos florais...
Quem foi que me deu,
este poder de tanto te amar?
Se depois não me deu,
braços para te alcançar?

(Luisa Raposo)

À Pedra Filosofal

Foto de Konrad Jacek Jedrzejczak

Pedra nobre, bela, pura,
Em teus olhos encontrei amizade
Da mais verdadeira que existe.
Rara pedra, de tão pura,
Amiga do meu coração!

Força e beleza engrandecem,
Iluminam o teu ser,
Luz de encanto, grande estrela
Orgulho-me de te conhecer!
Sem ti éramos mais pobres
O dia não teria tanto encanto,
Faltaria cá o Sol.
Amigas como tu são raras,
Levar-te-ei sempre no coração!

A ti Pedrinha! Porque mereces por seres quem és e como és!

Por diversas ocasiões fui brindada com poemas e/ou cartas de amigos(as). Mimos que me deixaram sem palavras. Resolvi partilhar com todos esses mimos. São verdadeiras pérolas, que merecem, sem dúvida, destaque, não por me serem dedicados mas porque os autores e autoras que os escreveram tem bastante qualidade.
O primeiro só podia ser este, escrito pela Vera Silva e que podem ler no seu ambiente natural em
http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=51043
Vera, obrigado por este mimo, tem especial significado para mim dado a altura em que o fizeste. Foi o principio do fim duma história surrealista em que estive envolvida e que, com a tua ajuda, consegui superar da melhor maneira

Antologia Luso-poemas


A edium editores, tendo editado durante este ano diversos Luso-Poetas, tem agora o prazer de anunciar a publicação da Antologia Luso-Poemas 2008 em associação com o fórum Luso-Poetas. A edição segue o modelo da colecção versoREverso da edium editores embora, neste caso, sirva apenas para separar as diferentes contribuições dos Luso-Poetas, ora em poesia ora em prosa. Este ano a antologia conta com a participação dos seguintes autores: Alemtagus, Betha M Costa, Carla Costeira, Carlos Carpinteiro, Carlos Said, Carolina, Cleo, Conceição B, Daniela Pereira, Expanta, Flávio Silver, Fly - Marta, freudnaomorreu, Gilberto, Godi, Goretidias, Henrique Pedro, João Filipe Ferreira, João Videira Santos, José Torres, Júlio Saraiva, Karla Bardanza, Le Tab, Ledalge, Luís Ferreira, Margarete, Maria Sousa, Mel de Carvalho, Noite, Paulo Afonso Ramos, Pedra Filosofal, Rosa Maria Anselmo, Sandra Fonseca, Tália, TrabisdeMenta, Tytta, Valdevinoxis, Vera Carvalho e Vera Silva. A apresentação da antologia decorrerá durante o III Encontro Luso-Poemas a decorrer em Lisboa, no próximo dia 13 de Dezembro.
Para mais informações visite o sítio Luso-Poemas em http://www.luso-poemas.net/
Informações adicionais
Dia: 13 Dezembro 2008 às 15h
Local: Campo Grande, nº 56 em Lisboa
Como chegar:
Autocarros – 36, 21, 45, 38
Metro/Comboio – Estação de Entrecampos
Mapa
http://codigopostal.ciberforma.pt//codigo_postal.asp?n=109684

Luso do mês - Dezembro 2008

Introdução

Magda... conhecem? E a Pedra Filosofal? Naturalmente, todos conhecem.
Pois é, é este o derradeiro destaque do Luso (pelo menos no formato actual). Não há distinção mais merecida nem pessoa mais merecedora do que esta, que é colaboradora, foi moderadora e administradora e é, sem qualquer dúvida a pessoa mais presente do Site. Empenhada, sem gostar de deixar as coisas penduradas, foi durantes largos
períodos o peso e contra-peso do funcionamento do Luso-Poemas.

Dedicou-se e continua a dedicar-se a este espaço, com empenhamento raro, com uma militância tal que nos transforma, facilmente, em culpados de fazer pouco.
Não se trata de um elogio, trata-se sim de uma constatação: a Pedra Magda Filosofal é magna, é, sem ponta de dúvida, uma pessoa ímpar e de excepção.
Na noite da entrevista pescámos o Freud que andava a nadar por ali e transformá-mo-lo no convidado surpresa para entrevistar a nossa ilustre. O rapaz juntou-se aos “perguntadores”, improvisou e o artigo resultou no que vão ler em seguida, logo depois da pequena autobiografia da Pedra.

