Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Banalidades*

banalidades.png

Foi uma semana louca... 

Começou com as compras de roupa para os gaiatos. O rapaz terá crescido uns 25 cm no verão (como diria a minha avó, medrou bastante) e não havia um par de calças que lhe servisse. Ela cresceu menos mas ainda assim também precisava. Para ele ainda foram precisos ténis, já que passou do 44 para o 46 (pode dormir em pé sem problema, tem bastante apoio...). Só compramos dois pares de calças para ele, ao ritmo que está a crescer, comprar mais era deitar dinheiro à rua. Assim é usar e lavar. Enquanto usa umas, as outras lavam.

Depois... ele voltou à escola só esta semana. A tradição ainda é o que era e, o primeiro dia de aulas é, normalmente, o primeiro dia em que ele está doente. Amigdalite com direito a injecção de penicilina e uma semana em casa. Enfim, a oeste nada de novo, faz parte e já todos sabemos que é assim. Adiante. Regresso às aulas na segunda-feira, ao fim do dia:

mãe, o livro de Geografia não serve, o da mana é a versão do ano passado e eu preciso da versão deste ano.

Lá se foram as minhas contas escolares. Os meus filhos tem dois anos de diferença e, julgava eu, que, pela primeira vez, ia reaproveitar livros. Julgava eu! Porque não foi só Geografia. Foi também para Português, Físico-química e Ciências. Quatro livros que custaram € 124,08. E tudo porque há nova edição resultado do novo programa. Para além do custo, nem sequer tive direito, desta vez, a descontos ou ofertas. Não se percebe, sinceramente! Felizmente podemos pagar esta quantia inesperada mas há imensas famílias que não podem. Como é que estas coisas acontecem?

Esta foi também a semana em que a Inominável nasceu. Uma revista para lá da blogosfera que reúne dezasseis inomináveis e que deu muito trabalho e muito gozo. Se ainda não a conhecem, esta é a altura de o fazerem. A 1 de Dezembro sai o próximo número e posso dizer-vos que será ainda melhor.

Mas no dia do nascimento da revista fui também para os Julgados de Paz de Lisboa. Dada a ausência, na tentativa de mediação, da pessoa contra quem tinha sido metida a acção, foi agendado o julgamento. Para as 12h30. E nós, os autores, chegamos às 12H20. Passaram as 12h30, as 13h, as 13h30... e nós sempre a perguntar quando nos chamavam.

Têm de esperar, já chamamos.

Pois... chamaram quase às 14h45 depois de muita insistência. É que alguém agendou o julgamento mas esqueceu-se de anotar na agenda e por isso ninguém sabia que lá íamos estar. E a outra parte também não apareceu. Estávamos esfomeados, irritados e nada ficou resolvido. Agora é aguardar a sentença e decidir os passos seguintes.

Sábado, a apresentação dum livro dum grande poeta, Vítor Cintra. Não sou fã de poesia, já se sabe, mas sou fã do Vítor e da sua poesia. Um homem cultíssimo, educadíssimo, com uma memória fabulosa e que merecia um maior reconhecimento dos seus pares. Esperemos que não chegue tarde de mais.

Espero que a semana que vai entrar seja mais calma, mais serena e que me permita aqui estar mais tempo. Esperemos...

 

título roubado com todo o carinho à M.J.. Estas minhas banalidades não chegam sequer aos calcanhares das dela mas apeteceu-me usar o mesmo título como forma de homenagem

No blog com... BB

bb.png

 

A BB é uma simpática. E por isso hoje veio a esta rubrica partilhar mais um bocadinho de si connosco.

A BB já foi “Dola” e “Lola”, quando ainda não sabia falar como gente grande. Foi “Desdla”, quando se enganaram no seu nome, no bilhete de embarque para Marrocos. Na realidade, chama-se Dora e é tratada como Dorita, “Dora, a Exploradora” ou até mesmo “Doritos”, com muitos risos à mistura.

