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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

As chamadas do Nilton

Quem me conhece sabe que sou uma moça de riso fácil, que adora rir, que vai rapidamente às lágrimas com o riso e para quem as melhores séries e filmes têm de ter uma parte de humor, por mais sérias e dramáticas que sejam. Quem me conhece também sabe que estou sempre pronta a rir-me dos disparates que cometo – até porque só depois de me rir de mim é que me posso rir dos outros.

Mas… há um limite. E esse limite é passado quando as pessoas estão a dar o seu melhor no local de trabalho e são confrontadas com chamadas falsas. Para além da linha estar a ser ocupada para brincadeiras quando poderia ser usada para questões sérias, está-se a gozar com quem está a tentar prestar um serviço. E o Nilton faz isso quase diariamente, na RFM e há quem aplauda.

Há uns tempos atrás foi uma chamada para uma esquadra de polícia. Não me recordo da situação em que a polícia foi colocada mas a verdade é que, nos 10 a 15 minutos que a chamada demorou, esteve um agente da autoridade a ser gozado por um (pseudo) humorista e esteve uma linha telefónica ocupada. Imaginem que alguém tentava, nesse período, ligar para a esquadra para fazer queixa dum crime? Não o podia fazer porque o Nilton estava a brincar.

Hoje foi uma chamada para um call center duma qualquer empresa de telecomunicações. Nilton, usando a piada fácil, dizia que tinha posto uma música que “não me toca” do Anselmo Ralph e que não percebia o que se passava. O rapaz (palmas para ele que agiu sempre com a maior das calmas) tentava explicar o que deveria fazer para que a música tocasse, mas Nilton insistia que a música “não me toca”. Não teve, quanto a mim, a menor piada (pode ser defeito meu, e até admito que sim) e senti que o rapaz estava a ser gozado duma forma baixa e sem qualquer razão para isso. Isto não é humor. É gozo.

Todos sabemos de histórias passadas em call centers, com clientes que não se explicam, não entendem, não sabem o suficiente para conseguir fazer as coisas mais básicas. Eu também sei algumas e já fui protagonista noutras – quem lida, diariamente, com público, tem sempre uma ou outra história divertida para contar. A essas eu acho piada e até me rio – mais uma vez, acho que tenho o direito de me rir com elas porque também me rio quando sou eu a cometer o disparate. Em nenhum destes casos a situação é provocada para colocar o outro em desvantagem, são situações reais.

Nilton, nunca irás ler isto, ou muito dificilmente o farás. Mas gostava que soubesses que, a mim, o que não me toca, não é o som do telemóvel. São estas piadas sem graça, em que gozas com quem está a prestar um serviço. Já um dia gostei de te ouvir, hoje mudo a rádio quando te ouço. Volta a ser o humorista que eras e, de certeza, que terás muito mais sucesso. Experimenta. Não é difícil.

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