Biografia

Magda Pais nasceu a 26 de Novembro de 1969, na Maternidade Laura Seixas, na cidade do Barreiro, onde sempre viveu.
Casada com Miguel, tem dois filhos preciosos: Margarida e Martim, que completam o elo familiar daquela casa, dando o belíssimo exemplo da verdadeira família feliz.
Quase que, desde o berço que foi acompanhada pela presença dos livros, uma vez que os seus pais lhe queriam incentivar o gosto pela leitura. Logo que aprendeu a ler, tornou-se uma leitora quase compulsiva, e, depressa impôs aos seus pais e tios, que as suas prendas, nas épocas festivas, fossem livros, que devorava.
Já na escola, e antecipando-se ao Plano Nacional de Leitura, os professores que a acompanharam souberam aproveitar esse gosto e até incrementá-lo, de tal modo que continua a ser uma fã incondicional da leitura, o que a torna numa cliente assídua de livrarias, e que facilita a escolha de prendas.
Hoje, Magda está empenhada em passar essa herança aos seus filhos. Possui uma casa recheada de bons livros, que abrangem várias linhas editorais e de diversos autores.
A sua vida profissional é preenchida pela banca, onde tem o privilégio de, entre outras coisas, atender ao público, experiência que, pela sua diversidade, lhe dá uma grande vivência social e que considera uma mais-valia.
A Internet também está associada a sua vida. Quer pela curiosidade de aprender ou pelo simples gosto em ler, andou por sites até que, um dia, descobriu um que viria a ter grande relevância para si. www.luso-poemas.net
Neste site acumulou leituras de poesias e prosas, numa dita escrita criativa abrangente e ao jeito de toda gente. Algures, no mês de Novembro de 2007, deu, nesse site, timidamente, os seus primeiros passos na escrita com pequenos contos e boas crónicas.
Desempenhou, no luso-poemas, a função de moderadora com entusiasmo sendo, pouco tempo depois, convidada para pertencer à administração em vigor no site, num prémio justo pelo empenho, dedicação e esforço demonstrado em prol da literatura e daquele site em especial.
Mais tarde participou na colectânea “A arte pela escrita”, editada pela ArtEscrita, comemorativa do 1º aniversário do site www.escritartes.com, que também frequenta com assiduidade.
É na sua casa cultural do mundo da blogosfera que divulga excelentes autores e que escreve, tornado assim num local especial, acolhedor e numa referência para visitar, ou não fosse aquele o seu próprio espaço feito de palavras que se misturam com o carinho da autora. O seu blogue chama-se StoneArtPortugal – Pedra Filosofal, nome ou nick-name como é conhecida no mundo virtual da literatura e pode ser visitada em http://stoneartportugal.blogspot.com/
Abraça novos projectos na escrita, quer como autora ou como dinamizadora de eventos e, no corrente mês de Dezembro, irá participar na “Antologia Luso-poemas 2008”, que conta com a chancela da Edium Editores.

Entrevista

Paulo Afonso Ramos – Pedra Filosofal, qual é balanço que fazes da permanência no Luso-poemas?
Pedra Filosofal – O balanço é francamente positivo. Nem eu fazia ideia alguma que tinha encontrado um site que ia mudar quase que radicalmente a minha vida. Senão vejamos. Quando me inscrevi no luso não escrevia. Aliás, escrevia. Cartas comerciais, actas e essas coisas ditas normais. Um ano depois já publiquei uns quantos textos (maioritariamente crónicas). "Culpa" de alguns utilizadores do lusos, claro, que me foram incentivando. Logo ai se nota uma mudança. Depois encontrei, no luso, pessoas que se tornaram parte indispensável dos meus dias. Amigos que, quando me lembro que os conheço só há um ano (alguns menos) penso que devo estar a ver mal o calendário. Por outro lado e dado que tenho cada vez menos tempo para me entregar aos prazeres da leitura, tenho, no lusos, a possibilidade de ir fazendo o "gostinho ao dedo" e ir lendo. Claro que houve (e há) coisas menos agradáveis, mas essas, sinceramente, são uma gota de água no oceano. Completamente insignificantes. Mas com a vantagem de servirem para apreciar, ainda mais, os bons momentos que tenho passado com o site.

