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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Leitura preferida de 2012

 

 

A propósito do desafio dos blogs do Sapo sobre o livro que mais gostei de ler em 2012, e depois de alguma ginástica mental (já que não faço de outro género) tentei perceber que livro terá sido o que me encheu as medidas neste ano que está mesmo quase a terminar.

Terá sido a Guerra dos Tronos de George R. R. Martin, que, por entre 10 livros, me levou a um mundo fantástico onde ser a personagem principal não é sinónimo de sobreviver, onde, tal como na vida real, não interessa se se é bom ou mau, a morte acaba por chegar. Enquanto lia estes livros quase que sentia o frio da muralha ou o sopro dos dragões.

Talvez tenha sido a trilogia Os Pilares do Mundo de Anne Bishop que me levou ao mundo dos Fae e à sua incapacidade de reconhecer o seu passado, o egoísmo e a aversão a outras espécies quase que os leva à destruição. Com estes livros viajei entre cá e lá, pelo nevoeiro, tive medo do Inquisidor e festejei as vitórias da casa de Gaian.

No verão, enquanto estava na praia, tive oportunidade de ler a trilogia Millennium de Stieg Larsson. Confesso que comprei por impulso e, ao mesmo, a medo. Com os títulos que estes livros tem (Os Homens que Odeiam as Mulheres, A Rapariga que Sonhava com uma Lata de Gasolina e um Fósforo e A Rainha no Palácio das Correntes de Ar) achei que, das duas uma, ou amava ou odiava. Amei. Li os três livros de seguida, sem intervalo, entre a praia e a piscina, na areia e em casa, na cama ou no sofá. Sempre que parava abria o livro e começava a ler. Cada capítulo acaba no sítio certo para nos deixar curiosos em saber o que vai acontecer a seguir e o que acontece não é o que estamos à espera.

Uma morte súbita de J R Rowling? As brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley (relidos mais uma vez)? A saga do assassino ou o Regresso do Assassino de Robin Hodd? Aventuras de João sem Medo de José Gomes Ferreira, lido e relido várias vezes? Lilith de Cláudio Gil? A demanda do ideal de Armando Sena? Filho de Thor de Juliet Marillier? Cem anos de solidão de Gabriel Garcia Marquez? Noite sobre as águas de Ken Follett?...

A verdade é que chego a Dezembro e li tantos livros este ano e nos anos anteriores que as memórias se cruzam e torna-se quase impossível dizer qual foi o melhor deste ano. Nem dos anos anteriores. Sei que cada livro que leio é melhor que o anterior e pior que o seguinte e que, por isso, continuo em busca do livro do ano ou do livro da minha vida. O que sei é que, “em cada livro, encontro trechos que parecem confidências ou apartes ocultos para qualquer outro e evidentemente destinados ao meu ouvido1 e por isso continuo a ler, à procura desses trechos, desses momentos únicos que cada livro me transmite.

 

1 - Adaptado do texto seguinte "É o bom leitor que faz o bom livro; em cada livro, ele encontra trechos que parecem confidências ou apartes ocultos para qualquer outro e evidentemente destinados ao seu ouvido; o proveito dos livros depende da sensibilidade do leitor; a ideia ou paixão mais profunda dorme como numa mina enquanto não é descoberta por uma mente e um coração afins" de Ralph Waldo Emerson, in 'Sociedade e Solidão'