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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Não dou dinheiro

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a sem abrigos e/ou pedintes. Não o dou e não me sinto pior pessoa por isso.

E não dou porque, aqui há uns anos, uns valentes anos, estava na varanda da minha casa a estender roupa e vi sair uma invisual dum carrão daqueles que poucos têm dinheiro para comprar. Até aqui tudo tranquilo, não fosse o caso de, passados alguns minutos, a mesma invisual me estar a bater à porta a pedir dinheiro porque não conseguia alimentar os filhos… Além de não lhe ter dado dinheiro confesso que me apeteceu mesmo foi dar-lhe com uma panela na cabeça. Limitei-me a fechar a porta e jurei que não voltaria a dar dinheiro.

Sim, já sei que ides todos dizer que não são todos iguais e que alguns precisam mesmo.

E eu até acredito, não julgo todos pela mesma bitola, mas dinheiro não dou.

Dou alimento. Dou comida. Se estou num café ou num restaurante, convido a pessoa a comer um prato de sopa ou uma sandes – dependendo da hora. Pago – quando posso e se posso – a refeição completa se for preciso.

(no outro dia, estava eu a comer um cozido á portuguesa quando um romeno entrou a pedir dinheiro. Disse-lhe que lhe pagava uma sopa e ele aceitou. Mas depois olhou para o meu prato e disse – nunca provei, é bom? E eu disse-lhe: então é altura de provar. Disse-lhe para se sentar numa mesa e pedi que lhe servissem o prato de cozido e uma bebida – ele quis água. A alegria nos olhos dele foi todo o pagamento que precisei, se bem que o homem me agradeceu vezes sem conta enquanto comia)

Dou comida. Não dou dinheiro. E até dou carinho.

(aqui há uns anos, fui a Braga e, no café, um senhor pediu-me uma sandes porque tinha fome. Pedi que o servissem e, enquanto comia a sandes, o senhor ia-me contando que aquela sandes era a melhor prenda de aniversário que podia ter. Fazia anos naquele dia e até me mostrou o BI para comprovar. Dei-lhe um beijo na cara, os parabéns, e pedi que embrulhassem mais duas sandes e um bolo para que ele pudesse comer mais qualquer coisa naquele dia. Mais uma vez a alegria nos olhos do senhor foram, para mim, todo o agradecimento que precisava, apesar dele me ter dito, centenas de vezes, obrigado).

E se algum pedinte fica ofendido – como já me aconteceu – por lhe dizer que só lhe dou comida, então, na minha opinião, é porque não precisa de ajuda. Porque a comida alimenta e o dinheiro pode ser usado para tudo, menos para aquilo para que alegadamente, é pedido.

Por isso não dou dinheiro. Dou comida. E isto é ser solidário.

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