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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

A Voz

A Voz, de Juliet Marillier
Série Shadowfell - Livro III
Editor: Editorial Planeta
ISBN: 9789896575212
Sinopse
A surpreendente conclusão da trilogia que começou com Shadowfell, cheia de romance, intriga e magia.
Há um ano, Neryn nada tinha a não ser um Dom Iluminado que mal compreendia e o sonho vago de que a mítica base rebelde de Shadowfell pudesse ser real. Agora, é a arma secreta dos Rebeldes e a sua grande esperança de fazerem vingar essa revolta secreta contra o rei Keldec, que terá lugar no dia do Solstício de Verão. 
No entanto, para se preparar para a batalha sangrenta que a espera mais adiante, Neryn terá de procurar primeiro o ensinamento de mais dois Guardiães. Entretanto, Flint, o homem por quem se apaixonou, está no limite das suas forças enquanto espião na corte do rei e acumulam-se as suspeitas da sua traição.
A confiança dissipa-se de dia para dia quando a notícia da existência de uma outra Voz chega aos ouvidos dos Rebeldes: uma Voz leal a Keldec, que possui todo o poder de Neryn e nenhuma da sua benevolência ou autoridade arduamente conquistada. Nas vésperas da insurreição, Neryn terá de descobrir uma forma de reconhecer - e explorar - a fragilidade do seu adversário.
Em jogo, está a liberdade do povo de Alban, a possibilidade de os Boa Gente saírem dos esconderijos e a oportunidade de Flint e Neryn se unirem finalmente.
A minha opinião
Mais uma triologia escrita por Juliet Marillier que me prendeu do principio ao fim. Neryn é uma Voz. Numa Alban livre, Neryn não teria de se esconder e teria aprendido, desde sempre a usar esse dom - dom esse que, na Alban em que vive, é considerado uma maldição. Flint, um dos homens do Rei, também tem um dom mas que é usado, pelo Rei, para praticar a Purga. Duas vezes por ano os homens do Rei passeam por Alba e purgam todos os que tenham um dom (ou sinais deles). Neryn acaba por ser salva dessa Purga por Flint, acabando por se apaixonar por ele.
Flint, além de homem do Rei é também um Rebelde - os Rebeldes querem que Alban volte a ser livre e que as pessoas que tenham dons concedidos pelos Guardiões não tenham de se esconder.
Nos três livros acompanhamos a aprendizagem de Neryn com os Guardiões e o seu crescimento enquanto Voz e pessoa. Neste último volume Neryn é confrontada com a existência duma segunda Voz ao serviço do Rei e que, com ele, está disposto a acabar com toda a magia.
Sabendo que, no dia da rebelião, irá perder muitos dos seus amigos, Neryn não pode facilitar e tem de o fazer em prol de um bem maior - uma Alban em que a sua avó e o seu irmão teriam orgulho em viver.

Pálido ponto azul

Olhem de novo esse ponto. É aqui, é a nossa casa, somos nós. Nele, todos a quem ama, todos a quem conhece, qualquer um sobre quem você ouviu falar, cada ser humano que já existiu, viveram as suas vidas. O conjunto da nossa alegria e nosso sofrimento, milhares de religiões, ideologias e doutrinas econômicas confiantes, cada caçador e coletor, cada herói e covarde, cada criador e destruidor da civilização, cada rei e camponês, cada jovem casal de namorados, cada mãe e pai, criança cheia de esperança, inventor e explorador, cada professor de ética, cada político corrupto, cada "superestrela", cada "líder supremo", cada santo e pecador na história da nossa espécie viveu ali - em um grão de pó suspenso num raio de sol.
A Terra é um cenário muito pequeno numa vasta arena cósmica. Pense nos rios de sangue derramados por todos aqueles generais e imperadores, para que, na sua glória e triunfo, pudessem ser senhores momentâneos de uma fração de um ponto. Pense nas crueldades sem fim infligidas pelos moradores de um canto deste pixel aos praticamente indistinguíveis moradores de algum outro canto, quão frequentes seus desentendimentos, quão ávidos de matar uns aos outros, quão veementes os seus ódios.
As nossas posturas, a nossa suposta auto-importância, a ilusão de termos qualquer posição de privilégio no Universo, são desafiadas por este pontinho de luz pálida. O nosso planeta é um grão solitário na imensa escuridão cósmica que nos cerca. Na nossa obscuridade, em toda esta vastidão, não há indícios de que vá chegar ajuda de outro lugar para nos salvar de nós próprios.

A Terra é o único mundo conhecido, até hoje, que abriga vida. Não há outro lugar, pelo menos no futuro próximo, para onde a nossa espécie possa emigrar. Visitar, sim. Assentar-se, ainda não. Gostemos ou não, a Terra é onde temos de ficar por enquanto.

 

Já foi dito que astronomia é uma experiência de humildade e criadora de caráter. Não há, talvez, melhor demonstração da tola presunção humana do que esta imagem distante do nosso minúsculo mundo. Para mim, destaca a nossa responsabilidade de sermos mais amáveis uns com os outros, e para preservarmos e protegermos o "pálido ponto azul", o único lar que conhecemos até hoje.

No dia 14 de Fevereiro de 1990, tendo completado sua missão principal, foi enviado um comando a Voyager 1 para se virar e tirar fotografias dos planetas que havia visitado. Esta foi a foto tirada ao nosso planeta. Mais tarde, numa conferência em 11 de Maio de 1996, Carl Sagan apresentou a reflexão acima sobre a foto.

 

Conheci este texto hoje, por causa do último episódio da série Cosmos. Não a que Carl Sagan apresentou mas a versão actual. E numa altura em que volta a haver a ameaça da guerra, por culpa do Estado Islámico, da Rússia, da Correia do Norte, etc, etc, em que tanta gente olha só para si e se esquece dos outros, em que o ambiente continua a ser maltratado, seria tão bom, mas tão bom, que todos percebessem o que Carl Sagan disse e mostrou nesta foto.