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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Tudo por amor

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Tudo Por Amor de Jodi Picoult

Editado em 2007 pela Livraria Civilização Editora

ISBN: 9789722625234

 

Sinopse

Nina Frost é delegada adjunta do Ministério Público, acusa pedófilos e todo o tipo de criminosos que destroem famílias. Nina ajuda os seus clientes a ultrapassar o pesadelo, garantindo que um sistema criminal com várias falhas mantenha os criminosos atrás das grades. Ela sabe que a melhor maneira de avançar através deste campo de batalha vezes sem conta, é ter compaixão, lutar afincadamente pela justiça e manter a distância emocional.

Mas quando Nina e o marido descobrem que o seu filho de 5 anos foi vítima de abuso sexual, essa distância é impossível de manter e sente-se impotente perante um sistema legal ineficiente que conhece demasiado bem. De um dia para o outro o seu mundo desmorona-se e a linha que separa a vida pessoal da vida profissional desaparece. As respostas que Nina julgava ter já não são fáceis de encontrar. Tomada pela raiva e pela sede de vingança, lança-se num plano para fazer justiça pelas próprias mãos e que a pode levar a perder tudo aquilo por que sempre lutou.

 

 

A minha opinião

Uma melodia inesperada foi a minha estreia com esta autora e tudo por culpa da Nathy. Tudo por amor, na opinião da Nathy, é um livro muito forte. E eu concordo. Fortíssimo pelos dois temas que aborda, pedofilia e o amor de uma mãe.

Nina é uma promotora do Ministério Público especializada em direito de família. Como tal, os casos de violência doméstica e pedofilia passam sempre por ela. Nina conhece, mais do que ninguém, o que a justiça faz ou, mais importante, o que não consegue fazer para manter as crianças seguras. Quando Nathaniel, o seu filho de cinco anos, deixa de falar e Nina vai ao psiquiatra com ele, os sinais estão todos lá. Nathaniel foi violado. Aos cinco anos, Nathaniel conheceu o pior do ser humano e os pais nada conseguiram fazer para o proteger. Caleb e Nina sentem a frustração própria de uns pais que amam o filho mas que descobrem, tarde de mais, que esse amor não o impediu de sofrer. Para Nina a situação é ainda pior porque ela sabe o quão difícil é conseguir uma condenação nestes casos, ainda para mais quando o filho não fala. Patrick, o melhor amigo de Nina é polícia e cabe-lhe investigar este caso de modo a que, quem fez mal ao Peste (nome carinho pelo qual ele chama Nathaniel) seja levado à justiça e condenado.

Quando, finalmente, há um culpado, encontrado com base no testemunho de Nathaniel e dos testes de ADN, Nina – sabendo o quanto a Justiça protege mais o prevaricador do que a criança – decide fazer justiça pelas suas próprias mãos. Só que os testes do ADN podem não ser tão seguros como se julga assim como o testemunho do filho pode ter sido mal percebido. Quando Nina descobre tudo isto, pode ser tarde de mais e o que ela fez por amor ao filho pode-se virar contra ele e fazê-la perder Caleb, Nathaniel e Patrick.

Eu sei que, nas férias, leio bastante mais. E por isso, ainda bem que deixei este livro para ler nesta altura. É que o iniciei à hora de almoço e não me consegui ir deitar sem o ter lido até ao fim. Era preciso, para bem da minha sanidade mental, saber como acabava a história. Quem perdia o quê? Quem é, afinal o culpado e como é um teste de ADN não é, afinal, tão seguro assim.

Felizmente Jodi Picoult tem, por hábito, não deixar dúvidas no fim dos livros. E assim, quando me fui deitar, finalmente, estava esclarecida.

Contrariamente à Nathy, não me surpreendeu o final. Esperava que tal acontecesse, duma forma ou de outra – o amor dos pais pelos filhos é assim mesmo. Mais não direi, terão de o ler para saber o resto.

Os 15 excertos mais belos da história da literatura

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A revista Bula perguntou aos leitores, seguidores do Facebook e Twitter: qual o seu excerto de livro favorito. Não sendo um resultado ser abrangente ou definitivo e correspondendo apenas à opinião das duas mil e tal pessoas consultadas aqui fica a lista dos 15 excertos mais citados, classificados de acordo com o número de citações que obtiveram. Gabriel García Márquez foi o único autor que teve dois excertos entre os mais citados.

