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StoneArt Portugal

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Eu e os meus livros. Sejam bem vindos a esta minha casa.

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Arrogância

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Não gosto de pessoas arrogantes nem de atitudes arrogantes. Admito que o problema seja meu, mas é assim que me sinto. E ainda gosto menos quando essas pessoas e/ou atitudes vem de gente que devia pensar duas vezes antes de o fazer.

Ontem o meu cunhado veio almoçar comigo e, resolvemos variar. Fomos almoçar a um restaurante aqui perto onde raramente vou. E, depois de ontem, dificilmente lá voltarei.

Quando chegamos, as mesas, no interior, estavam todas vazias. Eu sabia o que ia comer e, assim que nos sentamos, e um dos empregados veio ter connosco, pedimos logo. Ele foi-se embora e, entretanto, começaram a chegar mais clientes. Até aqui tudo normal, pois claro.

O problema começou quando começamos a ver as outras mesas a receber as bebidas pedidas. Chamamos o empregado, perguntamos porque é que ainda não tínhamos as bebidas e o rapaz, muito atrapalhado, pediu muitas desculpas e foi buscar as nossas limonadas.

Passados uns minutos começamos a ver as outras mesas a receberem a comida. E nós só com as limonadas. Chamei, mais uma vez, o empregado e perguntei por que razão todos estavam a comer, menos nós que até tínhamos sido os primeiros a sentarmo-nos à mesa e a fazer o pedido. Veio o dono do dito restaurante ter connosco e explicou que não tínhamos razão, que os pedidos são atendidos por ordem de chegada e que a nossa comida haveria de chegar.

Atitude bonita!…

Não, eu não defendo que o cliente tem sempre razão – porque a verdade é que nem sempre tem – mas há maneiras e maneiras de dizer a mesma coisa. Além de que, e isto é que me deixou ainda mais irritada, o senhor nem se deu ao trabalho de ir verificar o que se passava.

Passei-me! E, como dizem os brasileiros, desci do salto, rodei baiana e atirei-me. Mas com a minha educação britânica que não me apetecia fazer uma cena de faca e alguidar. Respirei fundo e disse-lhe: ouça-me, nós fomos os primeiros a entrar e a fazer o pedido. Pedimos, ambos, a sugestão do chefe tal como a mesa aqui ao lado que chegou muito depois. E o homem, com o seu ar arrogante, insistia: mas o vosso pedido foi registado depois! Ao que lhe respondi: vou explicar outra vez, mais devagarinho e vou falar em português: Nós fomos os primeiros a pedir.

Interrompe-me o senhor com a sua arrogância: a senhora não está a perceber!

Perfeito. Primeiro diz a uma cliente que não tem razão e depois ainda que ela não percebe! Tudo boas práticas no atendimento ao público, seguramente. Eu é que sou burra.

Aqui foi-se a educação britânica e o mau feitio prevaleceu. Falei mais alto – sem gritar (o que foi um esforço grande) e tentei mais uma vez – quem não está a perceber é o senhor! Já lhe expliquei que pedimos antes de toda a gente que está aqui sentada e que já está a comer enquanto nós temos apenas as bebidas porque chamei a atenção do seu empregado. Quer que lhe faça um desenho?

E responde o anormal: vou já ali buscar o registo dos pedidos para a senhora ver que eu tenho razão.

Teria sido tão mais bonito e mais educado dizer que ia buscar o registo dos pedidos para confirmarmos o que se passou…

Curiosamente – ou então não – o palerma arrogante não voltou à mesa. Eu vi que ele tinha pegado nos registos e voltado a pousar. Achei eu, na minha boa-fé, que o mínimo seria um pedido de desculpas, quer pelo atraso quer pelas atitudes menos próprias. Pois que não. Pois que, quando fomos pagar a conta, ofereceu os dois cafés e disse apenas – não sei o que se passou com o seu pedido mas oferecemos estes dois cafés como compensação pelo atraso.

Senhores… fiquei sem vontade de ali voltar! E, enquanto me lembrar da arrogância com que fui atendida, seguramente não irei. É que, nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Quem atende clientes não tem de se rebaixar constantemente nem tem de dar sempre razão ao cliente – mesmo quando não a tem. A única coisa que tem a fazer é saber falar, averiguar os factos antes de dizer o que quer que seja e mesmo tendo toda a razão… saber dizê-lo sem ser arrogante!

Bom, na verdade, não é só quem atende clientes que não deve ser arrogante. A arrogância é, talvez, das piores características que um ser humano pode ter e a que mostra menos respeito pelos outros.

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