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StoneArt Portugal

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Eu e os meus livros. Sejam bem vindos a esta minha casa.

StoneArt Portugal

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Eu e os meus livros. Sejam bem vindos a esta minha casa.

'tou baralhada!

A semana passada mandei um email a vários condóminos com a acta e alguns documentos.

Em resposta, um deles mandou-me um email a pedir que lhe enviasse tudo em papel. E eu, bem mandada, imprimi tudo e mandei em papel.

Acabo de receber um telefonema do senhor a discutir comigo porque estou a mandar as coisas em duplicado, que já me tinha dito que só queria as coisas em papel e que não percebe porque estou a mandar as coisas em papel (sim, sim, foi exactamente assim) e que não sabe se eu recebi a carta a dizer que quer tudo em papel porque o email é muito confuso.

Tentei explicar-lhe que estava apenas a fazer o que ele me tinha pedido, a enviar em papel o que tinha enviado por email... ao que ele me responde: não está a perceber, eu quero tudo em papel, não quero nada por email. Sim, eu sei, foi o que eu fiz - mandei em papel.... E vai e ele responde: ou eu me estou a explicar mal ou a senhora não está a perceber.

Tentei outra vez: eu enviei-lhe a acta e alguns documentos em papel porque o senhor me pediu que queria tudo em papel e não queria por email. E ele: mas não está a perceber!

Desisti!

Eu & os filmes

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Fevereiro começou com uma paixão chamada livros que já terminou. Abril é mês de filmes e, por isso, eu, Alexandra, o Andy,  a The Daily Miacis, a Mula, a JP, a Fatia Mor, a CM, a Nathy, a Ana Rita Garcia, a Caracol, a Joana, a Mafalda, a Ana Sofia e a Just Smile (falta alguem ou está alguem a mais?) vamos, por 30 dias seguidinhos e a partir de amanhã, responder às seguintes questões:

  1. Em casa ou na sala de cinema?

  2. Com ou sem pipocas?

  3. Género preferido

  4. Género detestado

  5. Grande desilusão

  6. Grande surpresa

  7. Já vi muitas vezes

  8. Não quero voltar a ver

  9. Não vi nem quero ver

  10. Detestei

  11. Parece mentira, mas nunca vi

  12. Ator preferido

  13. Atriz preferida

  14. Embirração (ator/atriz)

  15. Adormeço sempre a meio

  16. Saga preferida

  17. Devia ter uma sequela

  18. Deviam era ter feito só um

  19. Se a minha vida fosse um filme

  20. Se eu fosse uma personagem

  21. Grande banda sonora

  22. Personagem inesquecível

  23. Pior personagem

  24. Erro de casting

  25. Sugeriram-me e adorei

  26. Toda a gente adora menos eu

  27. Estou ansiosa por ver

  28. Aprendi muito com

  29. Fartei-me de chorar

  30. O meu Óscar vai para...

A tag é eu e os filmes

No blog com... Hélder Oliveira

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Estas últimas semanas tem sido bastante complicadas e a rubrica No Blog Com acabou por sofrer com isso. Mas hoje temos cá o Hélder Oliveira

Fui completamente apanhado de surpresa! Enviei um mail à Magda para me envolver noutro projecto e assim, de chofre, fui intimado a enviar um texto onde falaria sobre mim para ser entrevista para a rubrica "No blog com...".
Fiquei logo todo eufórico!
É sempre difícil falar sobre nós. Como é óbvio, não vamos falar mal de nós próprios mas, por outro lado, se nos autodescrevermos com algumas qualidades, podemos correr o risco de ser chamados de convencidos.
Sou um rapaz simples, humilde, bastante sonhador, cresci e sempre vivi num meio rural, e não trocava esta paz por nada deste mundo.
Sou solteiro e bom rapaz, assim espero. Mas sou bastante apaixonado pelos livros, tenho um casamento perfeito com eles, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença.
A palavra desemprego já faz parte da minha vida já algum tempo, mas não é por isso que deixo de viver e arranjo sempre maneira de estar ocupado.
O blog Pensamentos e Palavras retrata, de uma forma simples, os pensamentos de um jovem sonhador, com bastante sentido de humor, que tem uma enorme sede de conhecimento e pretende alcançar aquele sonho que todos nós, humanos, queremos. Ser feliz!
 
