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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

No Blog com... Ana Borges

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A Ana Borges, que Viaja. Porque sim., tem um Gene de Traça, e um'A vida e outros acasos vem hoje falar sobre ela:

Nem de propósito, cruzei-me com esta citação de Camus n’ “O mito de Sísifo”: “não é fácil tornarmo-nos no que somos, descobrirmos a nossa medida profunda”.

Eu sou uma contradição. Uma apaixonada realista, com a cabeça permanentemente nas nuvens, mas com os pés na terra. Acredito que não há impossíveis, mas sei que certas coisas serão pouco prováveis. Creio firmemente na ordem natural das coisas e que na natureza está tudo ligado, mas também tenho a certeza de que existe uma explicação racional para tudo o que parece inexplicável – nós é que ainda não a conhecemos.

Tenho um lado solar e um lado lunar. Tento que o solar prevaleça, mas nem sempre consigo. Mesmo assim, sou uma optimista incorrigível, prefiro olhar para o lado positivo das situações e procurar o melhor que há nos outros. Torno-me chata quando quero que os outros vejam as coisas como eu e insisto para que se superem a si mesmos. Sou teimosa e muitas vezes intransigente. Fácil às vezes, difícil muitas mais. Observadora, intuitiva, organizada, versátil.

Leio, escrevo, desenho e danço desde que me lembro de ser gente. A estas paixões foram-se somando outras com o correr dos anos: as viagens, as línguas, a fotografia, o cinema, os trabalhos criativos. E as conversas com os amigos até altas horas, a comida que preparo com carinho, os passeios à beira-mar, o descanso nos braços de quem amo. Tanta, tanta coisa que as horas do dia não chegam para fazer tudo o que quero.

Já plantei uma árvore, já escrevi um livro e já tive um filho. A árvore ficou lá, no recreio do liceu onde andava; se ainda lá continua ou não, desconheço. O livro (uma coisa xaroposa que escrevi num Verão do início da minha adolescência e obviamente nunca viu a luz do dia) perdeu-se numa qualquer confusão de mudanças ou arrumações. O filho, esse é o meu orgulho, a minha melhor “obra” (embora não exclusivamente minha), o meu legado para o futuro – porque tudo o resto tem uma importância apenas transitória.

1. Deixada pela Cláudia: Indica-nos uma música muito especial na tua vida.
O meu filho, muito pequenino, a cantar (com gestos) uma música que tinha aprendido no jardim-de-infância, a “Bolinha de Sabão”, e que terminava assim: anda cá minha bolinha, poisa aqui na minha mão, não há coisa mais bonita, que uma bola de sabão. Na altura ainda não tinha máquina de filmar, por isso é um momento que só ficou gravado na minha memória, e no meu coração.
E noutra ocasião, há alguns anos, estar a almoçar ao ar livre num pequeno restaurante em Tortuguero (na Costa Rica) e ouvir em música de fundo o “Sodade” da Cesária Évora. Estar ali, a milhares de quilómetros de casa, num “mundo” tão diferente do nosso, e ouvir música cantada em português (mesmo não sendo por uma portuguesa), comoveu-me imenso.
2. Qual o balanço que fazes dos teus blogs?
Cada um dos meus blogs é muito específico e com uma finalidade diferente, e todos eles são fruto das minhas paixões. O “A vida e outros acasos” é o mais intimista e serve um pouco como exercício de escrita. O “Gene de traça” nasceu do meu amor pelos livros e pela língua portuguesa, aquele amor com que eu gostaria de contagiar os outros – e é também onde eu às vezes desabafo as minhas indignações. O “Viajar. Porque sim” é aquele onde eu sinto que sou realmente mais “útil” a quem o lê, e o que tem mais retorno, sobretudo através do Facebook. Já várias pessoas me pediram informações sobre algumas das viagens de que tenho falado no blog; recentemente recebi uma mensagem de um casal que estava na Costa Rica e me dizia que estava a seguir o meu roteiro e a aproveitar muitas das minhas sugestões – naquele preciso instante estavam a escrever-me de um sítio lindíssimo onde eu tinha ficado alojada, e que eles tinham escolhido por causa da minha indicação. Isto deu-me uma satisfação enorme, sentir que o que escrevi foi útil para outras pessoas. E tenho pena de não ter mais tempo para escrever – porque cada post meu demora literalmente muitas horas a ser composto.
3. Como ocupas os teus tempos livres?
A fazer coisas de que gosto: ler, escrever, fotografar e “brincar” com as fotografias, cozinhar para os amigos e a família, conversar, passear a pé, visitar exposições e museus, dançar, ver filmes e séries, e sei lá mais o quê… E a escrever para os blogs, claro. O tempo livre nunca chega para tudo o que quero fazer.
4. Que género de textos gostas mais de escrever?
Depende do meu humor. Quando me sinto mais introspectiva, gosto dos textos que são mais intimistas ou filosóficos (filosofia de algibeira, mas pronto… é o que sai). Nas outras alturas prefiro escrever sobre coisas mais reais, como viagens ou livros. Também já fiz algumas (poucas) incursões pela escrita criativa, mas para isso tenho mesmo de estar muito, muito relaxada e sem nada em que pensar ou para fazer, o que obviamente é muito raro. 
5. Sem saberes quem é a próxima convidada, que pergunta lhe deixas?
Como te vês daqui a dez anos?
6. O que gostarias de me perguntar?
Qual é “aquele” sonho que ainda não realizaste?

Fazer um cruzeiro. Adorava fazer um cruzeiro, nem que fosse de apenas uma semana. É o único sonho que tenho por cumprir. Mas, por outro lado, realizei sonhos que nem sabia que tinha, por isso nem me importo muito.

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