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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Ainda a propósito do dia da Mulher

A Sara é uma amiga daquelas que conhecemos por acaso e com quem descobrimos imensas afinidades. No nosso caso a afinidade começou pelos livros e tem-se espalhado, devagarinho e aos poucos, a outras coisas. E este é um lado tão bom, mas tão bom, de ter um blog. As amizades que nascem aqui (curioso que ainda ontem a Chic'Ana falava sobre as Amizades Virtuais) E eu considero-me, confesso, uma privilegiada. Tenho descoberto pessoas fantásticas, amigas presentes, pessoas fabulosas. A Sara é, sem dúvida, uma delas.

Ora a Sara tem um filho de cinco anos. E contou-me o que ele fez ontem, no dia da Mulher. Deixo-vos as palavras dela que contam, melhor do que eu, este momento ternurento. 

Ontem o meu filho aprendeu um pouco mais. Aprendeu que era o Dia da Mulher, as diferenças entre o tempo das nossas avós e os dias de hoje. E ficou zangado porque "se fosse dantes, a mãe não podia andar a passear com ele e com o pai, nem ir ao café e isso é muito injusto!". Não acha justo que as mulheres ficassem a trabalhar em casa.
Ontem, teve de fazer um desenho para uma mulher da vida dele. E fez. E não era para a mãe, ao contrário dos amiguinhos dele. Ele fez um desenho para a avó que, por acaso, foi comigo buscá-lo à escola. Mas quando lhe disse para lho entregar, ele olhou para mim como se eu tivesse dito a maior barbaridade do mundo e disse "Não é para esta avó! É para a avó Matilde!" A avó Matilde é a minha avó, sua bisavó, que, com 93 quase 94, já está acamada mas com a cabeça a funcionar muito bem. Que ele cumprimenta e acaricia, nem sempre recebendo algo em troca, nos dias em que ela se sente mais em baixo.
Fomos a casa dela, entregar-lhe o desenho. "Feliz dia da Mulher, avó! Este desenho é para ti porque és uma mulher da minha vida e já és velhinha e dantes não podias fazer as coisas que as mulheres agora podem fazer e tinhas de ficar sempre em casa a tomar conta dos filhos!" Ficámos sem palavras com a explicação dele... A minha avó deitou uma lágrima. De alegria por o bisneto se lembrar dela, por ser uma das suas mulheres, por toda a explicação que ele deu. "Meu amor, é preciso tão pouco para ser feliz", disse ela.

Como me disse a Sara, ainda há esperança!

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