Valdevinoxis – Já voltamos ao Luso, Magda. Para já gostaria que nos dissesses: porquê Pedra Filosofal?
Pedra Filosofal – Porque o sonho comanda a vida, certo? Quando me inscrevi no luso-poemas era necessário encontrar um nick. Usava (e uso) na internet, há quase 12 anos, o nick Lea. Mas não o queria usar no luso-poemas. O poema "Pedra Filosofal", de António Gedeão, é um dos poucos que sei de cor. E a frase "O Sonho comanda a vida" é quase que a minha filosofia de vida. Quem me ajudou a escolher o nome, o Luís F, sabia disso. E, quando eu andava na dúvida que nick haveria de escolher, ele deu-me várias sugestões, entre elas "Pedra Filosofal". Soou-me bem. Não pedi mais sugestões e meti as minhas ideias de parte. Registei-me logo com esse nick.

Vera Silva – Participaste nos dois encontros do Luso-Poemas. Agora que se prepara o terceiro, que balanço fazes destes encontros de poetas, e qual a motivação que queres passar a todos para que participem mais activamente nestes encontros?
Pedra Filosofal – Oras... mas há lá coisa melhor, para quem frequenta o luso-poemas, do que participar nos encontros? São excelentes oportunidades para se conhecer quem está por detrás dos avatares e da escrita. Excelentes oportunidades para se desfazerem más impressões dos outros utilizadores. Uma das coisas que o luso-poemas tem, para mim, é que é um site feito de pessoas e para pessoas e, acima de tudo, com pessoas. Somos pessoas de carne e osso (algumas mais carne que osso, como é o meu caso) e que, como tal, devem deixar o virtual de parte e participar nestes encontros. Pelas fotos que temos mostrado podem ver o quanto nos divertimos. Recomendo, vivamente, a participação em todos os encontros que haja (e que a distância permita, claro).

Freudnãomorreu – Entre o clássico "já peca por tardio" e o insípido "não estava nada à espera"... Optas pela massificação do luso via hi5 literário ou sugeres uma forma mais dietética?
Pedra Filosofal – Eu prefiro um luso mais dietético. Já existe um HI5 do luso-poemas, na sua própria atmosfera - o site do HI5. O luso-poemas deve ser um site de escrita e de partilha da escrita. Claro que é impossível que não haja relacionamentos a nascer no site, mas que não têm de se reflectir no seu normal funcionamento. O facto de partilharmos o mesmo espaço é simples. Somos apenas colegas de escrita, num site. Nada mais que isso. Faz-me alguma confusão (e, se calhar, vou ser mal interpretada) a utilização da palavra "amigo" no nosso perfil. Pela mesma razão que me faz confusão, no site do HI5, constar que sou "amiga" de sei lá quantas pessoas com as quais nunca troquei uma palavra. As amizades podem nascer no lusos (e eu confirmo que sim), mas as amizades constroem-se e florescem no convívio do dia-a-dia e não porque estamos no perfil de alguém como amigo. Já quanto ao "peca por tardio"... Essa expressão tem sido muito usada aquando das entrevistas do luso do mês. De facto é verdade. Todas têm pecado por tardias. Mas também é verdade que só há 12 meses no ano, e umas dezenas de utilizadores que merecem esta distinção... não é, portanto, possível, que sejam todas no tempo certo.

Paulo Afonso Ramos - Fala-nos de ti, da parte onde o Luso-poemas não entra. Consegues ter essa parte e consegues contar-nos?
Pedra Filosofal – Hoje em dia o luso-poemas está em quase toda a parte da minha vida. Até os meus filhos já vão lendo algumas coisas do site. Mas tenho uma vida para lá do lusos. Uma vida profissional bastante preenchida. Adoro o meu trabalho no banco, há 17 anos que tenho um ambiente de trabalho fabuloso, gosto muito do que faço e adoro atender ao público. Detesto monotonia e, com o atendimento ao público, nunca se sabe o que vai acontecer a seguir.
Sou secretária num agrupamento de escuteiros, onde comecei a minha vida escutista há 25 anos atrás e para onde voltei há 4 anos atrás.
Tenho uma família enorme. Pais, sogra, avó, tios e tias, irmãs e um irmão, cunhados, sobrinhos e sobrinhas e, claro, marido e dois filhos (lá por estarem em último não quer dizer que não sejam os mais importantes). Somos uma família muito unida e que estamos sempre presentes em qualquer ocasião.
E depois os amigos, que são uma parte super importante de mim. Alguns mais antigos, outros mais recentes, todos importantes e todos com o seu lugar cativo.

