Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

StoneArt Portugal

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Eu e os meus livros. Sejam bem vindos a esta minha casa.

StoneArt Portugal

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Eu e os meus livros. Sejam bem vindos a esta minha casa.

No blog com... Cláudia

Untitled.png

É um'A Mulher Que Ama Livros, que tem Mau Feitio e que vai tentar passar um ano sem comprar roupa. Hoje, no blog com temos a Cláudia Oliveira.

Olha, fui convidada para o "No Blog Com...". É uma honra! Obrigada Magda. 

Então cá vão umas palavras sobre mim. Chamo-me Cláudia, tenho 30 anos e outros trinta blogues. Não são trinta, mas podiam ser. Ando na blogoesfera há bastante tempo e adoro este mundo virtual. Acabamos por fazer amizades e trocar experiências que sempre nos alegra a vida. Tenho um filho com quase dois anos e estou grávida de uma menina. Adoro ser mãe e isso reflecte a maior parte da minha personalidade. Sou apaixonada pela vida e pelas pessoas. Nos blogues, falo de tudo o que gosto: livros, família, amigos, vida, pessoas, blogoesfera, comida, ... Estou sempre a criar desafios e meto-me em tudo. Depois ando sempre à procura de tempo. Recentemente lancei um desafio à minha pessoa, estar 365 dias sem comprar roupa e poupar uns trocos. Nunca saí de Portugal e preciso mudar isso urgentemente. Tantos sonhos para uma vida apenas. 

1. Deixada pela Joana - O que farias se encontrasses uma mala com muito, mas muito dinheiro e não soubesses de quem seria?
Ligava ao marido de imediato e juntos decidíamos o que fazer. Não queria ter de decidir algo tão importante sozinha. Mas eu acredito em sinais e uma mala cheia de dinheiro no meio do meu caminho seria claramente um sinal. Já a minha consciência jamais me deixaria ficar com a mala e dormir descansada. 
2. Qual foi a tua primeira paixão em livro?
Nunca tive.
3. Papel ou digital? como preferes ler?
Papel. Deitada na cama antes de dormir. Se tiver com uma fatia de bolo na mão melhor ainda. Perfeito. 
4. Quais os temas que abordas nos teus blogs que são melhor recebidos? e pior?
Melhor recebidos os textos sobre livros e sobre os meus filhos. Noto maior feedback por partes das pessoas. Quando desabafo algo muito pessoal as pessoas tomam as minhas dores e dão-me muita força. É maravilhoso. Pior, sobre futebol. No entanto, o texto com maior número de comentários negativos e ofensivos foi o texto sobre caracóis. 
5. Sem saberes quem é o próximo convidado, que pergunta lhe deixas?
Indica-nos uma música muito especial na tua vida.
6. O que gostarias de me perguntar?
O que ficou por fazer ao olhares para trás?
Sabes que eu não me arrependo de nada do que fiz e só me arrependo do que não fiz. Dito isto, arrependo-me imenso de não ter lido mais (se bem que não sei se seria possível ler ainda mais). Arrependo-me de ter demorado 11 anos a terminar um bacharelato de apenas 3 anos (se bem que continuo a achar que o terminei com os colegas de faculdade certos e sei que, se tivesse terminado mais cedo, não teria as amizades que ainda tenho desse tempo). Arrependo-me de ter perdido alguns amigos (que, afinal não eram tão amigos assim se se sentiram incomodados por eu ter crescido). Enfim, como podes perceber, olho para trás e vejo que tudo o que aconteceu - de bom e de mau - e tudo o que ficou por acontecer - de bom ou mau - fez com que eu fosse quem sou eu. E, por isso, se voltasse atrás e soubesse o que sei hoje, teria feito tudo da mesma maneira.

 

Oito anos depois...

images.jpg

Há exactamente oito anos, a esta hora, publicava, no Luso-poemas, o meu primeiro texto.

Em oito anos aconteceu muita coisa... imensa! Coisas que eu nem sonhava. Editei três livros - Vida na Internet, Episódios Geométricos e Viagens - tenho este blog e o blog dedicado exclusivamente a livros e leitura. Faço parte do Aprender Uma Coisa Nova por Dia e ainda sou uma das editoras responsáveis pela Revista Inominável.

