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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Eu não sou Charlie Hebdo

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Ou, se calhar, o mais correcto é dizer que eu não sou só Charlie Hebdo. É que eu também sou Ahmed, o policia muçulmano assassinado com um tiro na cabeça enquanto pedia ajuda. Sou um ser humano que morreu nas Cruzadas Cristãs. Sou também aquele ser humano que se atirou do último andar das Torres Gémeas para não morrer queimado. E também sou aquele que foi queimado nas fogueiras da inquisição. Mas também sou outros.

Porque, além de Charlie Hebdo, sou também todos aqueles que, um dia e desde o primeiro dia em que o ser humano existe, morreu às mãos de fanáticos, intolerantes e extremistas de todas as religiões e politicas que existiram (e existem). Porque o fanatismo, o extremismo e a intolerância é criação do Homem e não da religião ou da politica. Só seres acéfalos e sem qualquer vestígio de humanidade cometem crimes – como o de ontem ou dos outros dias – em nome de um Deus que não o exige.

(e depois há outros seres acéfalos como o tristemente celebre Gustavo Santos que eu desconhecia até ontem e que consegue, em meia dúzia de frases, tornar-se tão acéfalo como os outros).

Não há nenhuma religião no mundo que tenha, na sua génese, a violência contra outros seres. E o que se passou ontem, não pode justificar o ódio a uma religião. Dizer que a culpa do massacre de ontem é do Islão e olhar, de lado, para todos os que professam essa religião por causa de ontem (e até ter medo deles) é o mesmo que olhar de lado para quem é cristão por causa da inquisição ou das cruzadas.

Hoje, por todos aqueles que morreram ontem e sempre, eu sou pela liberdade de expressão e pela possibilidade de professar uma qualquer religião sem medo do que possam pensar de mim. E isso ultrapassa ser só Charlie Hebdo.

 

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