Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Homicídio afectivo

Não como mãe mas como ser humano, um dos crimes que mais me choca e que me deixa sem saber o que pensar, é quando os pais matam os filhos. Sim, quando é o inverso também me choca mas não tanto. Crucifiquem-me se quiserem mas é a minha maneira de pensar. Pais que maltratam (seja da forma que for) os filhos é um crime hediondo mas quando os matam, ultrapassa, em muito, o hediondo.

Precisamente por isso, e também porque gosto de perceber o mundo que me rodeia, aqui há uns anos assisti a um programa de televisão onde o tema central era precisamente as mães que matavam os seus filhos – na maior parte dos casos quando ainda eram de tenra idade – ou que se suicidavam levando os filhos por arrasto.

Foi a primeira vez que ouvi falar deste conceito retorcido do homicídio afectivo.

(confesso que desconheço se este termo existe, se é reconhecido na psicologia/psiquiatria ou mesmo juridicamente, mas, desconhecendo outro, creio que será o termo que talvez se adeque mais)

E o que é este conceito? Pois bem, grosso modo a mãe (ou o pai) mata o filho porque o ama e não o quer ver a sofrer. E dizem-me vocês, quem ama não mata. O que é totalmente verdade. Mas temos de perceber que as pessoas que cometem este tipo de crime não são pessoas saudáveis. São pessoas mentalmente doentes, em muitos casos com depressões profundas e que não conseguem ter um raciocínio normal.

Para elas, as crianças estão em sofrimento e só a morte as pode salvar. Para elas, que se vão suicidar, ao matar os filhos estão a poupar-lhes o sofrimento pela morte da mãe ou do pai.

Estas mães e estes pais não precisam que a sociedade os condene, a doença já o fez. O que precisam é de ajuda, de tratamento psiquiátrico. E, acreditem, quando estiverem bem, quando perceberem o mal que fizeram… serão elas próprias a condenar-se pelo que fizeram.

Naturalmente não defendo que escapem impunes ao que fizeram. Mas também não defendo julgamentos em praça pública ou que sejam ditas frases como “eu dava-lhe a depressão dava” a propósito da mãe que matou as filhas em Caxias (e outros casos que tais).

Porque, meus caros, a depressão não é coisa de meninos. E uma pessoa deprimida não consegue, por mais que tente, raciocinar como uma pessoa que não sofre da mesma doença. Não quer dizer que toda a gente deprimida se vá matar ou que vá matar os filhos. Mas pode acontecer.

Antes de começarmos a criticar e julgar temos de perceber o que realmente se passou. Em todos os casos!

Sou uma infeliz...

download.jpg

Desde sempre que me lembro de ser alta. A mais alta da família, a mais alta da sala de aula, a mais alta da escola, uma das mais altas do politécnico. Enfim, estão a ver, certo? Para mulher, com 1.74m sou considerada alta!

Ou era...

E não, não estou a diminuir!

Casei-me com um homem alto. Mais alto que eu, com 1.93m. Até aqui tudo tranquilo. O pior é que, 15 anos após o casamento, 14 anos após o nascimento da filha e 12 anos após o nascimento do filho... sou a mais baixa cá de casa. Se quero dar um beijo à filha, tenho de me esticar. Se quero dar um beijo ao filho... tenho de o mandar sentar. Se me quero zangar com algum dos dois... tenho de os mandar sentar!

Acham normal? O raio dos gaiatos...

Aqui há uns anos, estava a gaiata na primeira ou segunda classe, uma das colegas dela perguntou-me porque é que ela era tão alta. E eu, com o ar mais sério do mundo, expliquei-lhe que, todas as noites, pendurava a minha filha na corda da roupa, pelas orelhas, com uns pesos nos pés para ela esticar. Percebi, pela cara da miúda, que talvez tenha dito isto com ar demasiado sério...

(se calhar agora fazia o processo inverso, não? meter uns pesos na cabeça deles para diminuirem?)

