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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Tradições de Natal

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Sou fã incondicional do Natal. Para mim haveria Natal duas ou três vezes por ano. Não para estar com a família, felizmente pertenço a uma família que só se junta por duas razões - por tudo e por nada - mas por tudo o que o rodeia: as músicas, os doces, a árvore de Natal... Adoro tudo, mas mesmo tudo o que diz respeito ao Natal.

Nós levamos o Natal à séria, e por nós, leia-se toda a família.

Em finais de Outubro começamos a trocar emails entre todos para se combinar as prendas - hoje em dia só a geração mais nova recebe presentes. Pais, tios, avós e tios-avós juntam-se para comprar as prendas que os mais novos querem. Deixamos que escolham o que querem (se já o conseguirem fazer) e depois todos entram na prenda de todos. Acabamos por conseguir oferecer prendas melhores do que se as déssemos individualmente e os miúdos ficam todos contentes por terem o que efectivamente querem. Para os mais velhos, cada um compra um presente unissexo, de um valor fixo que depois é sorteado na noite de Natal.

Normalmente gosto de ir comprar as prendas das crianças. Mas este ano acabei por ter de passar a tarefa à minha irmã mais nova. Em meados de Novembro já as prendas estão compradas, embrulhadas e guardadas.

No dia 24 começamos cedo. Por volta das 10h já estamos em movimento, o Natal não é só jantarmos juntos. É fazermos tudo juntos - as filhoses, os doces, os patés, o bacalhau. Fazendo tudo em conjunto acaba por ser mais fácil e divertimo-nos muito mais. Como eu detesto cozinhar, deixo essa parte a quem sabe, mas claro que as filhoses são as da tia. O doce de grão é da mãe. Conseguem adivinhar o que faço eu? controlo de qualidade, pois claro. Provo tudo para desespero das cozinheiras. Mas sem esse controlo... como é que podiam saber que estava bem feito? obviamente que o meu papel é fundamental.

E stresso toda a gente. Mais não seja porque ando atrás do pessoal a comer, ai, perdão, a provar as coisas. Se reclamam... eu começo armada em burro do Shreck e grito: Sou um burro stressado!!! as risadas que se seguem valem tanto a pena!

À mesa, e enquanto jantamos, há sempre lugar a cantorias de Natal. Sim, eu, que tenho uma excelente voz para escrever à máquina, canto imenso na noite de Natal. Seguem-se as prendas - e não, não esperamos pela meia noite. Arrumamos a cozinha, bolos e doces na mesa e pronto, venham as prendas. Há sempre um pai Natal ou uma mãe Natal a fazer a entrega e a fazer o sorteio. Aos poucos, primeiro os miúdos depois o sorteio e assim nos vamos entretendo.

Apesar de sermos muitos, faltam-nos quatro pessoas. Os meus avós e os pais do meu tio. Acredito que estão por lá em todos os pensamentos, mas falta-nos a presença física. O que me leva a contar-vos uma história para terminar.

A minha avó era fã incondicional de chocolates Mercy. Todos os anos, no Natal, fazia questão que tivéssemos uma embalagem desses chocolates em casa. Lembro-me de, num determinado Natal, o raio dos chocolates estavam esgotados em quase todos os lados e eu tive de ir a vários hipermercados à procura até que acabei por encontrar uma embalagem das pequenas.

Essa memória é recordada todos os anos. Infelizmente a minha velhota já morreu mas os chocolates Mercy estão sempre presentes na noite de Natal. Mesmo que ninguém os coma, a caixa está lá.

E vocês, quais as vossas tradições de Natal?