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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Cybercasamento

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Acho que nunca contei aqui esta história e, na conversa, calhou falar que já tinha assistido a um cybercasamento. O que não disse foi que fui eu que celebrei esse cybercasamento e que, mais tarde (uma ou duas semanas depois) fui madrinha do noivo no casamento pela igreja.

Ora então aqui vai a história.

Em finais de 1997 ou início de 1998, não me recordo ao certo, fiz um upgrade ao computador que tinha em casa para passar a ter acesso à internet. Como nunca tinha mexido nessa coisa assustadora que era a internet, chamei o meu irmão (aquele de que falei aqui) para ir lá a casa ensinar-me algumas coisas. E ele foi. Acompanhado. Pela namorada. Que tinha conhecido no ICQ.

Enquanto ele instalava lá uns programas, entre eles o ICQ, eu e a moça fomos conversando. Afinal ele já lhe tinha falado na mana que era filha de pais diferentes (sempre foi assim que apresentamos o outro aos nossos amigos – somos irmãos filhos de pais e mães diferentes).

Depois do ICQ instalado e do meu nick criado, foi altura de me apresentar ao grupo de amigos deles. Eram imensos e cada um de nós tinha um nick diferente do nome. Eu era a Lea, o meu mano o Fiermont e a namorada era a Nodi. Do grupo fazia parte a Clave, o Road Maniac, o Carpe Diem, o Marte, o Capanegra, o Aladino, a Rosa, o Carsanfer e mais uns quantos que agora não me lembro os nicks.

Aos poucos fomo-nos tornando quase inseparáveis. Eram horas e horas no computador na conversa. Mas não só. Saiamos juntos, íamos ao cinema, às Docas, à Expo, etc etc. E quando regressávamos a casa… fazíamos o checkpoint no ICQ antes de irmos dormir para sabermos que todos tínhamos chegado bem a casa. Sim, tínhamos problemas, eu confirmo…

Mais tarde conheci o Mick, que haveria de se tornar no meu marido, que rapidamente passou a viver comigo (acho que foi uma ou duas semanas, no máximo, depois de nos conhecermos pessoalmente, mas adiante) e que se tornou parte integrante do grupo.

Aquelas noites eram muito engraçadas, confesso-vos. Juntávamo-nos todos no chat do ICQ – chegávamos a ser 20 ou 30 – e passávamos horas à conversa. Nos aniversários cantávamos os parabéns no dito chat, quando batiam à porta lá de casa eu perguntava, no chat, ao Mick (ou vice-versa) qual de nós ia atender a porta… enfim, noites divertidíssimas que ali passávamos.

A Nodi e o Fiermont já namoravam quando o grupo se formou. Eu e o Mick começamos a namorar e a viver juntos em Dezembro de 1998 e quase na mesma altura a Clave e o Road Maniac começaram também a namorar (e a viver juntos).

Em 1999 a Nodi e o Fiermont decidiram (e muito bem diga-se de passagem, que já lá vão quase 16 anos e eu tenho uma sobrinha linda por causa disso) casar. O casamento ia-se realizar em Agosto, na igreja mas todos achamos que fazia todo o sentido que o casamento tivesse primeiro lugar no sítio onde se tinham conhecido – no ICQ. E assim foi.

Avisamos todos do que se ia passar e marcamos a data. Nessa noite, cada um no seu computador, juntamo-nos todos numa grande sala de chat (confesso que não me lembro quantos éramos nem em que data foi). Como não havia padre ou conservador, decidimos, em conjunto, que seria eu – por ir ser a madrinha do noivo – que o celebraria. Lá tive de procurar quais eram as perguntas da praxe e celebramos o cibercasamento do Fiermont e da Nodi. E a 28 de Agosto de 1999 acabaram por celebrar o casamento religioso.

Desses três casais que se juntaram na altura, só a Clave e o Road não estão juntos. Infelizmente, a 26 de Dezembro de 2001, o Road teve um acidente de mota e deixou-nos a todos e ao filho deles, o PP que, na altura, tinha (se não me falham as contas) 16 meses.