O gaiato, que adora deitar-se cedo, no outro dia esperou por mim para festejar, comigo, o facto de ser o mais alto da escola - incluindo professores, vigilantes e alunos até ao 12º ano! Calça o 46 (bem que pode dormir em pé!).

Ninguém merece! e por isso, está decidido... vou ali matar-me, já volto! (Acham que assim eles diminuem de tamanho e eu posso voltar ao meu segundo lugar em altura cá em casa?)

Despedida

despedidas.jpg

Foi uma viagem silenciosa: nem o rádio tinha ligado. Nenhum de nós queria falar, por isso apenas comunicávamos por relances deitados um ao outro. A bagageira do carro estava cheia com as malas dela mas, mesmo assim, havia malas no banco de trás.

Quando chegamos ao terminal dos autocarros suspirei. Neste último ano a única constante tinha sido o medo. Medo de quê? Medo deste dia. O dia em que ela se iria embora.

Pousamos as malas no chão do terminal, onde ficaram num amontoado. Estranhos passavam por nós, apressados, sem sequer nos olharem. Apenas nós estávamos conscientes um do outro. Uma voz soou nos altifalantes e essa voz chamava por ela: "É neste que eu vou", disse ela, olhando para os pés ao proferir as primeiras palavras naquela manhã. Senti o coração a apertar-se: "Eu sei", disse, agarrando nas malas e levando-as até ao autocarro para onde ela subiu hesitante, dirigindo-se ao seu lugar, junto à janela.

Com um gesto das mãos pedi-lhe que abrisse a janela. Não podia simplesmente deixá-la ir, sem me despedir. Ela inclinou-se para fora da janela e eu aproximei a minha cara da dela, olhando-a nos olhos.

Sem aviso, ela beijou-me e, com a sua testa encostada à minha, suspirou: "vou ter saudades". Senti a garganta a ficar apertada e virei a cara, quase a chorar. Ela percebeu, e fechou a janela, enquanto eu corria de volta para o carro.

Autora: a minha gaiata de 14 anos!

Estou farta de ti!

crianca-triste-32-218x300.jpg

 … dizia uma ilustre mãe à sua filha de 2 ou 3 anos no outro dia na esplanada do café, enquanto a miúda, sem mais que fazer, subia e descia da cadeira, empurrando-a para frente e para trás.

Gostei de ouvir… sim, claro que sim. E esta criança, a filha, claro que também. Obviamente que ouvir a nossa mãe dizer que está farta de nós é muito bom e faz maravilhas à nossa personalidade.

Fui irónica! (ou será que alguém acreditou?)

Estou farta de ti!, não gosto de ti!, que peste! , és mesmo estúpido(a)!  Ou outras variantes destas frases são coisas que não se deve, em momento algum, dizer aos filhos – e que, infelizmente, muita gente diz. Será preciso explicar que, para os filhos, os pais tem sempre razão, são os heróis, os modelos a seguir – pelo menos quando são mais novos – e, se são esses mesmos modelos que dizem que a criança é estúpida, peste ou que não merece que gostem dela, a criança vai acreditar e aceitar como sendo realidade?

Uma criança que cresce a ouvir – sobre ela – este tipo de comentários, vai-se tornar um adolescente inseguro e problemático e um adulto com maiores problemas ainda. Vai-se tornar um adolescente que não gosta dele próprio (e porque iria gostar se os seus próprios pais não gostam?) com todos os problemas inerentes a essa falta de amor-próprio. E vai tratar-vos exactamente da mesma maneira que foram tratados por vocês.

Corrijam as crianças, ensinem-nas a comportar mas nunca, nunca mesmo, digam que estão fartas delas, que não gostam delas ou que são estúpidos e burros. Façam-no com respeito e acreditem que vão ser respeitados no futuro. Fazendo-o, as probabilidades de criarem adultos seguros e com amor-próprio, são bastante superiores!

Conversar com os filhos

dialogo_novo.jpg

Vejo, cada vez mais, pais e mães com dificuldade em comunicar com os filhos. Normalmente pegam num telemóvel ou num ipad/tablet, pespegam com ele nas mãos dos gaiatos e pronto. Os pequenos jogam, os pais conversam (se não tiverem, também eles, smartphones) e não há conversa com os filhos.