(infelizmente os excertos estão em brasileiro)

O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry

Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz.

Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Márquez

Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo. Macondo era então uma aldeia de vinte casas de barro e taquara, cons­truídas à margem de um rio de águas diá­fanas que se precipitavam por um lei­to de pedras polidas, brancas e enor­mes como ovos pré-históricos. O mundo era tão recente que muitas coisas careciam de nome e para mencioná-las se precisava apontar com o dedo.

 

Choveu durante quatro anos, onze meses e dois dias.

Orgulho e Preconceito, de Jane Austen

É uma verdade universalmente conhecida que um homem solteiro na posse de uma bela fortuna deve estar necessitando de uma esposa.

Meu Pé de Laranja Lima, de José Mauro de Vasconcelos

Matar não quer dizer a gente pegar revolver de Buck Jones e fazer bum! Não é isso. A gente mata no coração. Vai deixando de querer bem. E um dia a pessoa morreu.

O Diário de Anne Frank, de Anne Frank

É difícil em tempos como estes: ideais, sonhos e esperanças permanecerem dentro de nós, sendo esmagados pela dura realidade. É um milagre eu não ter abandonado todos os meus ideais, eles parecem tão absurdos e impraticáveis. No entanto, eu me apego a eles, porque eu ainda acredito, apesar de tudo, que as pessoas são realmente boas de coração.

O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger

O cara da Marinha e eu dissemos que tinha sido um prazer conhecer um ao outro. Esse é um troço que me deixa maluco. Estou sempre dizendo: ‘Muito prazer em conhecê-lo’ para alguém que não tenho nenhum prazer em conhecer. Mas a gente tem que fazer essas coisas para seguir vivendo.

Os Sofrimentos do Jovem Werther, de Johann Wolfgang von Goethe

É uma coisa bastante uniforme a espécie humana. Boa parte dela passa seus dias trabalhando para viver, e o poucochinho de tempo livre que lhe resta pesa-lhe tanto que busca todos os meios possíveis para livrar-se dele. Oh, destino dos homens!

O Encontro Marcado, de Fernando Sabino

De tudo, ficaram três coisas: a certeza de que ele estava sempre começando, a certeza de que era preciso continuar e a certeza de que seria interrompido antes de terminar. Fazer da interrupção um caminho novo. Fazer da queda um passo de dança, do medo uma escada, do sono uma ponte, da procura um encontro.

Demian, de Hermann Hesse

Não creio que se possam considerar homens todos esses bípedes que caminham pelas ruas, simplesmente porque andam eretos ou levem nove meses para vir à luz. Sabes muito bem que muitos deles não passam de peixes ou de ovelhas, vermes ou sanguessugas, formigas ou vespas.

Lolita, de Vladimir Nabokov

Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta. Pela manhã ela era Lô, não mais que Lô, com seu metro e quarenta e sete de altura e calçando uma única meia soquete. Era Lola ao vestir os jeans desbotados. Era Dolly na escola. Era Dolores sobre a linha pontilhada. Mas em meus braços sempre foi Lolita.

A Revolução dos Bichos, de George Orwell

Doze vozes gritavam, cheias de ódio, e eram todos iguais. Não havia dúvida, agora, quanto ao que sucedera à fisionomia dos porcos. As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já se tornara impossível distinguir, quem era homem, quem era porco.

On The Road, de Jack Kerouac

Assim, na América, quando o sol se põe, eu me sento no velho e arruinado cais do rio olhando os longos, longos céus acima de Nova Jersey, e consigo sentir toda aquela terra crua e rude se derramando numa única, inacreditável e elevada vastidão, até a costa oeste, e a estrada seguindo em frente, todas as pessoas sonhando naquela imensidão, e em Iowa eu sei que agora as crianças devem estar chorando na terra onde deixam as crianças chorar, e você não sabe que Deus é a Ursa Maior? A estrela do entardecer deve estar morrendo e irradiando sua pálida cintilância sobre a pradaria, reluzindo pela última vez antes da chegada da noite completa, que abençoa a terra, escurece todos os rios, recobre os picos e oculta a última praia, e ninguém, ninguém sabe o que vai acontecer a qualquer pessoa, além dos desamparados andrajos da velhice.