1. Deixada pela Cristina - Se pudesses voltar ao passado mudavas alguma escolha da tua vida?
Sim, mudava tanta coisa! No entanto, a mais importante das escolhas, seria a de nunca abandonar os estudos! Sempre tive o sonho de, um dia, poder ingressar na faculdade, tirar história ou literatura, ser professor, mas as circunstâncias da vida não o permitiram. Contudo, nunca é tarde para aprender e, quem sabe, um dia não estarei a leccionar numa escola qualquer deste país...
 
2. Se tivesses de escolher um livro... qual seria?
Ora aqui está uma pergunta um pouco difícil... São tantos os livros que já li que considero muito bons, que já nem tenho conta. Sem dúvida alguma que escolheria "Os Anagramas de Varsóvia" de Richard Zimler. Eu adoro o Zimler, amo mesmo! Ele tem muitas obras publicadas onde aborda muito o massacre dos judeus, um tema que sensibiliza todos nós, pelo simples facto de tantas vidas humanas terem sofrido horrores às mãos de um homem com sede de poder. Para aqueles que não conhecem o livro que referi, recomendo vivamente, vão chorar, tal como eu chorei, e não tenho vergonha de o admitir! Afinal, um homem também chora.
 
3. Como te vês daqui a 10 anos?
Não faço a mínima ideia. Se me perguntassem isso à 10 anos atrás, eu teria respondido que me via a trabalhar e a ter a minha independência que sempre quis alcançar. Contudo, 10 anos passaram, e a palavra desemprego, uma palavra tão pesada de ser carregada sobre os ombros, ainda continua tão presente na minha vida, fazendo imensos estragos. Como sonhar ainda é de graça neste país, daqui a 10 anos gostava de já ter o meu curso concluído e levantar-me todos os dias com um objectivo, o de contribuir para a aprendizagem e educação dos nossos jovens, pois eles serão o futuro do nosso país. Tenho medo que daqui a 10 anos, esses valores tão importantes, caiam ainda mais no esquecimento.
 
4. Qual é o papel que o humor tem na tua vida?
Por norma sou uma pessoa sempre alegre e de bem com a vida. Sou apologista da frase "se a vida te virar as costas, aproveita e apalpa-lhe o rabo". O humor é muito importante para todos nós, pois com um sorriso no rosto, os nossos problemas diários, ficam mais fáceis de lidar. Afinal, que piada teria a vida, se tudo fosse cor-de-rosa? Por isso mesmo é que levo a vida não tão a sério, gosto de brincar, de me divertir, libertar a criança que ainda está cá dentro e espero que perdure.
 
5. Sem saberes quem é a próxima convidada, que pergunta lhe deixas?
O que é a felicidade para ti?
 
6. O que gostarias de me perguntar?
Gostarias de escrever um livro? Que temática abordarias?
Curiosamente já escrevi e publiquei três livros. Vida na InternetEpisódios Geométricos e Viagens. Todos eles com crónicas sobre o meu dia a dia.

Ser mãe no dia de hoje…

Duma adolescente com 14 anos que vai participar no programa Erasmus + e que vai para a Turquia no início de Abril é, neste momento, não ter vontade de ver ou ouvir quaisquer notícias.

É saber que, a nós pais, compete dar-lhes asas e ensiná-los a voar e não cortar-lhes as hipóteses que tem de viajar, de conhecer outras culturas e outras formas de estar.

É perceber que esta ida para a Turquia é o culminar dum ano de preparação, e que é o início da preparação para a vinda duma estudante turca para a nossa casa, no próximo ano o que será também uma experiencia fantástica para todos.

É saber que atentados terroristas, acidentes e raptos acontecem em todo o mundo.

É perceber o quanto esta experiência de vida vai ser importante para toda a vida dos nossos filhos.

É saber que a frequência do Erasmus + é uma oportunidade única de aprendizagem.

