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StoneArt Portugal

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Eu e os meus livros. Sejam bem vindos a esta minha casa.

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Carta ao meu nariz

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Caro Nariz

apesar de estarmos juntos à mais de 16.436 dias - por isso acredito que te posso tratar por tu - esta é a primeira vez que te escrevo.

Quase desde sempre que me lembro de, de vez em quando, me deixares assim. Fosse no Verão ou no Inverno, na Primavera ou no Outono, a verdade é que eu, tu, e os lenços de papel, sempre fomos inseparáveis. Uns dias mais que outros, mas a verdade é que passavam sempre alguns dias, muitos, entre cada vez que me dizias - Estou aqui, não te esqueças de mim. Sem saberes, claro, que nunca me iria esquecer, já que, sem ti, não poderia respirar. E sabes, habituei-me de tal modo a respirar que já não vivo sem isso. Manias, que queres. Com esta idade já posso ter manias, não é?

Mas, se era só de vez em quando que me pregavas partidas e pedias toda a minha atenção, agora a verdade é outra. São raras as vezes em que não me fazes andar a gastar lenços de papel como se não houvesse amanhã, a tomar anti-histamínicos constantemente e a precisar de usar gotas para te desentupir. Alturas há em que penso pegar em dois tampões e meter um em cada narina para apanhar a aguadilha que cai sem dar sossego, seja de dia seja de noite.

Andas tão ansioso por seres apertado pelos lenços de papel que nem me deixas dormir uma noite descansada... mesmo que tenha tomado o Zyrtec que, normalmente, me faz dormir 12 a 13 horas seguidas...

Querido nariz, gostava que soubesses que gosto de ti, tanto como gosto de mim mas que tenho esta mania de querer respirar. É uma mania, eu sei, provavelmente conseguiria viver sem isso mas acho que tal não é possível. Já pensei seguir o exemplo do Voldemort mas não me queria separar de ti. Se calhar sou pateta mas acho que a nossa relação pode ser salva se houver, da tua parte, um esforço. Um pequenino esforço em me deixar respirar normalmente, que não me faça andar sempre de lenço de papel a apertar-te e que não me leve a quase te arrancar a pele (coisa que eu acredito que também não gostes mas é complicado não o fazer). É um pequeno esforço que te peço em nome dos dias que já passamos juntos e dos dias que ainda podemos passar juntos.

Peço-te ainda que não me obrigues a espirrar tanto. Como sabes, os meus espirros vem lá do fundo da barriga e quase que me sinto a desconjuntar cada vez que dou um. Ainda por cima espirro alto. Muito alto. E tu, de vingança, não te satisfazes com um, são logo cinco ou seis de cada vez (quando não são mais). Estou para ver o dia em que sais disparado da minha cara por causa dum espírito.

Meu amigo nariz, pensa, por favor, nos meus pedidos, acho que não estou a pedir demais. Em troca prometo amar-te e estimar-te, como se de mim própria se tratasse.

A tua

Magda

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