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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Erasmus+

Foi pouco tempo antes do Natal de 2015 que a minha gaiata chegou um dia a casa e comunicou-nos que se tinha inscrito no programa Erasmus da escola. Na altura a pequena (que é maior que eu mas pronto) tinha 14 anos e lembro-me de que pensei: Mas porque é que, no 9º ano, ela se está a inscrever para um programa da faculdade? Claro que lhe fiz essa pergunta e ela riu-se e disse que não, que era um programa de dois anos na escola onde estava e que implicaria que iria estar no estrangeiro uma semana, num qualquer pais que fizesse parte do programa e que, no ano seguinte, seria a nossa vez de acolher uma estudante estrangeira na nossa casa pelo mesmo período.

Ser mãe nos dias de hoje não é uma tarefa fácil (se é que alguma vez foi). Com atentados terroristas a acontecer em diversas partes do mundo, saber que os nossos filhos vão sair debaixo da nossa asa não é agradável. Mas, infelizmente, a verdade é que tudo pode acontecer em todo o lado e só nos cabe a nós, pais, prepara-los para que eles saibam como agir em cada situação.

Portanto, corações ao alto e, em Abril de 2016 lá foi a minha Maggie até à Turquia, para Antalya passar uma semana que correu lindamente. Ficou em casa da Selen, uma turca simpátiquíssima (ao contrário duma amiga dela que ficou colocada na casa duma turca que era antipática).

Foi uma experiência muito boa para todos os envolvidos. Creio que todos os adolescentes cresceram – psicologicamente e emotivamente – numa semana mais do que o expectável. Durante o dia tinham actividades em grupo onde estavam com alunos de outros países mas, ao fim do dia, iam para as famílias de acolhimento, sem os professores ou os colegas e, basicamente, tinham de se desenrascar.

Ajudou-os imenso! A todos sem excepção. As boas e as más experiências dessa semana foram lições de vida que, muito dificilmente, poderiam obter doutra forma.

A semana passada foi a nossa vez de ter duas estudantes em casa. Inicialmente seria a Selen (onde a Maggie tinha passado uma semana) mas o pai não permitiu que a filha saísse do país. Portanto recebemos a Sheila (da Alemanha) e a Ioanna (da Grécia). Tivemos sorte – ao contrário da Sandra – porque nenhuma delas tinha alergias, comiam de tudo e ajudavam no que fosse preciso. Mais uma vez, para as estudantes – a minha filha e as suas hóspedes – uma experiência inigualável.

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(a minha Maggie, logo atrás a Ioanna, a seguir a Sheila e depois a Joana. O rapaz é o Hugo)

O grupo total era de cerca de 85 pessoas, entre estudantes e professores. Portugueses (claro!), turcos, gregos, alemães, lituanos, italianos e ucranianos.  Entre actividades escolares e com as famílias de acolhimento, assim se passou uma semana.

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(o grupo completo na Serra da Arrabida)

No nosso caso – ou seja, eu, a Sandra e mais dois pais – levamos as nossas hóspedes a Cascais para comerem um gelado na Santini, à Boca do Inferno e ao Oceanário. Ficaram encantados com as visitas e com o apoio que demos.

No dia 2 a minha filha comemorou o seu 16º aniversário. E um dos gregos também fazia anos. Apesar de todos estarem cansados, optamos por uma saída em grupo. 18 adolescentes e quatro pais. Uma viagem de barco, um bar em Lisboa. A canção de parabéns cantada em português, grego, alemão e turco. Aquela velha tradição portuguesa do aniversariante morder a vela a ser cumprida por um grego e uma portuguesa. Mas, acima de tudo, uma experiência nova para uma das miúdas turcas que nunca tinha saído à noite. E para outra que nunca tinha ido a um bar.

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(os aniversariantes e o Hugo no meio)

Experiências novas. O Eramus+ é precisamente uma excelente oportunidade para novas experiências. Para criar laços que perduram. Para aprender. Para descobrir que é possível crescer ainda mais.

Falei com as minhas hóspedes sobre o que esperavam do Erasmus+ e sobre as razões que as tinham levado a inscrever-se. Ambas se inscreveram pela possibilidade de viajar, de conhecer outras culturas e países ainda que num ambiente escolar. A Ioanna disse-me que a experiência foi muito melhor do que esperava. Foi uma experiência para a vida foram as palavras dela. A Sheila comentou que achava que a semana ia ser uma seca por causa das actividades escolares mas que, afinal, lhe parecia – no último dia – que a semana ainda agora tinha começado. Para onde foram os dias?, foi o que me disse.

Questionei ainda as três – Ioanna, Sheila e Maggie – se gostavam de repetir. Foram unânimes. Em sendo possível, vão-se voltar a inscrever. Apoio, sem qualquer restrição, esta opção da minha filha, mesmo sabendo que não sei em que país poderá vir a calhar.

Em conversa com uma das professoras gregas (e que me disse que, das várias visitas feitas já ao abrigo do Erasmus, foi nesta visita a Portugal que foi melhor recebida), parece que – lá como cá – muitos pais pensam que este programa é uma parvoíce e uma perda de tempo.

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 (os pais e o professor grego). As mães ficaram noutra foto que não apareceu ainda

Não consigo concordar. A aprendizagem dos jovens não pode – nem deve – ser feita apenas em ambiente escolar. Um programa como o Eramus+ dá uma preparação para a vida adulta que não se consegue obter doutra forma.

Termino (que isto vai longo) com um conselho a todos os alunos. Se tiverem oportunidade, inscrevam-se neste programa e vão ver que não se arrependem. E aos pais, deixem os vossos filhos participar. Sem medos ou receios. Vão ver que vale a pena.

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(uma boa parte dos alunos participantes na festa de despedida na sexta feira)

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