Mas, ao mesmo tempo, é querer que tudo o que tem de positivo aconteça aqui pertinho de casa, debaixo da nossa asa…

Internet

 

Todos sabemos que a Internet domina o mundo hoje em dia. Mas a Internet não se tornou tão “grande” de um dia para o outro: foi criada  durante a guerra fria nos anos 60, o que claramente foi há algum tempo, tempo suficiente para uma evolução enorme. Ao longo dos anos a Internet foi mudando de aspecto, e ao mudar de aspecto aumentaram também as suas capacidades, e com esses aumentos foram-se abrindo portas para novas inovações que mais tarde mudariam o mundo; mas a maior delas todas foi aquele botãozinho que todas as redes sociais têm e que é o botão “Add as a friend” ou “Add friend”, que em português significa “Adicionar amigo”. Agora devem estar a perguntar-se porque é que esta foi a maior inovação na Internet, e eu vou explicar. Antes da Internet, para te encontrares com amigos tinham que ter tudo combinado e quase nunca podia ser à ultima hora que se decidiam encontrar, mas quando esse botão “apareceu”, o chat também veio, o que deu a possibilidade a um grupo de amigos de se encontrarem e combinarem à ultima hora (já devem perceber onde é que eu quero chegar).

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Mas mesmo o sistema dos amigos teve uma expansão “recentemente”: no dia 15 de novembro de 2013 a PS4 foi posta à venda, e embora esta tenha sida uma “expansão/melhoramento” para os “gamers”, ou em português jogadores, a Sony decidiu implementar o sistema das comunidades em que qualquer pessoa se pode juntar à que quiser; nessas comunidades há milhares de jogadores dispostos a ajudar e a serem ajudados por outros jogadores. Por exemplo, eu nas férias de Natal fiz 290 amigos na Playstation só nessas comunidades, e jogo com praticamente todos. Onde eu quero chegar é que hoje em dia pode-se fazer mais amigos nessas comunidades em crescimento online; e sim, eu sei que algumas pessoas dizem que os “gamers” não têm amigos na vida real, mas fiquem sabendo que isso é a pior mentira que alguém pode dizer, e também sei que a imagem de marca de um “gamer” é um nerd sem amigos e sem vida que passa a sua vida toda a jogar. Só que, embora algumas pessoas façam isso, o mundo não pode generalizar uma comunidade com milhares e milhares de pessoas só porque alguns “gamers” são assim, eu por exemplo tenho amigos de todo o mundo que falam comigo inglês na Playstation.


Mas deixando esse tópico da Playstation, a Internet permite-nos também comunicar com pessoas de todo o mundo; por exemplo, o meu melhor amigo mudou de casa e agora está em França, mas no entanto ainda falo com ele todos os dias no Facebook, e tenho a certeza de que não sou o único.
Mas a Internet não serve só para comunicação, a Internet serve também para fazer pesquisas e trabalhos.
Tudo boas razões para considerar a Internet uma das maiores invenções em 56 anos, não concordam?

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Publicado em Inominável nº 2 pelo meu filho Martim 

O circo do Panteão

Vi, aqui à momentos, uma noticia (nem sei bem onde) que dava conta que há quem esteja a pedir que as cinzas de Nicolau Breyner sejam colocadas no Panteão Nacional.

Faz sentido. Aliás, já fez sentido que Eusébio fosse para lá, agora vai o Nicolau. E a seguir vai o Mário Soares, depois Eunice Muñoz e a seguir a Lídia Jorge. Segue-se Júlia Pinheiro e ainda Cristina Ferreira. E Teresa Guilherme e José Carlos Malato mais Passos Coelho e Sá Carneiro.

E já agora o Zé dos Plásticos, o Ti Manel das Iscas e a Balbina. E eu que pago os impostos a horas e a minha mãe que é uma mulher fantástica e o meu avô - o primeiro homem que amei, a par e passo com o meu pai que, já agora, também lá merece um lugar.

...

