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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Inês (pelo pai)

Pois bem, sinto-me na obrigação de partilhar uma pequena historia com vocês, prometo ser breve...Ou não... 

Hoje encerrou uma etapa que teve início em 2008, e com o melhor desfecho possível, mas já lá vamos.
Quem tem acompanhado mais de perto a minha vida juntamente com a Marta, sabe que em 2008 foi diagnosticado um problema de saúde que colocou em risco o facto de podermos vir a ser Pais. Depois de 3 operações, e de várias peripécias, e de muitos prognósticos negativos, eis-nos no Hospital da Cuf em frente ao Dr. Fakir (nome dado por mim, pois o homem só queria cortar, e deitar fora, tudo o que lhe aparecesse à frente), com o fim da linha à frente. Não havia nada a fazer. Iria haver uma 4ª intervenção, e essa sim, definitiva. Era o ponto final. E confesso que nessa altura, já estávamos um pouco cansados.
Mas como tudo na vida tem um motivo para acontecer, a meio da consulta com o Dr. Fakir, e quando estávamos a marcar datas para o ponto final, entra um outro Dr. no gabinete, que estava de baixa, e entrou apenas para que o colega assinasse a folha, e fosse à sua vida. Julgo que foi a uma consulta de rotina.
Enquanto o Fakir assinava a baixa do colega, foi dizendo o que tínhamos de fazer, e eis que nas costas dele, estava o Dr.Mistério a esbracejar em silêncio, a dizer que não, e não e não...Incrédulos, perguntámos o que se passava, e o Dr. Mistério, depois de pedir mil desculpas ao Fakir, lá disse que ainda havia outro caminho. Era uma solução que não nos permitia ser Pais biológicos, mas que podíamos ser Pais na mesma, ou seja, consistia em fazer uma espécie de adopção de óvulos. A Marta passava por uma gravidez na mesma, e a única coisa que dizia que nós não éramos os Pais dessas criança, era um teste de ADN. E eu que sempre cresci a ouvir o ditado "Parir é dor, criar é Amor".
Perguntamos isso mesmo ao Fakir, e a resposta em automático dele foi que isso não tinha jeito nenhum, e que dali nunca iria sair nada. Pois bem, ainda hei-de saber qual a morada do Fakir, para lhe enviar uma foto acabada de tirar. Tem a data de 21 de Outubro de 2013. Mas adiante.
Com a curiosidade desperta novamente, fomo-nos informar sobre alternativas. E aqui entra a nossa amiga Dora Carvalho, que sem querer, e depois de uma conversa engraçada sobre quando é que nós pensávamos em ter filhos, e depois de pedir mil desculpas sem ter culpa de nada, pois achava que tinha falado de mais, dá-nos o contacto de uma Médica que fazia várias investigações sobre Procriação médica assistida em Coimbra. Dra. Ana Teresa Almeida Santos.
E assim começaram as nossas viagens para Coimbra.
O nosso processo foi exposto ao Hospital Universitário de Coimbra para análise, e foi-nos proposto 3 tratamentos. Eram mais 3 hipóteses que tínhamos de ser Pais Biológicos. Claro que aceitámos sem hesitar.  
Depois dos dois primeiros tratamentos terem falhado, começámos a fazer outro tipo de tratamento, antes de esgotarmos o terceiro e último tratamento.
Pois bem, com esta história de ir fazer tratamentos a Coimbra, posso-vos dizer que fizemos cerca de 11 Tratamentos, e cerca de 100 Viagens a Coimbra, cerca de 500km por viagem.
Nesta fase, tenho de agradecer sem dúvida nenhuma ao João Paulo Fonseca e à Mónica Ferreira, pois sempre nos apoiaram e nos deixaram conciliar os muitos dias que tivemos de nos ausentar do trabalho, para perseguir o nosso sonho.
Esta fase foi sem dúvida muito cansativa, tanto Física, como emocionalmente. Fazermos 6, 7, 8 viagens a Coimbra por tratamento no mínimo, acordar super cedo para lá estar às 8h, privarmos diariamente com casais que iam ser Pais, entre outras coisas, foi indescritível.
Por vezes, depois de mais uma notícia negativa, os primeiros minutos da viagem era feita em silêncio, mas depois passávamos na área de serviço, e comíamos uma sande de Leitão, e passava 
Foi basicamente no último tratamento, na última hipótese, depois de levarmos muitas negas, que a boa notícia veio. Finalmente o teste dera positivo. Foram 11 tratamentos, 3 inseminações, e um trilião de emoções.
A história podia ficar por aqui, mas não...
Mas como estou a escrever muito, vou resumir o restante mais ainda 
Sim, a história é longa, nem sei porque fui escrever isto tudo...
Primeiros 3 meses de gravidez foram complicados. Alguns riscos de perder a gravidez, mas lá se passaram.
Depois vieram os 3 meses que tivemos descanso, mas durou pouco tempo.
Às 26 semanas, quase 27, a criança quis vir cá para fora, o que com este tempo de gravidez, não convém mesmo, mesmo nada. Depois de irmos de urgência para o Hospital, e de nos descreverem o pior cenário possível, a Marta ficou internada. E assim foram as 6 semanas seguintes. Marta internada sem se mexer, e eu a ir diariamente para o Hospital (mas esta maratona não acaba?!).
Às 34 semanas, teve ordem de soltura. Veio para casa e estava tudo estável "qb".
Hoje, com 35 semanas, deu sinal de parto. Hospital com eles.
Apesar de tudo, foi um processo super rápido, e, mal começou, já estava no fim.
Ao menos algo que correu bem, e à primeira!

 

Resumidamente, FOMOS PAIS!!!

Nasceu a Inês. 
A mãe está bem e a filha também.
O Pai, está radiante! 
Foram 5 anos de luta, persistência, esforço, mas tudo vale a pena quando a alma não é pequena.

P.S: Há muita coisa para escrever, muitos detalhes a contar, mas acho que para isso, ia precisar de editar um livro. Principalmente se fosse descrever a Montanha russa de emoções sentidas por nós dois.

Ricardo Gomes

(pai da Inês, texto publicado ontem pelo próprio, no Facebook)