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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

O Lago dos Sonhos

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O Lago dos Sonhos de Juliet Marillier

Editado em  2015 pela Editorial Planeta
ISBN: 9789896576288
 

Sinopse

Um livro intenso que tem como pano de fundo a Irlanda medieval. Voltando ao registo dos seus primeiros livros, a autora constrói uma trama intricada, sempre acompanhada dos mistérios celtas, que não deixará os leitores indiferentes.

Em troca de ajuda para escapar a um longo e injusto encarceramento, a amarga curandeira mágica Blackthorn jurou pôr de lado o seu desejo de vingança contra o homem que destruiu tudo o que lhe era querido. Seguida por um companheiro de clausura, um homem grande e silencioso chamado Grim, ela viaja para o norte, rumo a Dalriada. Aqui, viverá na orla de uma misteriosa floresta e terá de cumprir, durante sete anos, a promessa que fez ao seu libertador: aceder a todos os pedidos de socorro que lhe forem dirigidos.

Oran, príncipe herdeiro do trono de Dalriada, esperou com ansiedade a chegada da sua noiva, Lady Flidais. Conhece-a apenas por via de um retrato e da poética correspondência que trocaram entre si e que um dia o convenceu de que Flidais era o seu verdadeiro amor. Oran descobre, porém, que as cartas também mentem, pois, embora igual em aparência à imagem no retrato, a sua noiva vem a revelar-se uma mulher muito diferente da criatura sensível e sonhadora que escreveu aquelas cartas.

Nas vésperas do seu casamento, o príncipe não vê saída para a o seu dilema. Mas corre o rumor de que Blackthorn possui um dom extraordinário para a resolução de problemas espinhosos, e ele pede a sua ajuda. Para salvar Oran das suas insidiosas núpcias, Blackthorn e Grim vão precisar de todos os seus recursos: coragem, engenho, astúcia e talvez até um pouco de magia.

 

A minha opinião

A bem da minha família, acabei por não me atirar da ponte e comprei os dois livros numa promoção na Livraria Lua de Marfim (passem por lá que vale a pena). Como estou de férias, acabo por ter oportunidade de ler bastante mais e acabei por pegar já neste (o outro vai de seguida que já o comecei ontem).

Não é segredo para ninguém que eu gosto de literatura do fantástico e que Juliet Marillier é uma das minhas autoras favoritas. E, mais uma vez, não acabei o livro desiludida. Ao invés, fiquei ansiosa para que saia o segundo volume desta trilogia.

Blackthorn, uma curandeira (ou mulher-sábia) foi presa por Mathuin por ter levantado a sua voz contra ele, mostrando, ao povo, que, tanto o líder do clã como o seu filho, violam impunemente as mulheres, engravidando algumas e desfazendo-se delas quando já não lhes servem. Durante um ano, a única coisa que fez com que Blackthorn aguentasse os calabouços onde nem a luz do sol consegue ver, bem como e a violência dos guardas, foi saber que, no solstício de verão seria ouvida no conselho. Mas na véspera desse esperado dia, o Carrasco avisa-a que irá morrer nessa noite para que não seja ouvida. Mas Conmael propõe-lhe um acordo para se escapar à morte e à prisão - mudar-se para Dalriada e, durante sete anos, aceder a todos os pedidos de socorro que lhe sejam dirigidos, seja por quem for, e não tentar vingar-se de Mathuin. A custo, Blackthorn, aceita o acordo.

Grim, companheiro de Blackthorn nos calabouços, acaba por se conseguir escapar das celas na mesma altura que Blackthorn, acompanhando-a na fuga e na viagem para Dalriada. Sem nunca revelar as razões pelas quais foi preso, e sem perguntar a Blackthorn porque razão odeia tanto Mathuin, acaba por se tornar no braço direito da mulher sábia, sem que ambos se apercebam o quanto se tornam inseparáveis.