Tenho todo o respeito e consideração por Nicolau Breyner assim como tinha por Eusébio mas acho que se está a vulgarizar a ida para o Panteão. Supostamente o Panteão acolhe os túmulos de grandes vultos da História portuguesa mas a verdade é que, neste momento, já não se percebe bem que critério leva a que os túmulos lá seja colocados. Aliás, no caso do Eusébio nem sequer passou o tempo que é suposto o caixão estar enterrado e, no caso  do Nicolau, as cinzas ainda nem sequer arrefeceram.

E temos ainda o problema do espaço. O Panteão é um espaço limitado. Vão passar a obrigar os grandes vultos (ou mesmo só os vultos...) da história portuguesa a optarem pela cremação? ou será que vão arranjar uma grande távola redonda que vá rondando e mostrando os caixões à vez? Ou fazem-se umas prateleiras até lá cima e metem-se os caixões por ordem alfabética e com um elevador panorâmico? Também se pode ter, na entrada, um chapéu com cartões e cada turista pode tirar do chapéu quatro ou cinco cartões correspondentes aos quatro ou cinco túmulos que pode ir ver.

Será que sou a única a ver o ridículo a que estamos a chegar?

São Valentim

Todos sabemos que o dia de São Valentim está para vir, e com ele vêm todas as palavras de amor, os gestos românticos,  as prendas dos namorados, enfim, todas as coisas com que nós, uma sociedade de meros mortais, gostamos de nos entreter. E para poupar o leitor a mais uma conversa de chacha sobre o dia de São Valentim que, na minha opinião, é uma invenção ao dinheiro, vou falar de um assunto não tão mexido. A parte da mitologia que anda à volta do amor. Sim, obviamente que vou falar do Cupido, o deus romano do amor e desejo, filho de Vénus e Marte (ou, como eram conhecidos pelos gregos, Afrodite e Ares), e de dois amantes pertencentes à mitologia chinesa, Hou Yi, o Arqueiro, e Chang’e, a deusa da Lua.

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Comecemos pelo Cupido, também conhecido como Eros na mitologia grega. Uma só seta do arco deste deus pode fazer o alvo apaixonar-se loucamente por outra pessoa, e isso acabou por ser a desgraça de Cupido. E, tal como muitas outras histórias relacionadas com deuses, esta começa com a inveja de uma deusa relativamente a uma mortal. Sendo a deusa em questão Vénus (Afrodite) penso que podem imaginar o porquê da inveja. Exatamente. Ela tinha inveja de uma mortal porque a rapariga era mais bonita do que ela, e os homens mortais deixaram de ir ao templo dela e passaram a ir ter com a rapariga.


Ora como é que isto correu mal? Pois eu explico.
A inveja de Vénus era tal que ela condenou Psique (a mortal cuja beleza desafiava a da deusa) a casar-se com a criatura mais horrenda do planeta. E, para isso, Vénus precisaria da ajuda do seu filho, Cupido, a quem calhou o “trabalho sujo”. Quando Cupido entrou no quarto de Psique a meio da noite, a mando da deusa sua mãe, ele não esperava encontrar tanta beleza. Encantado, aproximou-se da rapariga que, de um momento para o outro, acordou do seu sono, assustando o pobre Cupido. (Aqui vocês pensam: ahhh, então o que é que isso tem a ver com as setas mágicas? E eu respondo: calma, deixem-me continuar, que isto ainda agora começou.) O deus do amor, de tamanha surpresa por ela acordar enquanto ele olhava para ela, deu um pulo para trás, e deve ter sido um pulo daqueles mesmo grandes porque conseguiu fazer com que ele se arranhasse numa das suas setas e (surpresa!!) apaixonou-se por Psique.
Bom, obviamente que sabem o que lhe aconteceu, né? O pobre Cupido apaixonou-se pela rapariga, e oh se Vénus ficou furiosa! Ela ficou tão furiosa que proibiu o seu filho de casar com Psique e mesmo de a ver, e isso fê-la cair em desgraça. Cupido, como “vingança”, deixou de disparar as suas setas, e as pessoas deixaram de se apaixonar, e por isso deixaram de venerar Vénus. Ainda mais furiosa, ela finalmente cedeu, e mandou Cupido de volta ao trabalho. No entanto, Psique foi viver para uma localização secreta, e Cupido só a visitava de noite, para que ela não conseguisse ver quem ele era. Ele até a fez prometer nunca tentar ver o seu aspecto, para que Vénus não soubesse que ele a via secretamente.
Mas todos esses cuidados foram deitados fora quando um dia (noite, mais exactamente) Psique não conseguiu conter a sua curiosidade e decidiu que nessa noite iria ver a cara do seu amante. (ela tinha medo de que ele fosse um monstro hediondo). Então, nessa noite, quando Cupido adormeceu, ela agarrou numa lanterna e aproximou-a da cara do deus. E ficou surpreendida com o que viu: aquele que ela pensara ser uma criatura horrenda era na realidade o ser mais bonito que ela já tinha visto. No entanto, não ficou tão surpreendida com a aparência dele como ficou quando ele acordou (porque quem é que acorda quando tem uma luz forte directamente apontada à cara, pfffft); ele assustou-a de tal maneira quando acordou, que ela deu um pulo e se arranhou numa das setas dele, apaixonando-se imediatamente. Só não me perguntem porque é que ele tinha as setas tão perto da cama, que eu também não sei. 

