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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Sou uma infeliz...

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Desde sempre que me lembro de ser alta. A mais alta da família, a mais alta da sala de aula, a mais alta da escola, uma das mais altas do politécnico. Enfim, estão a ver, certo? Para mulher, com 1.74m sou considerada alta!

Ou era...

E não, não estou a diminuir!

Casei-me com um homem alto. Mais alto que eu, com 1.93m. Até aqui tudo tranquilo. O pior é que, 15 anos após o casamento, 14 anos após o nascimento da filha e 12 anos após o nascimento do filho... sou a mais baixa cá de casa. Se quero dar um beijo à filha, tenho de me esticar. Se quero dar um beijo ao filho... tenho de o mandar sentar. Se me quero zangar com algum dos dois... tenho de os mandar sentar!

Acham normal? O raio dos gaiatos...

Aqui há uns anos, estava a gaiata na primeira ou segunda classe, uma das colegas dela perguntou-me porque é que ela era tão alta. E eu, com o ar mais sério do mundo, expliquei-lhe que, todas as noites, pendurava a minha filha na corda da roupa, pelas orelhas, com uns pesos nos pés para ela esticar. Percebi, pela cara da miúda, que talvez tenha dito isto com ar demasiado sério...

(se calhar agora fazia o processo inverso, não? meter uns pesos na cabeça deles para diminuirem?)

O gaiato, que adora deitar-se cedo, no outro dia esperou por mim para festejar, comigo, o facto de ser o mais alto da escola - incluindo professores, vigilantes e alunos até ao 12º ano! Calça o 46 (bem que pode dormir em pé!).

Ninguém merece! e por isso, está decidido... vou ali matar-me, já volto! (Acham que assim eles diminuem de tamanho e eu posso voltar ao meu segundo lugar em altura cá em casa?)

Quanto a ontem...

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Apesar do cansaço extremo que está instalado

(afinal saímos do Barreiro por volta das 8h30, chegamos a casa depois da meia noite e apanhamos várias zonas com um temporal péssimo)

a verdade é que o dia de ontem, no Porto, foi excepcional.

Para quem não esteve presente, ambas as apresentações correram bem. A Vera teve o bónus de não ter sido apenas eu a falar sobre o livro dela – afinal a Maria das Palavras também lá estava e partilha, com a personagem do livro, o nome. Fazia, por isso, todo o sentido que também desse a sua opinião.

E eu não tive um bónus. Tive vários!

Além da M.J. e da Maria das Palavras, também a Cindy achou que a apresentação dos nossos livros era um bom plano para este fim de semana. A Just, aproveitou para ter os livros das bloggers e passar uma tarde de domingo diferente e que lhe permitiu ligar, pela primeira vez, a vida blogosférica à vida real. Adorei que o tivesse feito!

Já a Gaffe atrasou-se mesmo para a apresentação mas sei que lá esteve em pensamento.

Mas houve quem não estivesse fisicamente e estivesse nas palavras. A Cris (ainda não desisti de irmos comer uma tosta a metro, mesmo sabendo que não comes pão), a Ana Vale, a Joana S, a Rapariga do autocarro, a Fatia Mor, a Neurótika Web (e o raio do café que não acontece), a Helena Silva, a Ana CB, a Marta e a Maria Alfacinha, obrigado pelo tempo que perderam a escrever sobre mim e sobre o meu livro. Fiquei tão feliz que as palavras são parcas para descrever esse sentimento.

Obrigado a todos por terem tornado um domingo chuvoso num dia tão alegre!

Maturidade

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Sempre achei que, para ser uma adulta feliz, tinha que continuar a ser criança. Ou, pelo menos, deixar que a parte de criança nunca crescesse totalmente, apesar de, por outro lado, continuar a crescer – em tamanho, idade, atitude e maturidade.

Talvez por isso, hoje, com quase 46 anos de idade, continuo a querer ver filmes de desenhos animados, a ler livros considerados juvenis (entre outros), a jogar aos Sims e ao Monopólio, a querer que, no próximo Natal, alguém me ofereça um urso de peluche do meu tamanho e tenha um porta-chaves das kimmidoll.

No entanto…

Nunca deixei que essa criança que há em mim controle o que faço. Comecei cedo a querer trabalhar precisamente porque queria crescer. Não queria estar em casa a olhar para ontem ou a ver a relva crescer.

Fiz imensas coisas nas férias de verão – no Barreiro ou por perto – e, com 18 anos, comecei a fazer 40 kms de manhã e mais 40 kms à tarde. Apanhava o autocarro, depois o barco, a seguir o metro ou o autocarro e à tarde fazia o percurso inverso. Nunca me importei de trabalhar longe de casa. Os transportes públicos fizeram-se para isso mesmo e, se as outras pessoas conseguiam, eu também ia conseguir.

Nunca fiz birras e nunca bati o pé. Se ele quer eu também quero nunca me serviu, eu tinha de fazer por ter o que queria. Se não fiz por ter, como poderia ter? (e não me alongo aqui porque a Vanessa falou brilhantemente sobre este tema e por isso ide lá ver). É que nem me ia saber bem.

