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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Violência doméstica

 
 

Comemora-se no dia 25 de Novembro o “Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres”. Não queria deixar de me associar a este dia mas, na minha opinião, devíamos falar de violência doméstica e não de violência contra as mulheres.

Vamos a factos.

Segundo as estatísticas da APAV, entre 2000 e 2011, 76.582 vítimas recorreram à associação, tendo-se registado o maior número de vítimas em 2002, com 7.543 casos. Ao longo destes onze anos, as mulheres têm vindo a representar a maior percentagem de vítimas, atingindo o valor máximo em 2002, com 6.958 casos. No total das 76.582 vítimas, 68.751 eram mulheres, ou seja, 89,7%. Já em relação ao autor do crime, maioritariamente são homens em todos os anos em análise, contabilizando-se um total de 68.770 homens como autores do crime para os 76.582 casos reportados de violência doméstica, o que corresponde a 89,8% dos casos. Entre vítima e agressor, a maioria (39.352 casos) tem uma relação conjugal.

Ainda o ano não chegou ao fim e já morreram 39 mulheres. Mas também já morreram homens, crianças e idosos, todos vítimas de violência doméstica. E os números continuam a aumentar. Infelizmente.

Muitas vezes a vítima é dependente, financeira e psicologicamente do agressor. Não poucas vezes, o agressor sabe fazer com que a vítima se culpabilize do que lhe acontece. Muitas vezes a vítima tem pouca auto-estima e o agressor usa isso em seu favor. E quem assiste ou se apercebe nem sempre intervêm, escudando-se naquela máxima de que, entre marido e mulher, ninguém mete a colher. Sabe-se também que haja casos em que a vítima de ontem se tornou no agressor de hoje. Porque não soube fugir a esse estigma ou porque é só essa a forma de vida que conhece.

Sejam quais forem as razões que assistem, confesso a minha ignorância em entendê-las. Não consigo, por mais que tente, imaginar nem o que sente a vítima, o agressor ou quem assiste. E, por respeito a essas pessoas (sim, porque é de pessoas que estamos a falar, por mais que muita gente se esqueça) nem sequer o tento.

Basta! Basta de violência, basta de indiferença, basta de virar a cara e fazer de conta que não é connosco. Façamos todos os possíveis por ajudar. Eu faço a minha parte. Assumo aqui esse compromisso de ontem, de hoje e de amanhã. E vocês?