Ora obviamente que Vénus não gostou muito disto, e proibiu a rapariga de ver o seu filho, obrigando-a a completar quatro desafios impossíveis (que culminavam numa visita ao Inferno, de onde Vénus esperava que a mortal não regressasse) que, escusado será dizer, Psique completou – obviamente com ajuda de outros deuses que tiveram pena do casal condenado. Depois disto tudo, Cupido foi ter com Júpiter (aka Zeus) e pediu-lhe que tornasse possível o casamento dos dois. A solução de Júpiter foi tornar Psique imortal, e assim eles se casaram, e pode-se mesmo dizer que viveram felizes para sempre.
E agora, vamos para a história de outros dois amantes, que vocês viram o nome e ficaram a pensar “esta gaja agora anda a inventar deuses”. Mas não, são mesmo parte da mitologia chinesa. E são a fonte de um símbolo mundialmente conhecido, que direi no fim desta história. Chang’e era, entre os imortais, de longe a melhor dançarina.

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Hou Yi era um herói enfeitiçado pelas suas danças, e os dois em breve se casariam. O seu amor um pelo outro não tinha limites, e tudo era perfeito assim. Mas, no mundo dos mortais, tudo ruía. Dez sóis, os dez filhos do Imperador de Jade, erguiam-se e queimavam tudo onde a sua luz e calor chegavam, cozendo a terra e evaporando os mares. Hou Yi, o herói arqueiro, foi chamado pelos mortais para os defender. Com setas mágicas, disparou contra nove dos sóis, e poupou só um porque as pessoas precisavam dele. Esse sol, temendo sofrer o mesmo destino que os seus irmãos, comportou-se. Maaaaas, obviamente que nem tudo correu bem, né? Que pai é que o Imperador de Jade seria se não se zangasse com Hou Yi por ele lhe matar nove dos dez filhos? Tamanha foi a sua ira, que Hou Yi e a pobre da Chang’e foram transformados em mortais, e expulsos dos Céus. 

A deusa, agora mortal, ficou deprimida e não voltou a dançar. O arqueiro, em desespero por ver a sua amada triste, conseguiu encontrar o elixir da Imortalidade, e por sorte era suficiente para duas pessoas. Se tudo corresse bem, eles beberiam o elixir e recuperariam o seu status de deuses.
Mas é aqui que a história começa a parecer que foi escrita por alguém que injectava chantili nas veias com a seringa das farturas e que snifa pó de giz ou açúcar. Eles já tinham o elixir, já podiam ter bebido e restaurado o seu lugar nos Céus. Infelizmente, estava tudo contra eles, e como Hou Yi era esperto, foi caçar, deixando o elixir sozinho com Chang’e.
Durante a sua caçada, um jovem que Hou Yi tinha tomado como seu aprendiz tentou roubar o elixir. Encurralada, ela não teve outra hipótese a não ser bebê-lo, e ela foi tornada imortal; mas, por ser demasiado elixir para uma só pessoa, também foi arrebatada do seu lugar em direção à Lua, onde vive desde aí, com a companhia de um coelho de jade que, segundo o folclore, não faz nada a não ser bolinhos de arroz (vêem aquilo que eu disse de alguém ter andado a snifar pó de giz?). Enlouquecido com o desgosto de perder a sua mulher, Hou Yi passou de herói amado pelo povo a tirano violento. O seu aprendiz, Feng Meng, continuou sob a sua tutela, até um dia achar que já era bom o suficiente para se comparar com o ex-deus e o desafiar para um concurso de tiro ao alvo. Obviamente que Hou Yi ganhou, o que deixou o seu aprendiz incrivelmente invejoso (ainda mais que antes).
Mais tarde, Feng Meng convida Hou Yi para uma caçada, onde o encurrala e espanca até à morte com um ramo de árvore. O espírito de Hou Yi ascendeu até ao sol, aquele sol a quem ele poupara a vida, e aí ele construiu um palácio. Por isso, estes dois amantes, Hou Yi e Chang’e, a partir daí passaram a representar o yin e o yang, o sol e a lua.

