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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Se eu te visse


Foto de Paula Grenside
Se eu te visse
Agora à beira deste rio
A meu lado
(Ou quase)
Dir-te-ia coisas que não existem
Mas fazem sentido

(E unicamente)
Quando eu te sinto

Como não te vejo
Nem vi, hoje
(Apenas ontem e antes do ontem)
Faço que me falas
Um diálogo de amor
(Ah! Sem que tu saibas)

É triste falar de amor sem saber
Mais triste ainda ignorar uma palavra
Tão doce, só por prazer!

Quando te olho
Sei que te ris
Não da minha ingenuidade
Mas de toda a grandiosidade desta ironia predestinada

Então, é a minha vez
Mas eu não me rio
Continuas tu, sorrindo
Eu limito-me a sentir
O peso de uma sentinela robusta, negra e opaca!

Se eu te tivesse visto
À minha frente
À beira rio
Dir-te-ia o que sempre te disse
("Olá, como está?")

E permaneceríamos assim
Eternos
(E ridiculamente desfeitos)
Enquanto a Lua nascia
E o rio corria
Silencioso
Morrendo calmamente
(Tristemente)

Talvez então te dissesse
(Não, sussurrava-to ao ouvido)
As coisas que só existem quando eu te sinto

Sininho