Em oito anos ganhei amizades fantásticas. Umas ainda no Luso-poemas, outras no Escritartes (site onde também participei em tempos) e outras aqui no Bairro. A Seita do Arroz, o Clube das Pistosgas, e a Vanessa. Mas não só. A Miss F, que, apesar de não me conhecer em carne e osso (mais carne que osso, mas enfim) se preocupa em me perguntar se está tudo bem porque, por estar com mais trabalho, tenho publicado menos. A Just e a Cindy que já tive oportunidade de conhecer pessoalmente no Porto (e que bem que me soube conhece-las). A Nice, a BataeBatom, a Gaffe, a Azulmar, a Pavlova e a Joana que ainda não tive oportunidade de conhecer mas que são pessoas de quem gosto imenso. E a Alfacinha, uma idiota como eu, a Cláudia, a Miúda, a Rita, a Maria Sebastião, e a Ana Borges, são mais umas das amigas que encontrei aqui e que adorava um dia poder dar uma beijoca na bochecha. A Neurótika que anda a combinar um café comigo à imenso tempo mas que ainda não conseguimos conjugar agendas. PNLima e Bomboca, duas moças muito simpáticas que andam por aqui também e de quem eu gosto bastante.

É impossível agradecer a todos os que me tem ajudado a manter o blog, com os incentivos e com as palavras simpáticas.

E à nossa equipa do Sapo, pelo apoio, o esclarecimento de dúvidas e as ajudas que dão sempre que necessário. Tem tornado a estadia no Bairro ainda melhor.

Mas também perdi amigos, é verdade. Pseudo amigos que não souberam lidar com o facto de eu ter crescido na escrita e que não souberam lidar com as minhas escolhas. Enfim, tive pena mas a verdade é que os verdadeiros amigos, os que interessam, esses continuam por cá. Os outros que perdi concluo que não eram amigos.

Ainda no Luso e em 2008, fui escolhida para Luso do mês. Aqui no Bairro e em Fevereiro deste ano, foi o Meet the Blogger. Dois momentos onde dei a conhecer mais um bocadinho de mim.

Apesar duns tempos de interregno - uns anos mais exactamente - a verdade é que o balanço destes oito anos é tão positivo que não os trocava por nada. Espero cá continuar mais uns quantos e agradeço, do fundo do coração, a quem me acompanha neste caminho.

Obrigado!!!

 

Mais 365 dias

46th_birthday_party_greatest_forty_six_year_old_po

Passaram-se 365 dias desde que comemorei 16.436 dias. Se os primeiros 16.436 dias foram fantásticos, estes últimos 365 dias foram-no ainda mais. 

Viagens, o meu terceiro livro foi um dos acontecimentos que marcou este último ano. Mas não foi o único. 

No último ano nasceu a Seita do Arroz e o Clube das Pistosgas. Sabem aquela sensação estranha de não sabermos que precisávamos de alguma coisa, que faltava qualquer coisa que nunca tivemos? É o que sinto com elas. Não fazia ideia que me faltavam estas meninas. Mas não são só elas. É raro o dia que eu e a Vanessa não passamos horas a falar. De tudo e mais um par de botas.

O blog cresceu e as amizades aqui no Bairro também mas não vou falar nisso... deixo para falar na próxima comemoração. Lembram-se que vos disse que esta semana era uma semana de comemorações? Então, domingo estaremos aqui de novo com uma pequena festa.

Foi um bom ano.

Há um ano atrás o marido estava com problemas no coração e não sabíamos o que viria a seguir. Veio a operação há 23 dias atrás e uma recuperação que não está a ser fácil mas que nos vai levar a bom porto. Ontem comemoramos 15 anos de casados. Esperemos que venham mais outros tantos e depois outros tantos a seguir. Pelo menos...

Os meus filhos serão sempre os meus filhos. Não são a minha única razão de viver nem sequer o meu objectivo de vida mas são o meu orgulho.

Férias... em Sesimbra, uma vila fabulosa que tem tanto para dar e que é tão mal aproveitada. Férias para descansar são em Sesimbra.

Os livros... é impossível falar sobre o meu último ano - ou melhor, é impossível falar sobre mim - sem falar nos meus livros. O meu sonho de ter uma biblioteca está a realizar-se aos poucos. Tive de mandar instalar mais estantes para ter espaço para todos. Ainda tenho muitos em espera mas aos poucos estou a reduzir esse número (a operação do marido, mais as consultas, os dias em casa ajudaram nessa tentativa). Confesso que também tenho evitado comprar mais. Não gosto de ter tantos à espera e por isso tenho feito esse esforço (não é um esforço fácil mas enfim, vai-se tentando).

No último ano e ainda no capitulo dos livros, tive umas experiencias fabulosas com o Clube das Pistosgas, a Azulmar, a Miss F, a Pavlova e a Joana. Leituras conjuntas. Uma forma engraçada de ler e de partilhar o que pensamos do livro. Adorei, é uma experiencia a repetir nos próximos 365 dias.