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Publicado em Inominável nº 2 (revista de Fevereiro de 2016) e escrito pela minha filha Maggie

Novidades sobre Aprender uma coisa nova por dia

Mudamos o layout (na verdade quem o mudou foi a Vanessa) e vamos retomar, em força, o projecto que tem estado um pouco adormecido.

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Às segundas-feiras vamos ter a Dona Pavlova que nos vai ensinar sobre saúde e bem estar e dicas domésticas, às quartas-feiras a M.J. que nos falará de curiosidades, mundo estranho, etc. e eu estarei por lá às sextas-feiras para vos falar de fiscalidade, condomínios, assuntos laborais e outros mais técnicos.

Contamos ainda com a Maria das Palavras que, de vez em quando, nos falará do que bem lhe apetecer.

E vocês? esporadicamente como a Maria ou regularmente como nós as três, não querem participar?

Táxis e Uber

Muito se tem falado sobre a Uber, os taxistas e os conflitos que os segundos têm arranjado por causa dos primeiros.

Sou utilizadora frequente de táxis. Se houvesse um cartão, como dos frangos, que me desse o direito a uma viagem grátis ao fim de seis, acho que, pelo menos uma vez por semana, viajava de borla. Não vem aqui ao caso as razões pelas quais os utilizo, basta, para o efeito, que saibam que os uso e bastante.

E se, de manhã, uso o primeiro que está na praça de táxis da estação, à noite uso sempre o mesmo. Como eu costumo dizer, o da noite é o meu taxista, a pessoa em que confio para me transportar dum lado ao outro. Mas quando ele não pode, recorro à Uber e, até agora, sem problemas e/ou custos de maior.

Não vou aqui dizer que acho que a Uber é melhor ou que os táxis são melhores. Isso seria generalizar e eu sou um bocadinho alérgica a isso.

É que nem todos os taxistas querem enganar os clientes. Há muitos que usam os trajectos mais curtos ou com menos semáforos para chegar ao destino. Nem todos os que saem do aeroporto de Lisboa para ir até ao Marques de Pombal, passam pela Ponte Vasco da Gama e depois entram pela Ponte 25 de Abril, para, finalmente chegarem ao destino. Nem todos se recusam a passar factura ou perguntam: mas não sabe andar de metropolitano? quando queremos ir para um sitio que implica passar por uma zona de transito mais complicada. Nem todos os carros são velhos e nem todos cheiram mal. Nem sempre a música que ouvimos é a cantada numa missa (e, creiam-me, ouvir numa viagem de carro “Jesus, vou ter contigo! Jesus, estou a chegar” não é a banda sonora que queiramos!!!). A maioria até tem carta de condução (sim, há donos de empresas de táxis que não pedem aos seus empregados a prova em como tem carta de condução) e o CAP que tem no táxi é mesmo do próprio. E nem todos bebem até cheirarem apenas a vinho nem entram por sentidos proibidos ou passam sinais vermelhos.