Cresci. Porque é isso que acontece a toda a gente (ou deveria acontecer). Deixei as birras, a inveja, e as brincadeiras lá atrás e cresci. Mantive a criança comigo, a parte que se adaptou à adulta e cresci.

Vivo num mundo real, onde me relaciono com as pessoas e não me fecho num quarto à espera que as coisas que caiam no colo. Não me escudo numa doença nem numa pessoa. Não vivo num sonho mas sim na rua, com pessoas de carne e osso, com passeios aqui ou ali, com livros, televisão, cinema e trabalho. Trabalho muito para que possa, nos tempos livres (e mesmo só nos tempos livres) jogar no computador, actualizar o blog ou comprar o Rossio no Monopólio.

E é tão bom ser crescida e criança ao mesmo tempo e saber conciliar as duas.

Eu & as datas de aniversário

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Dizia a Maria, aqui há uns meses, que atire a primeira pedra quem nunca passou o dia a pensar que tinha de dar os parabéns à pessoa X que faz anos. Só que nunca o chega a fazer.

Pois, eu não posso atirar pedra alguma porque sou ainda pior que ela. E tive a prova nas férias e hoje, mais uma vez.

Passo a explicar.

Tenho um telemóvel fantástico que me avisa dos aniversários todos. Ao meio dia do dia anterior do aniversário. Podia ser no próprio dia mas não. É na véspera. Já tentei alterar quando são dados os alertas mas desconfio que não o consegui por aselhice.

Adiante que isto não é o pior.

Pior mesmo é que recebo, por email, dois alertas de cada aniversário, por cortesia do Birthday Alarm. Um na véspera e outro no próprio dia. E recebo-os no email ao qual tenho acesso constante, o meu email particular.

Ora acreditaríamos que eu nunca me esqueceria dum aniversário, não é?

Pois… não é bem assim. Sou do pior que pode acontecer. E porquê? Porque apesar dos alertas todos, e que – não poucas vezes – me levam a avisar o resto da família e amigos, eu esqueço‑me à mesma.

A semana passada um dos meus tios fez anos. Na véspera falei com a minha tia e disse-lhe: amanhã não me posso esquecer de telefonar ao tio porque ele faz anos. Na manhã do dia de aniversário, ao telefone com a minha mãe e as minhas irmãs, falamos no assunto. Recebi os ditos emails. Obviamente que uma pessoa normal se iria lembrar. Eu não. Esqueci-me completamente. Valeu-me não fazer má figura porque me avisaram por sms, ás 23h, que ainda não tinha telefonado. Apeteceu-me, imenso, espancar-me!

E hoje… hoje o meu colega faz anos. Eu fui avisada! Por email – duas vezes – e pelo telemóvel (ontem). E quando ele começou a receber os telefonemas de parabéns, eu pensei: mas que raio, o aniversário não é hoje! Mas é!

Acho que me vou ali matar. Já volto…

(entretanto já lhe dei os parabéns!, valha-nos isso. E valha-me também que já trabalhamos juntos há 14 anos e ele sabe bem o que a casa gasta)

Livrando

Livrando é o regresso da M.J. ao mundo dos livros, qual filho pródigo que volta a casa no final duma longa viagem. Porque os livros tornaram-se, novamente, de um dia para o outro, a certeza mais certa das coisas seguras, fixas, que permanecem, que me entendem mais que eu própria.

Bom…

Esta frase poderia ter sido escrita por mim. Tirava-lhe talvez a parte do novamente e sou eu. Ali, esparramada numa frase que também define esta minha paixão pelos livros, pelo mundo que cada um deles cria para mim, nas palavras que parecem ter sido escritas com o único propósito de que eu as leia. O que o escritor imagina e que, para mim, é real.

Os livros são a minha casa, para onde regresso sempre e de onde nunca saio. Quando acabo um livro é como se morresse uma parte de mim mas que, logo que pego noutro, essa parte ressuscita mais forte que nunca.

E quando me afasto deles – dos livros, da leitura – pelas incontáveis distracções que me tentam, sinto a ausência dessa presença tão confortável, sinto falta do calor que os livros me transmitem, das vidas que vivo e das viagens que faço. Por isso o afastamento é sempre por pouco tempo.

Os livros são a minha droga, a minha bebida. Sabem a mar, a praia, a sol e a férias. Sabem a Natal, a prendas e a amor. Amor, sim, porque é amor aquilo que sinto por eles.

E quem se ama não se deixa morrer nas minhas estantes, porque só a presença deles nos torna mais vivos.

(foto Erik Johansson)

Carta ao meu nariz

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Caro Nariz

apesar de estarmos juntos à mais de 16.436 dias - por isso acredito que te posso tratar por tu - esta é a primeira vez que te escrevo.

Quase desde sempre que me lembro de, de vez em quando, me deixares assim. Fosse no Verão ou no Inverno, na Primavera ou no Outono, a verdade é que eu, tu, e os lenços de papel, sempre fomos inseparáveis. Uns dias mais que outros, mas a verdade é que passavam sempre alguns dias, muitos, entre cada vez que me dizias - Estou aqui, não te esqueças de mim. Sem saberes, claro, que nunca me iria esquecer, já que, sem ti, não poderia respirar. E sabes, habituei-me de tal modo a respirar que já não vivo sem isso. Manias, que queres. Com esta idade já posso ter manias, não é?