Procura viver desprovida de máscaras e é pouco dada a conflitos. Mas tem um inimigo feroz: o despertador. Calçou sapatos de bailarina durante dois anos, toca violino há quinze, estuda medicina, escreve – coisas desinteressantes, mas escreve –, lê e faz porco agridoce (vamos fazer de conta que fica bom, para ela ficar contente).

Valoriza um abraço sentido, mas não se mostra esquisita se decidirem manifestar a vossa amizade através de uma bela caixa de chocolates.

A BB decidiu escrever esta mini-coisa-autobiográfica na 3ª pessoa, para se tornar menos constrangedor, mas acha que não resultou.

Obrigada, Magda, por me acolheres na tua casa virtual! 

  1. Deixada pela Dona Pavlova. Qual o teu maior pecado? Coloca-os por ordem, do maior pecado para o menor, e faz uma caracterização tua em cada um deles: Gula; Ganância; Luxúria; Ira; Inveja; Preguiça; e Vaidade.

Em primeiro lugar está a preguiça, sem dúvida (resposta aprovada pela minha mãe, a quem nunca respondo "não", optando pelo clássico "já vai"). Segue-se a gula, mas a culpa deve ser das minhas papilas gustativas, que são obcecadas por doces. Com os restantes pecados, não me identifico lá muito... Apesar de me interessar por moda, sou demasiado prática para me preocupar com vaidades, no quotidiano. Depois... Talvez se siga a ira, que é despoletada pelas injustiças tão presentes na nossa sociedade. Contudo, tento ser compreensiva e afastar os pensamentos destrutivos, não dando grande confiança à revolta ou à inveja.

  1. Música, estudo, escrita. Como concilias as três?

Nem sempre é fácil e funciona muito por fases. Há semanas em que o estudo exige quase toda a atenção, outras em que os ensaios são praticamente diários para preparar concertos e outras mais calminhas, em que me posso dedicar a tudo um pouco, incluindo a escrita e a leitura. O caos instala-se quando um concerto é marcado para o dia de um exame ou quando a inspiração me rouba horas, pela noite dentro, para escrever... No final de contas, tudo se concilia e ainda se juntam outras actividades à festa, desde que haja paixão e dedicação.

  1. Que música te define?

Ai ai, a pergunta mais difícil... A Magda não brinca em serviço! Talvez a "Radioactive", dos Imagine Dragons. Primeiro, porque é das que mais gosto de tocar na minha banda, Silk (podem ver um vídeo nosso aqui: https://youtu.be/yAzjbQA-ChQ). Depois, porque a letra me faz imaginar uma fénix que renasce das cinzas, com uma energia contagiante. Identifico-me com a postura de tentar tornar o pior no melhor, de reiniciar quando já não nos identificamos com um caminho escolhido e de trabalharmos os nossos defeitos. Por vezes, o "apocalipse" é a solução, para nos reconstruirmos e renascermos mais fortes... Radioactivos!

  1. Está lá no teu blog a razão do nome – Bata & Batom – e porque nasceu o blog. Queres contar de novo?

Ah, uma questão fácil, finalmente! Basta (re)ler o meu primeiríssimo post: http://bataebatom.blogs.sapo.pt/inicio-440

  1. Sem saberes quem será a próxima convidada, que pergunta lhe deixas?

Nadar com tubarões ou deixar de ter acesso à internet e redes móveis, a partir deste momento e para sempre?

  1. Que gostarias de me perguntar

Qual a tua receita para a felicidade? E não vale haver ingrediente secreto... Queremos saber tudo!

Vingança? é por vingança que fazes essa pergunta difícil?

Não há ingredientes secretos. Mas há é optimismo em doses elevadas. Eu vejo sempre o copo meio cheio e o lado positivo de cada situação. Porque há sempre esse lado positivo - mesmo quando achamos que não.

Depois eu acredito que, por pior que estejamos, há sempre quem esteja pior e a passar por mais provações. Por respeito a quem está pior que eu, não vou dizer que eu estou pior.