Valdevinoxis – Aludindo a uma recente patacoada muito empolada no parque político português e adaptando-a ao Luso, não seria útil suspender a forma livre do site durante algum tempo? Por outras palavras, não será a grande abertura do Luso uma vertente quase anárquica e potenciadora de abusos? Pergunto ainda se não te parece que o Luso está a ser mal utilizado por alguns e que, como administradores, não fomos efectivos nesse ponto?
Pedra Filosofal – Sem dúvida que sim. Sempre achei que devia haver mais "mão firme" no lusos. Não uma ASAE da escrita, como alguns já defenderam. Mas sim uma espécie de policia, que impedisse que existissem abusos. Irrita-me solenemente que alguns utilizadores provoquem outros, sem respeito pelo facto de estar um ser humano do lado de lá do escritor. Há muita gente no luso-poemas que está a querer auto promover-se e, nem sempre, da melhor forma. Não tenho nada a obstar à auto promoção, desde que feita com respeito pelos outros. É claro que também há uma liberdade de expressão no lusos que não há noutros sites.
Dizia Voltaire que "posso não concordar com o que dizes, mas defenderei, até à morte, o teu direito de o dizeres". E, no lusos, há essa liberdade. Mas a liberdade de uns não pode contrariar a liberdade dos outros. E é isso que se tem passado no lusos. Tem havido abusos e que deveriam, de alguma forma, ser controlados. Caso contrário perde-se a identidade do site. E sim, a administração cessante teve algumas culpas nesse aspecto. Fomos demasiado permissivos.
Houve vários casos de faltas de respeito a utilizadores a que fizemos ouvidos moucos, porque não queríamos ferir susceptibilidades. Não quisemos ser polícias nem quisemos assegurar o cumprimento das normas estabelecidas. Se o tivéssemos feito, se calhar teríamos evitado algumas polémicas... É claro que não há certezas que esse policiamento tivesse funcionado. Infelizmente confiamos que os utilizadores cumpririam as regras... mas isso não aconteceu. Mas também acredito que se aprenda com os erros, não necessariamente com os nossos. Podemos aprender com os erros dos outros. E penso que isso aconteceu e que o Trabis agora estará mais atento a esses detalhes.

Vera Silva – Magda, sendo tu uma pessoa que, como já nos disseste, se iniciou há pouco na escrita, e aqui neste nosso site, mas sempre em prosa... Arriscaste alguns duetos em poesia. Para quando um poema realmente TEU? E sendo tu uma leitora compulsiva, qual o estilo que realmente preferes?
Pedra Filosofal – Eu não sei escrever poemas. Já tentei mas não consigo. Falta de capacidade de síntese, acho. Prefiro a prosa em que me posso alargar. Já que sou faladora, é mais fácil escrever prosas. Mas, se repararem, as minhas prosas tem muito de real. São, na sua grande maioria, relatos de situações pelas quais eu já passei ou alguém que conheço passou. Os dois únicos contos que escrevi são relatos da vida. O primeiro foi, quase que, passar para o papel a história dos meus avós maternos que toda a vida ouvi. Depois tentei repetir a proeza mas desisti. Gosto de escrever prosas, mais especificamente crónicas. É o estilo onde me sinto à vontade. Ah, mas há que dizer que também já fiz um terceto. Um poema a três, com a Vera e com o Paulo.
Sou, de facto, leitora compulsiva. Estou até proibida, por mim, de entrar em livrarias. Desvio-me, nos hipermercados, da zona dos livros. Porque eles colam-se às minhas mãos e é uma carga de trabalhos para se descolarem. E depois leio-os a todos. E quando estou a ler, bem que pode rebentar a terceira guerra que eu não dou por nada. Já cheguei a proibir-me de ler na cama porque, quando dava conta, eram horas de me levantar para ir trabalhar e eu tinha passado a noite a ler.
Quanto ao estilo... bem, prefiro a prosa à poesia (talvez isso também contribua para que me sinta mais à vontade a escrever prosa). Mas leio de tudo. Compro os livros pelos títulos e não pelo conteúdo - esse descubro depois, aos poucos, enquanto vou lendo. Já tive agradáveis surpresas e profundas decepções. Mas leio-os sempre até ao fim, caso contrário não os posso avaliar convenientemente... bem, excepção feita para o "viagens na minha terra" que não passei do primeiro capítulo.