Mas, se era só de vez em quando que me pregavas partidas e pedias toda a minha atenção, agora a verdade é outra. São raras as vezes em que não me fazes andar a gastar lenços de papel como se não houvesse amanhã, a tomar anti-histamínicos constantemente e a precisar de usar gotas para te desentupir. Alturas há em que penso pegar em dois tampões e meter um em cada narina para apanhar a aguadilha que cai sem dar sossego, seja de dia seja de noite.

Andas tão ansioso por seres apertado pelos lenços de papel que nem me deixas dormir uma noite descansada... mesmo que tenha tomado o Zyrtec que, normalmente, me faz dormir 12 a 13 horas seguidas...

Querido nariz, gostava que soubesses que gosto de ti, tanto como gosto de mim mas que tenho esta mania de querer respirar. É uma mania, eu sei, provavelmente conseguiria viver sem isso mas acho que tal não é possível. Já pensei seguir o exemplo do Voldemort mas não me queria separar de ti. Se calhar sou pateta mas acho que a nossa relação pode ser salva se houver, da tua parte, um esforço. Um pequenino esforço em me deixar respirar normalmente, que não me faça andar sempre de lenço de papel a apertar-te e que não me leve a quase te arrancar a pele (coisa que eu acredito que também não gostes mas é complicado não o fazer). É um pequeno esforço que te peço em nome dos dias que já passamos juntos e dos dias que ainda podemos passar juntos.

Peço-te ainda que não me obrigues a espirrar tanto. Como sabes, os meus espirros vem lá do fundo da barriga e quase que me sinto a desconjuntar cada vez que dou um. Ainda por cima espirro alto. Muito alto. E tu, de vingança, não te satisfazes com um, são logo cinco ou seis de cada vez (quando não são mais). Estou para ver o dia em que sais disparado da minha cara por causa dum espírito.

Meu amigo nariz, pensa, por favor, nos meus pedidos, acho que não estou a pedir demais. Em troca prometo amar-te e estimar-te, como se de mim própria se tratasse.

A tua

Magda

Nós por cá, tudo bem #3

E de repente, assim do nada, ouço três pessoas aos gritos lá em casa:

foge, a casa está a arder!

dizia um

é um apocalipse zombie

dizia o outro

fujaaaammmm

dizia o terceiro

 

Sarapantada levantei os olhos do livro que estou a ler e vejo os três - marido e filhos - a rir à gargalhada e lá me explicam que estavam a chamar-me à imenso tempo e que eu não lhes liguei nenhuma...

Memórias

Há memórias que nos acompanham toda uma vida. E que, com um cheiro, uma frase ou uma música, nos voltam a alegrar (ou a entristecer). No meu caso uma memória da minha infância chegou hoje, em forma de livro e trouxe-me um misto de sentimentos.

Alegria por rever os meus avós – ainda que apenas em memória – na casa deles, das vezes em que lá fiquei em casa a dormir. Este livro foi um dos muitos que li, deitada no sofá cama verde que o meu avô, com todo o carinho, preparava para as netas dormirem. Não que eu precise do livro para me lembrar deles. Eles estão sempre presentes, para onde quer que eu vá e aconteça o que acontecer. Mas lembrei-me especialmente deles a mandar-me dormir e eu a querer ler mais um pouco.

E por causa deste livro, veio o cheiro das torradas que tantas vezes comi enquanto lia e que o meu avô fazia. Como morávamos perto, quantas vezes o meu avô não as fez em casa e depois ia num instantinho leva-las à nossa casa para o nosso lanche.

Lembrei-me também das vezes em que almoçamos em casa dos meus avós e da minha avó insistir sempre para comermos mais um bocadinho. Olhem que tem de comer, vejam lá que o comer está bom. Comam brócolos que vos faz bem. Vá, comam a cenoura ralada que vos faz os olhos bonitos. Quando não comíamos a minha avó barafustava e o meu avô defendia-nos. E o fim era inevitável. “lá vem o advogado de defesa das netas!” e nós riamos. Riamos sempre ambos sabiam que gostávamos dos dois e que até gostávamos de provocar estas pequenas brigas entre eles.

E a seguir a memória trouxe-me todas as noites de Natal em que eles estiveram presentes. E as férias. E as saudades que tenho deles, tantas mas tantas saudades.

E tudo porque recebi este livro hoje, no correio. E com ele esta avalanche de memórias que me enchem o coração.

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4 Julho na Amadora

Podem aturar-me em dose dupla. E porquê?

Porque às 17h estarei a apresentar o fantástico livro Chama-lhe Amor de Vera Lúcia Silva, um livro poderoso e que merece, sem dúvida, ser lido. Um livro que nos ensina que amar de forma errada, às vezes, é a forma de amar mais completa.

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E depois, às 18h30, a Telma Marques vai apresentar o meu livro Viagens

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Conto convosco por lá?