Aprendi, muito cedo, que há necessidade de conversar com os filhos. Desde que eles nascem. E aprendi isso com o pediatra dos meus filhos. Quando a piolha

(é engraçado que, apesar dela ter 1.84 m – ou seja, é maior que eu, eu continuar a chama-la de piolha)

Dizia eu, quando a piolha nasceu, o pediatra disse-me – converse com a sua filha. Fale-lhe, conte-lhe o que está a fazer. Faz-lhe bem ouvir a sua voz. E eu assim fiz. Com ela e com ele.

Aos dois anos, a piolha foi para a creche e eu fiquei com o mais novo em casa. Ainda estava de licença de parto. Foi um drama para ela. Até nascer o irmão, tinha estado em casa da avó. Depois ficou comigo. E a seguir – creche. Correu mal. Pontapeou uma das auxiliares, chorou baba e ranho… enfim, uma miséria. Na segunda semana e por causa duma consulta de rotina do piolho pedi a opinião ao pediatra sobre o que se estava a passar. E ele só me perguntou – já falou com a sua filha? Falar? Mas ela tem dois anos!!! Sim, tem dois anos e obviamente não lhe vai recitar os Lusíadas. Vai-lhe explicar, numa linguagem acessível e enquanto a veste ou lhe dá banho, a razão pela qual ela tem de ir à escola.

E eu, sem saber muito bem o que pensar disto, lá conversei. Entre a brincadeira, vesti-la e despacha-la, lá lhe expliquei porque é que ela tinha que ir à escola e porque é que o irmão ainda ficava em casa comigo. Frases simples, brincadeira pelo meio… e nesse dia a gaiata não chorou na escola e ficou bem. Se não tivesse visto não iria acreditar. Aquele pequena conversa fez maravilhas.

Dai para a frente fiz sempre o mesmo. E por isso cá em casa conversamos sobre tudo entre os quatro. Falo com eles com abertura e honestidade sobre todos os temas, sejam eles quais forem. Eles sabem, por exemplo, que não podem falar com estranhos. E sabem quais os riscos reais se o fizerem. Eles sabem o que é a pedofilia e sabem que tipo de fotos podem colocar na internet. Quando há doenças graves na família eles sabem qual é a doença e que riscos há.

Honestidade e abertura. São as palavras-chaves das conversas cá em casa. E, acreditem, estas duas palavras fazem maravilhas nas relações entre pais e filhos. Porque as conversas são como as cerejas e se falarmos com eles – os filhos – eles falam connosco – os pais. E isso é do mais gratificante que podem imaginar.

Nós por cá, tudo bem #3

E de repente, assim do nada, ouço três pessoas aos gritos lá em casa:

foge, a casa está a arder!

dizia um

é um apocalipse zombie

dizia o outro

fujaaaammmm

dizia o terceiro

 

Sarapantada levantei os olhos do livro que estou a ler e vejo os três - marido e filhos - a rir à gargalhada e lá me explicam que estavam a chamar-me à imenso tempo e que eu não lhes liguei nenhuma...

os filhos...

 
 
 
 
ORDEM DE NASCIMENTO DOS FILHOS 

O 1.º filho é de vidro. 
O 2.º é de borracha. 
O 3.º é de aço. 

Planeamento
O 1.º filho é, em geral, desejado. 
O 2.º é planeado. 
O 3.º é descuido. 

As fotos 
1.º Filho - Os irmãos mais velhos têm álbum de fotografias completo, relato minucioso do dia que vieram ao mundo, madeixa de cabelo e dentes de leite guardados. 
2.º Filho - O segundo mal consegue encontrar fotografias do primeiro aniversário. 
3.º Filho - O terceiro não faz ideia das circunstâncias em que chegou à família 

O que vestir 
1.º Bebé – A mãe começa a usar roupas de grávidas assim que o exame dá positivo. 
2.º Bebé – A mãe usa as roupas normais o máximo que puder. 
3.º Bebé – As roupas para grávidas são as roupas normais da mãe, porque já deixou de ter um corpinho de sereia e passou a ter um de baleia. 