E sim, os taxistas pagam as suas licenças (que não são baratas) e pagam os impostos referentes às facturas que passam (quando as passam). Mas compram os carros por valores consideravelmente mais baixos que o comum dos mortais enquanto os motoristas registados na Uber usam os seus carros particulares.

E a Uber? Bem, a Uber não é nada mais nada menos que uma plataforma on-line onde podemos contratar um motorista particular. Podemos, por momentos, achar que somos o Tio Patinhas, estamos cheios de dinheiro e não nos apetece conduzir. A Uber é uma plataforma que faz com que não seja necessário estar de braço no ar, no meio da rua, á espera de ver se passa um táxi com a luzinha verde. Usar a Uber é ter mais garantias de que não vamos apanhar as excepções que mencionei mais acima e que vamos pagar mais ou menos o mesmo.

Ia dizer-vos que, se fosse taxista, gostaria de me registar na Uber como condutor para chegar a mais clientes. Talvez seja isso que falta aos taxistas, uma plataforma on line que permita a quem precisa de um transporte não tenha de estar de braço espetado, à chuva, ao vento e ao sol. E teria mais cuidado com o meu carro e com a forma como trataria os meus clientes. Parece que já existe uma plataforma parecida mas se calhar devia estar mais desenvolvida, mais divulgada e, acima de tudo, mais exigente com os seus motoristas.

Quanto a mim, continuarei a usar os táxis que estão no Terreiro do Paço de manhã. É muito agradável acontecer como ainda hoje que, assim que entrei, o senhor me disse: olá menina, já viu como o dia está tão bom? Vamos passear até ao sítio do costume? Assim como continuarei a usar o meu taxista à noite e a Uber quando ele não possa. Tudo tranquilamente e sem conflitos.

Ainda a propósito do dia da Mulher

A Sara é uma amiga daquelas que conhecemos por acaso e com quem descobrimos imensas afinidades. No nosso caso a afinidade começou pelos livros e tem-se espalhado, devagarinho e aos poucos, a outras coisas. E este é um lado tão bom, mas tão bom, de ter um blog. As amizades que nascem aqui (curioso que ainda ontem a Chic'Ana falava sobre as Amizades Virtuais) E eu considero-me, confesso, uma privilegiada. Tenho descoberto pessoas fantásticas, amigas presentes, pessoas fabulosas. A Sara é, sem dúvida, uma delas.

Ora a Sara tem um filho de cinco anos. E contou-me o que ele fez ontem, no dia da Mulher. Deixo-vos as palavras dela que contam, melhor do que eu, este momento ternurento. 

Ontem o meu filho aprendeu um pouco mais. Aprendeu que era o Dia da Mulher, as diferenças entre o tempo das nossas avós e os dias de hoje. E ficou zangado porque "se fosse dantes, a mãe não podia andar a passear com ele e com o pai, nem ir ao café e isso é muito injusto!". Não acha justo que as mulheres ficassem a trabalhar em casa.
Ontem, teve de fazer um desenho para uma mulher da vida dele. E fez. E não era para a mãe, ao contrário dos amiguinhos dele. Ele fez um desenho para a avó que, por acaso, foi comigo buscá-lo à escola. Mas quando lhe disse para lho entregar, ele olhou para mim como se eu tivesse dito a maior barbaridade do mundo e disse "Não é para esta avó! É para a avó Matilde!" A avó Matilde é a minha avó, sua bisavó, que, com 93 quase 94, já está acamada mas com a cabeça a funcionar muito bem. Que ele cumprimenta e acaricia, nem sempre recebendo algo em troca, nos dias em que ela se sente mais em baixo.
Fomos a casa dela, entregar-lhe o desenho. "Feliz dia da Mulher, avó! Este desenho é para ti porque és uma mulher da minha vida e já és velhinha e dantes não podias fazer as coisas que as mulheres agora podem fazer e tinhas de ficar sempre em casa a tomar conta dos filhos!" Ficámos sem palavras com a explicação dele... A minha avó deitou uma lágrima. De alegria por o bisneto se lembrar dela, por ser uma das suas mulheres, por toda a explicação que ele deu. "Meu amor, é preciso tão pouco para ser feliz", disse ela.

Como me disse a Sara, ainda há esperança!

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