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StoneArt Portugal

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Eu e os meus livros. Sejam bem vindos a esta minha casa.

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Coisas de salas de espera

Nas últimas três semanas - por causa do maridão e do seu bypass coronário (na verdade foram dois e de peito aberto, assim como os frangos) - acabei por passar algumas horitas em salas de espera de hospitais. Primeiro no Hospital de Santa Marta onde o jovem foi operado e esteve internado uma semana. E este fim de semana no Hospital do Barreiro, uma vez que o rapaz teve dores de tal modo intensas que teve de ficar em observação (confesso que começamos por pensar no pior mas felizmente não passou dum susto).

Mas antes...

Na semana anterior à operação fomos ao Hospital de Santa Marta falar com o cirurgião. E eu, que sou pessoa muito séria e que raramente se ri (ou então não) passei o tempo a tentar conter-me para não rir à gargalhada. E tudo porque estava lá um doente com complexo de eco. Confusos? eu explico. Cada médico, na sua sala, chamava o doente:

- José Manuel

e o dito senhor repetia:

- José Manuel

Outro médico chamava:

- Maria Joaquina

e o dito senhor repetia:

- Maria Joaquina

Enfim... foi a manhã toda assim.

Depois veio o dia do internamento e da operação. Foi-nos tudo bem explicado como vos disse e na terça o homem lá foi. Disseram-me para esperar que fosse chamada ao pé dos cuidados intensivos e eu levei o meu livro e lá me sentei. A partir das cinco a sala de espera começou a escurecer e mais pessoas a chegarem - as visitas eram das 17h às 18h, mas era necessário tocar à campainha e esperar que alguém viesse abrir a porta. Estava lá tudo bem explicado assim como estava explicado que bastava tocarem uma vez. Mas quem chegava tocava várias vezes e se alguém saia queriam logo entrar sem esperar. Assim como se esqueciam que só podia entrar uma pessoa de cada vez e queriam entrar todos ao mesmo tempo - o que, obviamente, fazia todo o sentido numa Unidade de Cuidados Intensivos!

Tentei nunca dizer nada mas confesso que me irritavam as pessoas que chegavam, desatavam a tocar como se não houvesse amanhã e tentavam desrespeitar as regras. E o mesmo na enfermaria. Há regras, estão expressas. Qual a dificuldade em cumprir? 

Falemos agora neste último fim de semana e no Hospital do Barreiro. Antes de irmos ligamos para a Saúde 24. Afinal não sabíamos se seriam dores normais ou não ou o que deveríamos fazer. Foi um instante enquanto a enfermeira de serviço nos disse que sim, era preciso ir ao Hospital. Ela enviou o fax, nos enfiámo-nos no carro e lá fomos. Fizemos a inscrição e cinco minutos depois fomos chamados para a triagem. Ainda na triagem o marido foi logo colocado numa maca e a enfermeira pediu-me que esperasse cá fora que me haveriam de chamar. E eu lá fui, sentei-me na cadeira e fui observando. 

Um homem aos berros, cujo problema que o levava ao hospital era não ter conseguido dormir queria, por força, que a administrativa que tinha feito a inscrição, lhe passasse um medicamento para dormir ou que chamasse a psiquiatra. Outros queriam passar à frente na triagem. Enfim...

Depois lá fui chamada e o médico lá me descansou - que não era nada de cuidados, mas que preferiam que ele ficasse em SO para descartar todos os problemas. Muito bem, perguntei como funcionavam as coisas e ele lá me explicou. Vim embora tranquila e voltei, mais tarde, para a visita. Perguntei onde se ia buscar a senha, explicaram-me e fui para a fila buscar.

A fila... que dava uma volta. Dois ou três seguranças a distribuir senhas para as visitas de todos os pisos do hospital. São poucos, é verdade, mas são os que estão lá. Algumas pessoas na fila discutiam, barafustavam porque o tempo estava a passar, assim não iam estar tempo nenhum com os doentes, que lentos, e que assim e assado. Caramba, os seguranças estavam a fazer o trabalho deles, não são eles que tem a culpa se são poucos, então porque descarregar neles? não faz sentido...

Depois a sala de espera para entrada no SO. As visitas são chamadas uma a uma pelo nome do doente e só pode entrar uma. Tudo bem explicado quando se recebe a senha no segurança e tudo bem explicado nos quadros à volta da sala - só duas visitas e uma de cada vez. Então porque raio é que discutem com quem está a chamar as visitas porque querem entrar dois de cada vez?

Enfim...

No dia a seguir, domingo, o rapaz teve alta. Falamos com o médico, com a enfermeira e enquanto o médico passava a alta eu fui ao carro buscar a roupa para ele vestir. Cheguei às urgências, como me explicaram, e falei com o segurança que me pediu que esperasse. Enquanto esperava fui observando.

Uma senhora cujo marido tinha acabado de entrar queria porque queria entrar com ele. O segurança explicou - várias vezes - que só podia entrar o doente, que o médico ou a enfermeira chamariam os familiares se fosse preciso e a senhora insistia - mas eu quero entrar! - e o segurança repetia a explicação. Quando ele se virava para falar com outra pessoa... a senhora tentava entrar à socapa. Senhores!

Uma jovem, sentada no chão, quase a dormir. Meia hora que estive sentada na sala de espera enquanto o segurança esperava que lhe dessem a ordem para levar a roupa ao marido e a jovem esteve sentada quase a dormir, no chão do hall de entrada do hospital. Finda essa meia hora o telemóvel da moça tocou e com esse toque começou um ataque de tosse. Dizia ela ao telefone: estou aqui farta de tossir, não consigo parar e não me chamam para ser vista pelo médico. Até me deram uma pulseira verde... - como é que diz que disse? eu só a ouvi tossir quando o telefone tocou, antes disso estava era quase a dormir - e depois ainda disse: é que eu sou alérgica à lixivia e estive a limpar o quarto com lixivia - a sério? sabe que é alérgica e usa? eu sou alérgica, cá em casa a lixivia não entra. Há outros produtos que também limpam e não me deixam doente!

Enfim...

E por fim, a parte hilariante. Os tempos de espera que estavam no ecran do hospital e que me fizeram rir com gosto:

Doentes urgentes - 103 minutos

Doentes não urgentes - 19 minutos.

Faz sentido...!

 

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