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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Doença de Crohn e dietas

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Já vos contei o drama que é ter a Doença de Crohn e ter o azar de precisar de ir ao médico.

Mas ter a doença de Crohn e tentar perder peso, às vezes também é um drama.

Sim, eu sei, parte da dificuldade advém da minha falta de vontade e da minha falta de horários. Mas acreditem que a doença de Crohn não facilita.

Por ser uma infecção crónica nos intestinos, há vários cuidados a ter com a alimentação. Infelizmente nem todos os doentes reagem, da mesma maneira, a cada alimento e, por, isso, o doente tem a ingrata tarefa de descobrir, por si, o que pode ou não comer. Acreditem, não é uma tarefa fácil e nem sempre se consegue descobrir, á primeira, o que nos fez mal nesta ou naquela refeição.

No meu caso descobri que não posso comer laranjas, uvas, alho francês e iogurtes e que tenho de evitar quase todos os legumes. Cenoura, feijão-verde ou alface posso comer mas com moderação. Tudo o que tenha fibras está proibido e alimentos – sejam eles quais forem – que ajudem os intestinos a funcionar também estão riscados.

E eu tento, ao máximo, seguir estas pequenas regras porque, se falho, quem sofre sou eu. E acreditem que as cólicas e o inchaço que qualquer um dos alimentos proibidos me causa são de bradar aos céus.

Percebo que seja difícil de perceber que, entre um copo de sumo de laranja natural e um copo de Sumol de laranja, eu escolha o copo de Sumol. O mal que o gás e o açúcar do Sumol me fazem é bastante menor que as cólicas e o inchaço que um sumo de laranja me faz.

E é isto que eu transmito sempre que vou a um nutricionista para começar uma dieta acompanhada. A doença que me acompanha (apesar de ligeirinha e que assim se mantenha) e as minhas restrições alimentares.

O resultado? Nenhum! Porque assim que começam a preparar o que devo comer a cada refeição, começa também o disparate: ora, aqui ao pequeno-almoço beba um sumo de laranja. E eu interrompo e digo que não, o sumo de laranja, como já expliquei, faz-me mal. Ah pois é, tem razão, desculpe. Então vamos substituir por um iogurte, pode ser? A sério? Tira o sumo e mete um iogurte? Mesmo?

Acabo por deixar de dizer coisa alguma, vou-me embora e não volto.

Ao fim de várias tentativas com vários nutricionistas… desisti. Pode ser que um dia volte a tentar e tenha a sorte de encontrar um ou uma que entenda a Doença de Crohn.

Madeline Stuart e o seu sonho

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Aos 18 anos, Madeline Stuart vai concretizar o seu sonho desfilando na Semana da Moda de Nova Iorque. Isto não seria notícia, não fosse o caso de Madeline ter trissomia 21 e ser considerada deficiente.

Felizmente para Madeline, a marca pela qual vai desfilar, a FTL Moda não se preocupa com os padrões nem com os estereótipos e prefere apostar na consciência, aceitação e inclusão, conceitos, aliás, que a própria Madeline defende.

Mas também isto não deveria ser noticia.

Numa sociedade ideal, quem tem trissomia 21 ou outros problemas que tais, deveria ser encarado exactamente como quem não tem. Incluídos na sociedade e tratados da mesma forma, sem penas ou diferenças.

Conheci, a semana passada, um casal com dois filhos. Um deles, fruto da asneira da equipa clínica que acompanhou o parto, teve um AVC na barriga da mãe e, por isso, tem limitações físicas e psicológicas razões pela qual o seu desenvolvimento está bastante atrasado. Mas isso não impede os pais de se zangarem com ele quando faz as asneiras próprias duma criança ou de serem exigentes. Ambos os filhos são tratados precisamente da mesma maneira. Ao fazê-lo, obrigam a que o filho se desenvolva.

Lembro-me, a este propósito de mais dois casos, mais antigos. Dois casais vizinhos dos meus pais tinham, cada um deles, um filho com trissomia 21. Os rapazes tinham mais ou menos a mesma idade. Num dos casos os pais tratavam-no como outra criança qualquer. Lembro-me de o ver ir à padaria, sozinho, comprar pão, de ouvir os pais barafustarem com ele e de o ver na rua a brincar. Quando se perguntava aos pais pelo miúdo eles falavam nele com imenso orgulho – das conquistas e dos disparates que fazia.

No outro caso, o miúdo raramente era visto. Lá de vez em quando aparecia à janela mas logo a mãe aparecia para o meter para dentro. Os pais quase que fugiam às perguntas sobre o filho, e, nas raras vezes que ele saia com os pais era quase escondido, como se tivessem vergonha dele.

Pensem lá um bocadinho comigo, destes casos todos que vos contei, qual deles vos parece o mais incorrecto e que devia ser a forma da sociedade não agir?

Então se estamos de acordo, porque é que Madeleine Stuart é notícia?