Freudnãomorreu – Fala-nos mais de ti... qual o nível de triglicerídeos nas palavras? Quantas passas de esperança engolirás? Calçarás o amor como forma de correr a vida?
Pedra Filosofal – As últimas análises ao sangue que fiz diziam que os triglicerídeos estão nos níveis normais... logo devo ser normal, dentro do que quer que seja a normalidade. Amor (e já agora uma cabana) todos queremos ter na vida. Sou romântica, é certo e tenho esperanças num mundo melhor, não para mim, mas para os meus filhos. Mas não preciso de fazer alarido disso, todos os dias, a toda a hora e a todo o instante. Não gosto de excessos, em nada. Ajudar o próximo, sim, mas com acções, não com palavras. Amar sim, mas com gestos. Não com palavras. Amizade sim, mas que se prove com atitudes. Acho que se deve agir em conformidade com o que se diz e não dizer uma coisa e fazer outra. É claro que, se pudermos juntar as palavras aos actos, perfeito.

Valdevinoxis – Na minha opinião tu és, possivelmente, o utilizador do Luso mais influente, tanto em termos de presença como de intervenção nas mais variadas situações. Em muitas ocasiões, ao analisar a tua acção, verifiquei que não consegues abstrair-te de um formato de trabalho, ou seja, a minha questão é se tu és, por natureza, uma pessoa de militância? Se tivesses que te caracterizar, como o farias?
Pedra Filosofal – Eu abracei o Luso-poemas como abraço os projectos de que gosto. Não gosto de fazer as coisas por metade. Ou estou ou não estou. Se estou dou tudo o que posso e que me é permitido. Sou uma pessoa de fortes convicções, e que as defende com unhas e dentes. Tento sempre dar o melhor de si em todas as situações. Nem mais nem menos que o melhor que posso e sei. Militância sim, mas na senda da qualidade. Não gosto de falhar e nem de desistir. Sou, talvez, um bocadito exigente demais comigo e com as pessoas que me rodeiam, o que, às vezes, é mal entendido. Também não gosto de tomar partidos sem ouvir todas as partes. Não gosto de conflitos, tento evitá-los a todo o custo e tento resolvê-los, se me é permitido, sem intervir publicamente. Prefiro o trato em privado. Mas também gosto que respeitem a minha privacidade. Basicamente considero-me uma pessoa simples. Estou bem comigo, logo estou bem com os outros.
Vera Silva - Têm nascido e crescido grandes autores no luso-poemas, que, imagino, que tens acompanhado de perto. Como vês esse fenómeno e quais os que acompanhas mais de perto, como quase crítica literária que és.
Pedra Filosofal – O luso-poemas é quase que um balão de ensaio da literatura. O leque de autores e géneros literários é bastante grande, o que faz com que o site seja melhor que muitas bibliotecas. Desde os pequenos poemas aos romances, desde o escritor pronto-a-vestir, ao escritor alfaiate, temos mesmo de tudo. Eróticos e religiosos a conviver no mesmo espaço literário. Bons, maus, péssimos e excelentes autores a publicar no mesmo site. É, de facto, um site que pode servir de trampolim para voos mais altos. E já temos vários autores que sonhavam editar um livro e que só o fizeram depois de publicarem no lusos.
Há autores, no lusos, que eu tento acompanhar assiduamente. Às vezes não tão assiduamente como gostaria, mas faço os possíveis. José Torres, Paulo Afonso Ramos, Vera Silva, Amora, Sandra Fonseca, Improvável Poeta, GE3, Vanda Paz, Freudnãomorreu, o Valdevinoxis e a Rosa Maria.
Depois também posso recomendar a Betha, Maria Sousa a Helen de Rose, a Ledalge, a Vony, a Margarete (que espero volte em breve), a Carolina, o Flávio Silver, o Jaber, o Trabis, Alemtagus, Henrique Pedro, a Mel Carvalho, o Xavier Zarco, a Cleo e AnaLuiza... mas há mais que leio, muito mais... eu tento ler o máximo que posso, sinceramente tento. Não comento muito, mas leio bastante e torna-se difícil mencionar aqui todos os que leio.

