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StoneArt Portugal

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Eu e os meus livros. Sejam bem vindos a esta minha casa.

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Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Eu e os meus livros. Sejam bem vindos a esta minha casa.

aos pais que perderam os seus filhos

 

 

 

Morreu ontem o filho que Judite de Sousa “sempre quis e que sempre me quis”. Para além do André, morreram pelo menos mais três crianças, das quais acredito que os pais e mães pensam da mesma maneira.

 

Como mãe não consigo sequer imaginar a dor que estes pais, mais ou menos conhecidos, sentem ao perder um filho. Calculo que seja uma dor inimaginável, uma situação contra-natura.

 

Nem quero tentar escrever uma palavra que seja de conforto porque não há palavra alguma no mundo que sirva esse propósito. Por essa razão transcrevo o poema “Funeral Blues” escrito em 1936 por W.H.Aundem e que a TVI ontem mostrou no telejornal (em inglês) como homenagem a todos os pais que perderam os filhos que sempre quiseram e que sempre os quiseram.

 

(versão original)

FUNERAL BLUES

Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.

Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead,
Put crêpe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.

He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever: I was wrong.

The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood;
For nothing now can ever come to any good.


(em português)
BLUES FÚNEBRE

Parem todos os relógios, desliguem o telefone,

Impeçam o cão de latir com um osso enorme,
Silenciem os pianos e ao som abafado dos tambores
Tragam o caixão, deixem as carpideiras carpir suas dores.

Deixem os aviões aos círculos a gemer no céu
Rabiscando no ar a mensagem Ele Morreu,
Ponham laços crepe nas pombas brancas da nação,
Deixem os sinaleiros usar luvas pretas de algodão.

Ele era o meu Norte, meu Sul, meu Este e Oeste,
Minha semana de trabalho, meu Domingo de festa
Meu meio-dia, meia-noite, minha conversa, minha canção;
Pensei que o amor ia durar para sempre: foi ilusão.

As estrelas já não são precisas: levem-nas uma a uma;
Desmantelem o sol e empacotem a lua;
Despejem o oceano e varram a floresta;
Porque agora já nada de bom me resta.

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