Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Momento oportuno

Era um dia como outro qualquer. De sol? Talvez, não sei.
Manuel estava na paragem do eléctrico em Lisboa a ler o jornal e a ver o tempo passar, o tempo e as pessoas, sempre observador. Tinha vindo de Castelo Branco visitar a sua irmã a Lisboa, sempre que o fazia gostava de passear na capital.
Alcide estava perdida. Queria ir com a sua madrinha a casa duma amiga, perto do Museu dos Coches mas nunca tinha vindo a Lisboa. Viu um jovem da sua idade, de bigode bem arranjado, olhos bem bonitos e com ar de quem conhecia a zona... Alcide não sabia, nem sabe, o que é ser tímida e logo vai ter com Manuel para lhe perguntar o caminho para o Museu.
Manuel, mais tímido, mas encantado com a beleza de Alcide logo lhe diz que era para lá que ia e que, se as senhoras o deixarem, terá todo o prazer de as acompanhar ao destino.
Lá foram. Alcide e Manuel, a madrinha cujo nome se perdeu no tempo…
Chegados ao destino Alcide e Manuel despediram-se com um aperto de mão, respeitoso aperto de mão, já que esta história se passa nos finais da década de 30, do século passado.
Quando Alcide e a sua madrinha entram na casa da amiga, Alcide comenta com elas que nunca tinha conhecido jovem tão encantador, tão respeitoso.
E Manuel… bem, ele não pode comentar com ninguém. Levantou apenas a ponta do bigode, num gesto que se tornaria a sua imagem e esperou… sentou-se e esperou.
Ainda dentro de casa, enquanto bebiam o chá, Alcide aproxima-se da janela e vê Manuel à espera… sem perceber muito bem de quem.
Quando acabou o lanche eram horas de voltar a casa. Alcide e a madrinha saíram de casa e, claro, Manuel lá estava, à porta. Nem a Alcide disse que o tinha visto à espera, nem Manuel disse que tinha esperado por ela.
Alcide, sempre a mesma Alcide, descarada, pergunta-lhe se ele sabe qual a melhor maneira de ir, de transportes públicos, para o Barreiro. A resposta foi rápida:
- Curioso, é mesmo para o Barreiro que vou, se as meninas me deixarem terei todo o gosto em acompanhá-las.
E acompanhou…
Acompanhou-a quando ela fugiu de casa para casar com ele, porque os pais dela não o aceitaram bem.
Acompanhou-a quando os pais dela, resignados, os aceitaram de volta para que vivessem perto.
Acompanhou-a quando ela teve a primeira filha, depois a segunda…
Acompanhou-a quando ela adoeceu a primeira vez, quando passaram por dificuldades, em que o dinheiro mal chegava para alimentar as duas filhas…
Acompanhou-a quando a vida começou a melhorar, quando as filhas casaram, quando nasceram os netos… depois os bisnetos.
Num dia de chuva, cinquenta e dois anos depois do tal dia que ninguém sabe se era de sol, Manuel deixou de acompanhar a mulher que sempre amou, a família que conhecia bem o seu bigode e aquela sua maneira especial de o levantar quando apenas podia sorrir por dentro… Deixou, como herança, a sua maneira de ser e de estar e o amor que sempre sentiu por todos.

 

 

 

Vida na Internet e Traços do Destino no Porto


As autoras, Magda Luna Pais e Vera Sousa Silva, e a Temas Originais têm o prazer de o convidar a estar presente na sessão de apresentação dos livros “Vida na Internet” e “Traços do Destino” a ter lugar no Ateneu Comercial do Porto, sito na Rua Passos Manuel, 44, Porto, no próximo dia 30 de Janeiro, pelas 16:00.

Obras e autoras serão apresentadas pelo Dr. Ivo Dias Sousa e pelo escritor José Ilídio Torres, respectivamente.

Vida na Internet
(Ensaio)

Sinopse: “Vida na Internet” é o primeiro livro autónomo de Magda Pais, que compila as experiências que a autora viveu, ou que lhe foram relatadas por terceiros, enquanto internauta e frequentadora assídua de blogues e sites de literatura, dando-nos a sua visão pessoal das realidades sociais associadas. Encontramos ainda, neste livro, algumas explicações técnicas, dadas de forma acessível, permitindo, ao leitor, esclarecer dúvidas ou levantar questões sobre as quais nunca terá pensado.

Traços do Destino
(Contos)

Sinopse: Vera Sousa e Silva relata-nos, em linguagem fácil mas profundamente humana, as emoções com que constrói cada uma das suas personagens e lhes empresta um cunho de autenticidade. (do Prefácio, por Vítor Cintra)

Sobre as Autoras:

Magda Luna Pais/Pedra Filosofal nasceu em 1969 no Barreiro. É casada e mãe de dois filhos. Foi sempre uma leitora assídua, e nunca pensou em escrever até encontrar o site www.luso-poemas.net que veio alterar parte da sua vida. Deste site, onde exerce funções de moderadora, e do qual foi administradora, saíram novos amigos e ideias para este livro. Tem o seu próprio blogue http://stoneartportugal.blogspot.com, onde, para além dos seus textos, divulga textos de outros autores. Participou na Antologia Luso-poemas 2008, editado pela Edium Editores e na colectânea “A arte pela escrita”, editada pela ArtEscrita.

Vera Sousa Silva nasceu em Lisboa, a 27 de Janeiro de 1974. Em 2007 lançou o seu primeiro livro de poesia "Pétalas Soltas" pela Corpos Editora e, em Fevereiro de 2009, "Amar-te em Silêncio", pela Edium Editores. Em 2007 participou na antologia de poesia do site Luso-Poemas no género poesia e, em 2008, com prosa poética. Escreve com assiduidade no seu blog (www.prosas-e-versos .blogspot.com) e no site de poesia: www.luso-poemas.net. No mesmo site participou em alguns concursos, vencendo em Dezembro de 2006 o Concurso “Poema de Natal” e em Junho de 2008 o “Concurso do Vinho”, ambos na vertente de poesia, o que, desde 2006, lhe valeu o direito a condição de Membro de Honra.