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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Santander Totta

 

 

Trabalho (com muito orgulho) no Santander Totta há 22 anos. Desde o primeiro dia que as instruções que nos são transmitidas é que todas as pessoas, clientes ou não, que se dirijam ao banco independentemente da cor, idade, formação, situação financeira, cheiro ou aspecto, devem ser atendidos exactamente da mesma maneira. Com cordialidade, simpatia, atenção ao cliente tendo, como último fim, a resolução do problema ou questão que a pessoa coloca.

Já atendi clientes que cheiravam tanto, mas tanto, a falta de água que, quando saíram eu tive de ir à rua para arejar. Já atendi uma cliente que decidiu, a meio do atendimento, mudar os collants que tinha vestidos. Já atendi pessoas com roupas rotas e com roupas Armani. Já atendi alunos, professores, doutores, engenheiros, ministros, varredores de rua, desempregados, analfabetos, novos, velhos, casados, solteiros, com tanto dinheiro que nem sabem o quanto e sem dinheiro para beber um café. A todos tratei com a mesma cordialidade, com a mesma simpatia. A todos tentei resolver os problemas que os levaram a ir ao banco. De todos me despedi com um aperto de mão e com um “espero vê-lo em breve”. Porque foi assim que aprendi quando entrei para o Banco, porque são estas as instruções que temos, porque é assim que o cliente merece ser tratado.

Somos mais de 6000 empregados espalhados por umas centenas de balcões e edifícios centrais. Somos mais de 6000 pessoas que estão a ser julgadas porque um de nós agiu mal (ou pelo menos assim aparenta, uma vez que ainda não se ouviu a sua versão). Somos 6000 pessoas a ser insultadas. Ponha-se no nosso lugar, no lugar das 5999 pessoas que agem como deve ser e que obedecem ao normativo interno. Como é que se ia sentir?