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StoneArt Portugal

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Eu e os meus livros. Sejam bem vindos a esta minha casa.

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Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Eu e os meus livros. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Despedida

despedidas.jpg

Foi uma viagem silenciosa: nem o rádio tinha ligado. Nenhum de nós queria falar, por isso apenas comunicávamos por relances deitados um ao outro. A bagageira do carro estava cheia com as malas dela mas, mesmo assim, havia malas no banco de trás.

Quando chegamos ao terminal dos autocarros suspirei. Neste último ano a única constante tinha sido o medo. Medo de quê? Medo deste dia. O dia em que ela se iria embora.

Pousamos as malas no chão do terminal, onde ficaram num amontoado. Estranhos passavam por nós, apressados, sem sequer nos olharem. Apenas nós estávamos conscientes um do outro. Uma voz soou nos altifalantes e essa voz chamava por ela: "É neste que eu vou", disse ela, olhando para os pés ao proferir as primeiras palavras naquela manhã. Senti o coração a apertar-se: "Eu sei", disse, agarrando nas malas e levando-as até ao autocarro para onde ela subiu hesitante, dirigindo-se ao seu lugar, junto à janela.

Com um gesto das mãos pedi-lhe que abrisse a janela. Não podia simplesmente deixá-la ir, sem me despedir. Ela inclinou-se para fora da janela e eu aproximei a minha cara da dela, olhando-a nos olhos.

Sem aviso, ela beijou-me e, com a sua testa encostada à minha, suspirou: "vou ter saudades". Senti a garganta a ficar apertada e virei a cara, quase a chorar. Ela percebeu, e fechou a janela, enquanto eu corria de volta para o carro.

Autora: a minha gaiata de 14 anos!

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