Vera Silva – Uma última mensagem que queiras deixar aos luso-poetas.
Pedra Filosofal – Em vez de uma, vou deixar duas. A primeira é mais um agradecimento que uma mensagem. No dia do meu aniversário fui surpreendida com diversos textos colocados, quer no lusos, quer em blogs, quer no Escritartes, a felicitar-me pelo dia. Quer os textos, quer os comentários deixaram-me a pairar nas nuvens. Não consegui, até agora, ter palavras ou forma de agradecer a todos quantos o fizerem. Aproveito, por isso, esta ocasião para dizer a todos vós que me deixaram muito feliz e que tornaram este dia de aniversário especial. Obrigado do fundo do coração. Nunca poderei agradecer devidamente ou sequer retribuir, como merecem, o carinho que me dispensaram.
A segunda mensagem é mais um repto. Participem no III Encontro do Luso-poemas em Lisboa. Vai ser um dia memorável. Quem sabe, havendo uma boa participação, os luso-poetas no Brasil se entusiasmem e organizem o seu encontro em terras de Vera Cruz.



Obrigado ao luso-poemas.net por este destaque. Se quiserem ler a entrevista no seu "ambiente" podem fazê-lo através do link - http://www.luso-poemas.net/modules/smartsection/item.php?itemid=398

Desejo Primeiro



Foto de Antanas Strazdas

Desejo primeiro que você ame,
E que amando, também seja amado.
E que se não for, seja breve em esquecer.
E que esquecendo, não guarde mágoa.
Desejo, pois, que não seja assim,
Mas se for, saiba ser sem desesperar.
Desejo também que tenha amigos,
Que mesmo maus e inconsequentes,
Sejam corajosos e fiéis,
E que pelo menos num deles
Você possa confiar sem duvidar.
E porque a vida é assim,
Desejo ainda que você tenha inimigos.
Nem muitos, nem poucos,
Mas na medida exacta para que, algumas vezes,
Você se interpele a respeito
De suas próprias certezas.
E que entre eles, haja pelo menos um que seja justo,
Para que você não se sinta demasiado seguro.
Desejo depois que você seja útil,
Mas não insubstituível.
E que nos maus momentos,
Quando não restar mais nada,
Essa utilidade seja suficiente para manter você de pé.
Desejo ainda que você seja tolerante,
Não com os que erram pouco, porque isso é fácil,
Mas com os que erram muito e irremediavelmente,
E que fazendo bom uso dessa tolerância,
Você sirva de exemplo aos outros.
Desejo que você, sendo jovem,
Não amadureça depressa demais,
E que sendo maduro, não insista em rejuvenescer
E que sendo velho, não se dedique ao desespero.
Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor e
É preciso deixar que eles escorram por entre nós.
Desejo por sinal que você seja triste,
Não o ano todo, mas apenas um dia.
Mas que nesse dia descubra
Que o riso diário é bom,
O riso habitual é insosso e o riso constante é insano.
Desejo que você descubra,
Com o máximo de urgência,
Acima e a respeito de tudo, que existem oprimidos,
Injustiçados e infelizes, e que estão à sua volta.
Desejo ainda que você afague um gato,
Alimente um cuco e ouça o joão-de-barro
Erguer triunfante o seu canto matinal
Porque, assim, você se sentirá bem por nada.
Desejo também que você plante uma semente,
Por mais minúscula que seja,
E acompanhe o seu crescimento,
Para que você saiba de quantas
Muitas vidas é feita uma árvore.
Desejo, outrossim, que você tenha dinheiro,
Porque é preciso ser prático.
E que pelo menos uma vez por ano
Coloque um pouco dele
Na sua frente e diga “Isso é meu”,
Só para que fique bem claro quem é o dono de quem.
Desejo também que nenhum de seus afectos morra,
Por ele e por você,
Mas que se morrer, você possa chorar
Sem se lamentar e sofrer sem se culpar.
Desejo por fim que você sendo homem,
Tenha uma boa mulher,
E que sendo mulher,
Tenha um bom homem
E que se amem hoje, amanhã e nos dias seguintes,
E quando estiverem exaustos e sorridentes,
Ainda haja amor para recomeçar.
E se tudo isso acontecer,
Não tenho mais nada a te desejar.

Vitor Hugo

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