Preparação para o nascimento 
1.º Bebé – A mãe faz exercícios de respiração religiosamente. 
2.º Bebé – A mãe não se preocupa com os exercícios de respiração – afinal lembra-se que, na última vez, eles não funcionaram. 
3.º Bebé – A mãe pede para tomar a epidural no 8.º mês porque se lembra que dói muito. 

O guarda-roupa 
1.º Bebé – Lavam-se as roupas que oferecem ao bebé, arrumam-se de acordo com as cores e dobram-se delicadamente dentro da gaveta. 
2.º Bebé – A mãe vê se as roupas estão limpas e só deita fora aquelas com manchas escuras. 
3.º Bebé – Os meninos podem usar rosa, não é? Afinal o seu marido é liberal e tem certeza que o filho vai ser macho como o pai! 

Preocupações 
1.º Bebé - Ao menor suspiro do bebé, o pai e a mãe correm para o pegar ao colo. 
2.º Bebé – Os pais pegam no bebé ao colo quando os gritos ameaçam acordar o irmão mais velho. 
3.º Bebé – Os pais ensinam o mais velho a abanar o berço. 

A chupeta 
1.º Bebé - Se a chupeta cair ao chão, os pais guardam-na até que possam chegar a casa e fervê-la. 
2.º Bebé - Se a chupeta cair ao chão, os pais lavam-na. 
3.º Bebé - Se a chupeta cair ao chão, os pais passam-na na camisa, dão uma lambidela, passam-ma de novo na camisa, desta vez para dar secar e dão-na novamente ao bebé, porque o que não mata, engorda (vitamina B, de Bicho, off course!). 

Muda de fraldas 
1.º Bebé - Trocam as fraldas de hora a hora, mesmo que elas estejam limpas. 
2.º Bebé - Trocam as fraldas a cada duas ou três horas, se necessário. 
3.º Bebé - Tentam trocar a fralda apenas quando as outras crianças começam a reclamar do mau cheiro. 

Banho 
1.º Bebé - A água é filtrada e fervida e a temperatura medida com o termómetro. 
2.º Bebé - A água é da torneira e a temperatura é fresquinha. 
3.º Bebé - É enfiado directamente debaixo do chuveiro à temperatura que vier, porque a mãe, o pai e os avós foram criados assim e ninguém morreu de frio. 

Actividades 
1.º Bebé - Levam o bebé às aulas de música para bebés, ao teatro, à narração de histórias, à natação, ao judo, etc. 
2.º Bebé - Levam o filho à escola e vá lá... 
3.º Bebé - Levam o filho ao supermercado, à padaria, à manicura... 

Saídas 
1.º Bebé - A primeira vez que saem sem o filho, ligam cinco vezes para casa para saber se ele está bem. 
2.º Bebé - Quando estão a abrir a porta para sair, lembram-se de deixar o número de telefone à empregada. 
3.º Bebé - Mandam a empregada ligar só se vir sangue. 

Em casa 
1.º Bebé - Passam boa parte do dia só a olhar para o bebé. 
2.º Bebé - Passam algum tempo a olhar para as crianças só para ter certeza que o mais velho não está a apertar, a morder, a beliscar, a bater, a brincar ao super-homem com o bebé,  a amarrar um saco de plástico do Continente ao pescoço dele ou a atirá-lo de cima do sofá. 
3.º Bebé - Passam o tempo todo a esconderem-se das crianças. 

Engolir moedas 
1.º Bebé - Quando o primeiro filho engole uma moeda, correm para o hospital e pedem um raio-X. 
2.º Bebé - Quando o segundo filho engole uma moeda, ficam atentos até ela sair. 
3.º Bebé - Quando o terceiro filho engole uma moeda, descontam na mesada dele. 
 
 
(autor desconhecido)