Oran é um príncipe diferente. Respeita a população, preocupa-se verdadeiramente em ser justo e tenta conhecer todos os que o servem. Quando chega a altura de se casar, a sua primeira preocupação é conhecer a noiva, Flidais, nem que seja por carta. E acaba mesmo por se apaixonar por ela apesar de nunca a ter visto.

Quando Flidais chega a Dalriada, resolve, com Ciar, a sua criada, tomar um banho no Lago dos Sonhos. Ciar acaba por morrer afogada e Flidais, daí para a frente, não é a mesma. Oran estranha e acaba por pedir ajuda a Blackthorn e a Grim para descobrir o que se terá passado. Só que a resposta pode não ser a que ele espera.

Toda a história é contada a três vozes - Blackthorn, Grim e Oran - o que torna o livro ainda mais interessante. Principalmente porque a autoria (com a qualidade que lhe reconheço) consegue que cada personagem "escreva" de forma diferente. Grim escreve em frases mais curtas, de quem não teve a educação esmerada de Oran e Blackthorn escreve duma forma mais sábia. Esse detalhe acrescenta bastante valor ao livro. Depois temos, pelo meio, várias histórias envoltas numa só. A história pessoal de cada um dos narradores, o casamento de Orin e Flidais, a história de Ness - uma das pessoas que Blackthorn ajuda. Entrelaçam-se as histórias, sem dificuldades e, no fim, ficamos com vontade de ir buscar o segundo volume para ler de seguida. Só que ainda não saiu e teremos de o esperar...

Fechado para descanso do pessoal

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Estou de férias! Já vos disse que estou de férias e a adorar? Pois, é a mais pura das verdades. Estou de férias naquela que quase que diria que é a minha segunda terra, já que a maior parte das férias é aqui que passo

(e só não venho mais vezes, principalmente no Inverno, porque aqui, tirando a praia e a biblioteca, não há mais nada. O que é uma pena porque Sesimbra teria tanto para dar em todas as estações do ano e é tão pouco aproveitada)

Mas adiante que hoje não vos quero fazer pirraça com as minhas férias. Hoje quero falar nos problemas que a maior parte dos comerciantes de Sesimbra tem para passar o inverno.

Sesimbra, nos meses de verão, está cheia de gente. Gente que vem passar o dia, que vem passar o fim-de-semana, que passa cá a quinzena ou o mês. Gente que vai e volta e que fica. No Inverno a gente que fica é a gente da terra. Pouca gente. Gente que não vai todos os dias ao café (muitos nem uma vez por semana lá vai) e gente que raramente janta fora, come um gelado ou vai petiscar. São gente, é verdade, mas não são turistas. E, por isso, no Inverno, é vê‑los, aos cafés, às tascas, aos restaurantes e às gelatarias sem gente, às moscas, só com os empregados.

Esses mesmos cafés, tascas, restaurantes e gelatarias, no verão, estão cheios, onde se esgotam gelados e bebidas, em que é preciso voltar à padaria porque o pão acabou e onde a gente que é turista gasta os euros que trouxe para passar um dia diferente.

Seria de esperar que esses cafés, tascas, restaurantes e gelatarias que passam, literalmente, as passinhas do Algarve para sobreviver no inverno, aproveitassem, ao máximo, os meses de Verão, abrindo todos os dias, estando sempre disponíveis para atender as gentes que vêm de fora.

Só que não.

No Verão, quando chegamos a Sesimbra (e acredito que noutras terras seja igual), há cafés, restaurantes, tascas e gelatarias que fecham para descanso de pessoal a um qualquer dia de semana (e até ao sábado e domingo quando há mais gente), outros que fecham para férias (e um mês inteiro se for caso disso) e outros que, às 22h, se recusam a servir uma refeição.

Caramba! Não discuto aqui o direito ao descanso e às férias, desenganem-se. O que discuto é o facto de que, na altura do ano em que podem ganhar mais dinheiro, em que podem fazer como a formiga e amealhar para o inverno, se comportem como cigarras. Com todo o prejuízo que isso acarreta para eles próprios e para a credibilidade da vila.

Se calhar, valia a pena pensarem nisso, não?