Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

StoneArt Portugal

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Eu e os meus livros. Sejam bem vindos a esta minha casa.

StoneArt Portugal

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Eu e os meus livros. Sejam bem vindos a esta minha casa.

No Blog com... M.J.

Hoje vamos conhecer a M.J., autora do blog E agora? Sei lá... e do livro Chama-lhe Amor que eu tive o grato prazer de ler em primeira mão e de o apresentar no dia do lançamento. Já leram? não? Então ide rapidinho comprar para ler que vale bem a pena.

pressupõe-se que a MJ diga um monte de asneiredo numa cena destas, não é? que arreganhe os beiços e despreze estas coisinhas dizendo parvoíces como "oh, a M.J é a M.J. e está a cagar para estas merdas".

mas não.

não porque a M.J. gosta da Magda e está até bastante satisfeita com dez minutos de atenção onde pode dar asas ao narcisismo puro que lhe enche as estrias do joelho direito e esclarecer umas coisitas.

a M.J. é uma personagem, escrita por uma pessoa, com claras tendências de má criação e que reflecte em quase tudo o que é possível, dentro do socialmente aceitável, a pessoa que lhe dá voz. a M.J. sou eu ainda que eu não seja só a M.J. alguém que seja só a M.J. será incapaz de ter uma vida para além dos foda-se que lhe saem da alma, numa praga contra as merdas que assiste e não entende.

a M.J. é também a pessoa que a escreve. é aliás, a parte da pessoa que escreve que essa mesma pessoa mais gosta (profundo, não?). mas não é só. e talvez tenha sido isso que levou a mal entendidos e ataques à personagem: a confusão de que, contrariamente a muita gente, a personagem de um blog é integralmente alguém. não é, mas é também. (a pessoa que escreve a M.J. é quase toda as banalidades dos dias cinzentos que escreve e ninguém lê – ou lê alguém que lhe copiou o título.)

dúvidas? ide à tasca do lado.

  1. Deixada pela Maria Alfacinha. Porquê?

eu não conhecia a maria alfacinha. achava até um pouco triste que alguém quisesse ter um pseudónimo destes (não é ridículo alguém que diz as porcarias que eu digo achar triste seja o que for?) mas depois conheci alguém que conhece a maria alfacinha e de quem eu gosto muito, e foi, creio eu, através desse alguém que a maria começou a frequentar o tasco e a pedir umas bejecas nos intervalos, trocando dois dedos de prosa por entre os tremoços com a gerência. e a gerência passou a gostar dela. agora, todo este palavreado para o seguinte: porquê o quê?

  1. Os Maias é o teu livro favorito. Que te atrai tanto na história/escrita?

tudo. deliro com eça e se ele estivesse vivo fazia-lhe a corte largamente.

leio os maias todos os anos desde que tinha dezasseis. isto faz, fazendo-lhe as contas, umas doze vezes. li mais do que isso porque o estudei integralmente para exames. o meu exemplar dos maias está todo rabiscado, com anotações a lápis, caneta e gordura de dedadas de gente que todas as vezes que o lê não consegue fazer pausas para comer afastada dele.

o que me atrai sobretudo no livro? o facto de encontrar qualquer coisa nova que não havia reparado de todas as vezes que o li antes. o facto de me identificar com qualquer coisa que não me identificara antes. o facto de o livro se ajustar, de cada vez que lhe pego, a um pedaço da minha vida ainda que completamente distante da história principal. e o facto de me sentir quase dentro dele. não é como livros em que nos achamos quase um personagem. em que vimos como num filme o que é narrado. os maias, para mim, vai para além disso. é o regresso a uma casa que eu assumo como minha. a conversa com personagens que eu assumo como parte integrante da minha vida. e claro, os maias é o auge de esperança do “ainda o apanhamos” que eu sigo por mais vezes que proclame ao mundo que desisto.

os maias é uma aspiração plena de algo que eu nunca conseguirei escrever ou imaginar. nem sequer tentar, porque quando tentamos chegar a algo que achamos demasiado genial sentimo-nos ainda mais minúsculos e incapazes no que somos.

tal como agora, quando quero explicar o que me fascina e não consigo.

  1. E filme? qual é o filme que mais te marcou?

cinema paraíso. é quase banal mas foi visto numa altura em que a história, a música, o significado me fizeram sentir quase exposta numa cena de um filme. eu era o totó e nunca mais ia regressar apesar de ter regressado e sentir saudades, demasiadas quando não regresso.

  1. Há quem ache que a MJ é uma pessoa mais velha, com 40 e tal anos, uma mulher mais vivida. Se te perguntarem porquê é que as pessoas acham isto, que responderias?

não sabia que as pessoas pensavam isso. a M.J. sou eu e eu tenho vinte e oito anos. a M.J é a parte mais louca, mais desbocada, mais sem filtros de mim própria. a M.J. é também uma despejar de fantasmas e frustrações. eu vejo-a como a miúda que sou, farto-me de dizer isso, não entendo como alguém a pode ver mais velha.

(se esta fosse a parte em que tu me perguntavas o que dizem os meus olhos, eu responderia com um lugar comum, cheio de comoção e lágrimas: porque a M.J. sofreu bastante, viveu bastante e arrancou laivos de maturidade aliados a insegurança a ferros. e porque, modéstia à parte, é dona de um pedacito de inteligência que lhe permite, às vezes, ver o outro para além dela própria.)

  1. Sem saberes quem é a próxima convidada ou convidado, que pergunta lhe deixas?

lês e o agora, sei lá? porquê?

  1. O que gostarias de me perguntar?

porque insististe em entrar na minha vida quando eu fui tão reticente em deixar? :)

É fácil de responder (já alguma vez falamos sobre isto?). Há blogs pelos quais passo, leio e volto. Volto porque gosto da forma como escrevem, dos assuntos abordados, dos livros dos quais falam. E há blogs que me caiem no prato por acaso e que, por alguma razão que não consigo explicar (sexto sentido? intuição?) começo a pensar quem está do outro lado e de gostaria de, efectivamente, conhecer para além do blog. Passou‑se isso com o clube das pistosgas (M*, a Sofia Margarida e a Nathy), com o teu e com mais dois ou três.

Claro que, no teu caso, também ajudou o facto de te teres convidado a fazer parte do projecto Aprender uma coisa nova por dia e de me teres ajudado a entender um determinado problema (sabemos qual, não é?) e a resolver outro. Aos poucos fomos falando disto e daquilo e olha, hoje dia em que não fale contigo a coisa já não corre bem.

Ajuda, claro, o facto dos pastéis de bacalhau na tua tasca serem excelentes e eu adorar pastéis de bacalhau.

E tu? Porque acabaste por deixar?

11 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D