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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Guerra na minha cozinha


Despeje farinha em quatro alguidares e junte um ovo em cada um. Adicione boa disposição, paciência, e quatro crianças ansiosas por uma experiência diferente. Vista um avental a cada um dos garotos e arregace-lhes as mangas. Junte leite e açúcar em pequenas quantidades e oito mãos experientes em moldar plasticina. Esqueça que a sua cozinha costuma ser um local colorido e limpo e ignore o nevoeiro que se vai formando. Não olhe para o chão nem para a mesa. Junte laranja, amêndoa picada, chocolate ou canela a cada um dos alguidares e abandone a esperança de cada uma das massas só ter um sabor. Lave as mãos e opte por ajudar. Meta, verdadeiramente, as mãos na massa. Vá juntando farinha até que a massa se separe das mãos. Repita o processo em cada uma delas. Incentive as crianças a fazerem pequenos biscoitos, explicando, várias vezes, o conceito de pequeno. Mostre como se fazem bolas, rolos e quadrados, e finja que não vê a massa que cai no chão e volta a ser misturada com a restante. À medida que as tropas se vão cansado, substitua-as, na versão “faça você mesmo e rápido”. Meta os biscoitos no forno. Prepara-se para ter as quatro crianças, à vez, e de 5 em 5 segundos, a chegarem à cozinha e a perguntarem se já estão todos prontos. Não abra a janela sem limpar a farinha que se espalhou. Não se distraia para que os biscoitos não se queimem. Depois de todas as fornadas prontas e da loiça lavada chame os pequenos trabalhadores para a mesa do lanche. Distribua sumo e biscoitos por todos. Delicie-se com as gargalhadas de todos eles.



Foi assim, desta forma, que a minha tarde de domingo foi passada. Com os meus filhos e dois amigos, na cozinha. No fim da tarde a cozinha parecia ter sido alvo duma verdadeira guerra. Mas valeu a pena.