Carta a D., de André Gorz

Você está para fazer oitenta e dois anos. Encolheu seis centímetros, não pesa mais do que quarenta e cinco quilos e continua bela, graciosa e desejável. Já faz cinquenta e oito anos que vivemos juntos, e eu amo você mais do que nunca. De novo, carrego no fundo do meu peito um vazio devorador que somente o calor do seu corpo contra o meu é capaz de preencher.

Sherlock Holmes, de Arthur Conan Doyle

Eu sou um cérebro, Watson. O resto é mero apêndice.

Livros vs filmes

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Normalmente, nas férias, aproveito para ler (estranho, não?) mas também para ver um ou outro filme que me tenha chamado a atenção.

Viagem ao Infinito (A teoria de tudo) foi um deles. O livro, apesar de ser uma seca para alguns – por se tratar duma biografia – permite-nos conhecer a história de Stephen e Jane e das dificuldades que ambos tiveram para superar a doença de Stephen. Depois de ler o livro, e como já o disse antes, fiquei a admirar imenso Jane, pela coragem e pela força que demonstrou ao longo do seu casamento – ao mesmo tempo que me desiludi com Stephen que nunca soube reconhecer a mulher extraordinária que teve ao seu lado. Este caso é mais um dos casos em que se aplica, à risca a frase: por detrás de cada homem fantástico está uma mulher extraordinária. Stephen, entre outras coisas nunca agradeceu o que Jane fez por ele e pelos filhos do casal. O que, extraordinariamente, acontece no filme. Sim, é isso mesmo. No livro e em várias entrevistas que Jane deu a propósito do livro, este foi sempre afirmado – O Stephen nunca me disse obrigado – mas no filme ele diz obrigado. Mas as falhas ou incongruências não ficam por aqui. O filme não mostra as dificuldades financeiras que o casal passou no início da sua vida em comum. A acreditarmos no filme, a vida deles, tirando uma ou duas situações, foi um mar de rosas. Mas foi ao contrário. Foram imensas as dificuldades que tiveram, para mudar de casa, para terem uma casa em que não houvesse escadas, isto para não falar que houve imensos alunos e colegas de Stephen que ajudaram Jane nas viagens e nas saídas de Stephen. Outra das situações – e que desvirtua por completo a relação de Jane com Jonathan – é a insinuação de que houve sexo entre ambos enquanto Jane ainda era casada o que é desmentido no livro.

Podia continuar a mostrar as diferenças abismais entre o livro e o filme mas penso que ficaram com a ideia. Não chego ao ponto de dizer que não gostei do filme. Vê-se bem, Eddie Redmayne faz o papel de uma vida, mas para mim, que li o livro, ficou a faltar alguma coisa. Muita coisa.

A Rapariga que roubava livros foi o outro filme que vi baseado num livro que já li. Mas aqui o encanto do livro transmite-se no filme. Claro que há cenas cortadas ou encurtadas – é natural quando se passa dum livro para um filme – mas o essencial está lá. Confesso que o vi a medo, normalmente fico desiludida com os filmes quando li o livro primeiro, mas não foi o caso deste. Antes pelo contrário. Inclusivamente, direi que os actores escolhidos para os diferentes papéis foram escolhidos de tal modo que são exactamente como imaginei as personagens enquanto lia o livro. Simplesmente adorei.

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Também vi O Hobbit. Em tempos li todos os livros de J R Tolkien por ordem. O Hobbit, O Senhor dos Anéis e os Contos Inacabados de Númenor e da Terra Média. Meu caro Peter Jackson, admiro imenso o teu trabalho, sem qualquer dúvida, mas, por favor, nunca digas que a trilogia, em filme, o Hobbit se baseia no livro O Hobbit. Porque isso é mentira. Essa trilogia de filmes baseia-se no Hobbit e nos Contos Inacabados de Númenor e da Terra Média, tornando, a história, confusa e sem ligação. Quem te disse que tinhas de voltar a fazer três filmes do mesmo género? Este último, a batalha dos cinco exércitos, acaba por ser cansativo precisamente por isso. Andamos a bater na mesma tecla há seis filmes e perdeu muito do impacto inicial. Vamos mudar o tema, pode ser?

E vocês, que filmes tem visto que tenham sido baseados em livros?