46 anos... é esta a idade que faço hoje. 46 anos com altos e menos altos. Porque não há momentos maus, o que há são momentos menos bons e que fazem com que possamos apreciar ainda melhor os bons momentos. Não sei se vou viver mais 46 anos mas posso dizer-vos que adorei cada minutos dos anos que já vivi e irei adorar todos os minutos dos anos que terei pela frente. 

Deixo-vos, por fim, o bolo que a Maria me ofereceu. Sirvam-se duma fatia. Está delicioso.

12285962_10206549222783215_77928547_n.jpg

 

24 anos

Esta é uma semana cheia de comemorações. As próximas são boas, as de hoje nem por isso.

Há 24 anos atrás, numa curva onde alguém tinha deixado óleo o carro onde eu ia despistou-se. Confesso que, naquela fracção de segundos que dura um acidente, pensei “ainda bem que o carro que vem em frente está longe, temos tempo de ir para a areia, o carro para ai e não batemos em ninguém”.

Não foi assim.

Não foi porque no carro que vinha em frente estava uma jovem com meia dúzia de dias de carta, que se atrapalhou e, em vez de carregar no travão para parar o carro (tinha espaço para isso) carregou no acelerador e os dois carros bateram de frente. Ambos os carros foram para a sucata. O condutor do nosso carro ficou com a marca do volante e do cinto no peito, quem estava ao lado dele tinha dor no peito (nada de extraordinário). Eu fiquei com um dedo partido em cada mão e um hematoma na anca que me impossibilitou de andar durante um mês e a pessoa que estava ao meu lado conseguiu meter as pernas debaixo do banco traseiro. Felizmente fui a única que partiu alguma coisa no acidente, no outro carro ninguém se magoou.

Mas a sorte deste acidente não se ficou por ali. Não tivemos de esperar tempo algum por uma ambulância. É que, atrás do carro no qual batemos estava uma que assistiu ao acidente e, por isso, pode prestar assistência imediata. Fui encaminhada para o Hospital do Barreiro e recordo-me de pensar: “agora é que estou lixada… chego lá com um dedo partido e sou operada à apendicite” (já na altura a fama do Hospital do Barreiro era má).

Não fui.

A equipa que me atendeu era fantástica. Os enfermeiros, o ortopedista, o maqueiro… Todos foram impecáveis e conseguiram deixar-me tranquila. Apesar de estar com dois dedos partidos. Tiveram de me magoar para por o polegar no lugar mas pediram desculpa por isso. E eu e o maqueiro ainda nos riamos, no corredor porque eu reclamei que o tecto do hospital era monótono…

Foi quando sai do hospital que tive a pior notícia da noite. Entrei com dificuldade no carro da minha mãe para ir para casa e assim que ligo o rádio ouvi que Farrokh Bulsara, mais conhecido por Freddie Mercury tinha falecido. Um dos melhores cantores de sempre, dono duma voz de fazer inveja, tinha morrido naquela mesma noite. Fiquei triste por perceber que nunca mais iria haver músicas novas cantadas por ele e que nunca teria oportunidade de o ver ao vivo.

E é esta a triste comemoração de hoje, passam-se 24 anos da partida prematura deste cantor único que encantava quem o ouvia. 24 anos que se calou uma das melhores vozes de sempre e que tanto teria para nos dar se ainda fosse vivo.

No Blog com...Joana S

blog.png

Hoje No blog com... convidei a Joana S a falar um pouco sobre si e a responder a algumas perguntas.

Quando a Magda me contactou e me convidou a dizer umas palavritas sobre mim para depois as escarrapachar na rubrica "No blog com..."  fiquei "babada", mas ao mesmo tempo assustada. Engraçado que quando lia a rubrica ficava admirada por a grande maioria dizer que não era fácil falar delas próprias. Achava eu que não seria assim tão difícil  e aqui estou a pensar "Mas que vou eu dizer sobre mim?".

Bem, tenho 47 anos e posso dividir estes anos por 2 etapas. O antes e o após o divorcio. Durante os 11 anos de casamento muitas foram as vezes que me senti um lixo, uma "coisa" que fazia parte da mobília, que nunca iria ser feliz e que nunca teria coragem de me divorciar (não queria envergonhar os meus pais). Eis que o destino me colocou à frente o Miguel e apesar de nunca ter havido algo entre nós (por mais estranho que possa parecer) cerca de 2 meses após o conhecer tomo a decisão de sair de casa. Abdiquei de todos os bens materiais e vim apenas com 500 escudos na carteira e a minha filha. Uma vergonha, uma loucura e um risco enorme foi o que mais ouvi. 17 anos depois tenho a certeza que foi o passo mais importante e que me transformou em todos os sentidos.