Confiança. Em mim e nos outros. Às vezes confio por mim e pelos outros.

E depois... tristezas não pagam dívidas, não é? O que é que se resolve por se andar triste? Absolutamente nada. Até o tempo custa mais a passar quando estamos mais tristes...

No rescaldo das eleições

imagem-eleição.jpg

Não gosto de falar sobre política. Fruto, talvez, de ter sido criada numa casa onde, sempre que a casa estava cheia, todos os temas eram permitidos, com excepção da política, futebol e religião. E porquê? Porque, nas raras vezes em que esses temas eram abordados, instalava-se uma discussão de caixão à cova.

Precisamente por causa dessa proibição tácita, na casa dos meus pais todos eram bem-vindos – comunistas, socialistas, centrais-democratas, social-democratas, benfiquistas, sportinguistas, portistas, cristãos e testemunhas de Jeová e todos se davam bem. Afinal, acreditava eu, as amizades não dependem das convicções e é perfeitamente possível gostar duma pessoa que não tem a mesma preferência partidária/clubística ou religiosa.

No rescaldo das eleições de ontem verifico – infelizmente – que afinal estou enganada. Ontem, no facebook, vi amigos de longa data a ofenderem-se mutuamente por causa do resultado das eleições e por acreditarem em partidos opostos.

O que, aliás, resulta da falta de maturidade eleitoral do povo português. Seria de acreditar ao fim de quarenta anos de eleições, partidos, lideres e eleitores tivessem crescido e aprendido.

Só que não.

Começando pelos eleitores. Expliquem-me lá, como se eu fosse muito burra, porque é que, pelo facto de ter votado noutro partido que não o de determinada pessoa (e multipliquemos determinada pessoa até à exaustão) faz do votante um filho da puta, cabrão e outros nomes igualmente simpáticos? Será que o votante não tem direito à sua opinião, a acreditar noutra coisa, a pensar de forma diferente? Somos todos iguais? Somos todos carneiros? Não, não somos. E temos liberdade de escolha. Gostem ou não, todos têm o direito de votar no partido que querem e vocês não tem o direito de os ofender por isso. Afinal, vivemos em democracia ou numa ditadura?

Creiam-me que não digo isto só por causa de ontem. Digo isto porque desde que me lembro – e ganhe o partido que ganhar – é sempre o mesmo que se passa. Os eleitores dos partidos que têm menos votos ofendem, até à exaustão, os eleitores do partido que teve menos votos.

Repararam que não falei no partido vencedor ou perdedor? Foi propositado e leva-me agora à questão dos partidos e dos seus líderes. Desde que acompanho com mais interesse as eleições que concluo que todos os partidos são vencedores. E ontem não foi excepção. Caramba. Nenhum partido assumiu de forma clara a sua derrota. Tiveram menos votos – mas foi uma vitória. Desceram para quinta força politica no parlamento – mas foi uma vitória. Não elegeram deputados – mas foi uma vitória. Cruzes. Afinal que partido perdeu? É uma dúvida que me acompanha desde sempre. Que partido/líder perde as eleições?

Nenhum, a avaliar pelos discursos dos líderes.

Tivemos ainda, ontem, o bónus de ouvir alguém dizer que a coligação (que teve mais votos e ficou com uma maioria simples) perdeu as eleições ou, noutro momento brilhante, alguém que disse que essa mesma coligação não devia ser convidada a formar governo e que esse convite deveria ser dirigido ao partido que ficou em segundo lugar, ou, em alternativa, ao conjunto de partidos de esquerda.

Como é que diz que disse? Então não é a força politica com mais votos que ganha? Não é isso que representa viver em democracia? Respeitar a opinião do povo – seja ela qual for? Volto a perguntar, vivemos em democracia ou em ditadura? Concorde-se, ou não, os votos foram contados, a coligação – mesmo sem maioria absoluta – teve a maioria dos votos.

E a vontade do povo é soberana, ou, pelo menos é o que me dizem que significa viver em democracia…