Detesto a falta de pontualidade, falta de empenho no trabalho, intrigas e maldade. Sou ansiosa, medrosa, stressada (detesto que mo chamem), apaixonada, bondosa (tenho dias) lutadora e inconstante.  É melhor parar por aqui, pois parece-me que os defeitos são muito mais do que as qualidades e não quero correr o risco do pessoal me olhar com outros olhos.

Obrigado Magda.

1. deixada pela Márcia - Que diga qual o personagem de um livro que gostaria que cozinhasse para ele/ela.
Sem duvida escolhia o Gabriel Allon, o atraente espião dos livros de Daniel Silva. A comida até podia não prestar, mas passar um serão a beber um bom vinho e a ouvir as suas aventuras seria divinal.
2. Que balanço fazes do teu blog?
Quando iniciei o blog "oimpossível" foi para contar a história da minha vida, de certa forma para expulsar alguns "demónios" que ainda me atormentavam e nunca pensei ter tantos leitores, depois quando chegue à parte em que o Miguel recebeu a proposta para vir para Marrocos achei que teria mais sentido fazer um outro. Nasceu então "marrocoseodestino" e deixei mesmo que o destino se encarregasse de trazer os leitores do outro blog. E eles apareceram e outros vieram. O balanço é muito positivo. Sinto que algumas pessoas gostam de mim, mesmo sem me conhecerem pessoalmente e se preocupam quando estou algum tempo sem escrever. Já fiz amizades por aqui, umas virtuais e outra pessoalmente. Quem aqui passa sabe que tenho altos e baixos frequentes(as chamadas travadinhas) e sabe tão bem ouvir palavras que me arrebitam.
3. Qual é o teu pior defeito enquanto leitora?
Sem duvida não conseguir dar a minha opinião quando ela é contraria especialmente nos assuntos polémicos. Como uma amiga diz sou politicamente correcta. Nestes casos por norma não comento. Neste aspecto gostaria de mudar, mas..
4. o que mais te atrai noutro blog?
Gosto de blogs que contam o dia a dia, gosto dos que me fazem rir, gosto dos que falam de livros e os de viagens. Com se vê não sou muito esquisita em matéria de blogs e esse é uma grande problema, pois ando sempre a tentar descobrir novos o que faz com que tenha dificuldades de visitar com frequência todos os que gosto.
5. sem saberes quem é o próximo convidado, que pergunta lhe deixas?
O que farias se encontrasses uma mala com muito, mas muito dinheiro e não soubesses de quem seria?
6. O que gostarias de me perguntar
Imagina (sei que é horrível) que vinha a policia a tua casa e te mandava queimar todos os livros, a única hipótese para o evitar era passares 1 mês inteiro na prisão. O que optavas?
Bom, a opção seria perguntar ao policia para que prisão me levava e qual o horário das visitas para poder dar aos familiares e amigos...

A desinformação na época da informação

tempestade-informac3a7c3a3o.jpg

Vivemos na era da informação. À distância dum clique sabemos o que se passa do outro lado do mundo. Visitamos museus, conhecemos ruas de cidades desconhecidas, vemos atentados terroristas quase em directo, subimos ao Everest ou descemos às fossas das Marianas e tudo sem sair do sofá. Sabemos, em segundos - literalmente - que um hotel está sequestrado e, ainda a água não regressou ao mar e já sabemos que houve um tsunami. Ainda os prédios estão a vacilar e já todos sabemos que houve um sismo no outro lado do mundo. Nadamos com tubarões e caçamos com os leões na segurança da nossa sala. Vamos a Plutão ou ao Sol sem sair da Terra.

Gosto, sinceramente, de viver nesta era. Em que ouço um estrondo às dez da noite e abro o facebook e fico a saber que explodiu um paiol em Sesimbra. Em que ouço as sirenes dos bombeiros e um site de noticias me diz que há um incêndio na Arrábida.

Gosto que haja blogs que me dão a conhecer a realidade doutros países, que me ajudam a conhecer melhor o mundo em que vivo (ainda que haja coisas, neste mundo, que eu preferia não conhecer).

E gosto de poder pesquisar sobre tudo e sobre nada sem sair do conforto do lar. De estar aqui, sentadinha, e poder descobrir o que me apetecer, procurando, visitando, questionando. É a era da informação no seu melhor.

Mas, e tinha de haver um mas, esta é também a era da desinformação, dos boatos, do dizquedisse, das noticias sem nexo. De meias verdades que se tornam mentiras completas. E tudo porque muitos seres humanos são preguiçosos e acreditam em tudo o que lêem.

Já uma vez falei aqui sobre algumas notícias que são partilhadas até à exaustão sem qualquer cuidado em averiguar a sua veracidade. Uns meses mais tarde... tudo na mesma ou ainda pior.

No dia dos atentados em Paris, passava em nota de rodapé duma das televisões portuguesas que um campo de refugiados estava a arder. Era a única estação que falava nisso e eu fui pesquisar no google se era verdade. Era. Em Outubro deste ano um campo de refugiados ardeu, resultante da explosão duma bilha de gás. Não em Calais como diziam nessa nota de rodapé mas no norte da Tailândia.

Refugiados que odeiam viver em Portugal. Circula, por ai, uma noticia que diz que os refugiados que cá vivem estão desiludidos e se querem ir embora. Uma leitura mais atenta mostra que isto aparece num site conhecido por divulgar falsas noticias. Infelizmente continua a ser partilhado e a dar visibilidade ao site...

Torre Eiffel destruída por mísseis jihadistas... esta até dá vontade de rir, não fosse verdade que está a ser partilhada vezes sem conta. Com direito a fotos e tudo. Não acham que, se fosse verdade, os serviços noticiosos de todas as estações de televisão ou os sites credíveis dariam essa noticia?

Por ultimo, o inicio da terceira guerra mundial confirmado pela ONU. Mais uma vez... Não acham que, a ser verdade, o mundo noticioso parava para falar nisso?

Meus caros. Estamos na época da informação. Nunca tanta informação esteve disponível. Somos uns privilegiados. Aproveitem esse privilegio para estarem informados, não para partilharem desinformação.

Terão os pais noção...

... de que espalhar xenofobia não é educar? Ou de que devem conversar com os filhos, explicando as coisas sem pânicos e com razoabilidade?

Confesso que hesitei sobre este tema. Não gosto de chegar à área de leituras ou dos últimos posts e ver que toda a gente escreveu sobre o mesmo assunto. Fico logo sem vontade de o fazer, mesmo quando tenho uma opinião sobre o tema. Bom, na verdade tenho sempre opinião sobre tudo, nem sempre tenho é vontade de a mostrar ao mundo.

Mas dizia eu que hesitei se haveria ou não de falar sobre os ataques terroristas em Paris. Na noite de sexta, eu e milhares de pessoas vimos o que aconteceu em Paris, quase que em directo, à semelhança do que já tinha acontecido a 11 de Setembro de 2001 quando o mundo ocidental viu, aterrado, dois aviões embaterem nas torres gémeas em Nova Iorque.

Na noite de sexta a minha piolha assistiu connosco ao que se passava e, enquanto ansiávamos por saber noticias dos familiares e amigos que temos a viver em Paris (todos bem, felizmente) íamos conversando calmamente sobre o que se estava a passar. Aliás, é sempre assim que assistimos aos acontecimentos - excelentes, bons, maus ou terríveis - em família, conversando sobre o que se passa, esclarecendo dúvidas e, acima de tudo, sem entrar em pânico e sem generalizar.

Aqui em casa os terroristas são terroristas - pessoas sem raça, sem credo e sem sentimentos. Os muçulmanos são muçulmanos, os cristãos são cristãos, maometanos são maometanos e nenhum deles é terrorista.

Não sei se os meus filhos são melhores que os outros mas sei que, segunda feira, quando regressaram à escola, iam tranquilos. Era um dia como os outros. Só que não foi. Porque muitos dos colegas estavam preocupados. Uns porque achavam que este ataque terrorista tinha marcado o inicio da terceira guerra mundial. Outros porque achavam que a seguir ia explodir qualquer coisa em Portugal e outros que a escola onde estavam podia ser o próximo alvo. E que a culpa, claro, era dos muçulmanos e dos refugiados. Muitos - demasiados - associavam os terroristas aos muçulmanos.

Na turma da minha filha, acabou por ser ela que os tranquilizou, que lhes explicou que não é bem assim, que há terroristas e há muçulmanos, que uma coisa não implica a outra e que até lhes explicou que os refugiados estão precisamente a fugir dos terroristas.

Foi, portanto, uma miúda de 14 anos que tranquilizou outros miúdos da mesma idade porque os pais - que o deveriam ter feito - não o fizeram. Foi uma miúda de 14 anos que ajudou a que o pânico não se instalasse no meio doutros miúdos, que os ajudou a perceber que a xenofobia é errada e que os ajudou a raciocinar.

Apesar do orgulho imenso que sinto na minha filha por isso, eu pergunto, não deveriam ter sido os pais a fazê-lo?

Pág. 1/2

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D