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StoneArt Portugal

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Eu e os meus livros. Sejam bem vindos a esta minha casa.

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Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Eu e os meus livros. Sejam bem vindos a esta minha casa.

No blog com... Maria das Palavras

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A destruir mitos urbanos desde 1987, a blogger menos in do pedaço, Maria de seu nome, é a convidada desta semana da rubrica No blog com…


A escrita conforta-me. É por isso que este texto me escorrega dos textos com facilidade, mas se me pedissem para falar sobre mim ao vivo era capaz de ficar meio muda e dizer “sou só uma miúda como outra qualquer” (e é mentira, se há duas coisas que sou é: extraordinária e humilde).
Não se pode desassociar o meu gosto pela leitura do meu gosto pela escrita, mas mesmo em fases em que li menos, pouco ou nada, nunca fui capaz de me travar o ímpeto de fazer frases. Tenho diários guardados de quando era mais nova. E quando decidi que deixaria de escrever diários (o que é no fundo uma atividade de alto risco) comecei a escrever folhas e documentos soltos no computador em substituição. No fundo deixei de ter um livrinho único. Mas nunca deixei de escrever para mim e sobre mim. Nunca deixei de ter um diário (mesmo que a frequência da escrita não fizesse jus ao nome), de me deixar notas para reler. O blog é (muito) menos pessoal, é só uma parte de mim, mas foi a forma que encontrei de voltar a ter um registo organizado de muito do que penso e do que vivo. Sobretudo palermices (não sei se mencionei que também tenho a mania que sou engraçada) e às vezes, quase sem querer, lamechices.
Tirando isso o que há a dizer? Sou solteira (porque não deixo o Moço casar comigo) e boa rapariga (tem dias).

1. Deixada pela Nathy. Ontem, hoje ou amanhã? porquê?
Hoje. Porque ontem tinha um mau corte de cabelo e roupa em que já não me revejo. E amanhã não é o dia para ser feliz – há coisas que não se devem adiar, muito menos isto. Vi há pouco tempo, nesse poço de sabedoria que é a série Anatomia de Grey, a protagonista chegar a esta conclusão e concordei que era acertada: não vale a pena esperar pelo momento em que vamos deixar de ter este ou aquele problema. A vida sucede-se e a seguir a um percalço vem outro: temos de ser felizes agora em vez de esperar por um potencial momento ideal que nunca vai chegar.

2. Alguma vez sentiste vontade de mandar o anonimato às urtigas e mostrares, a quem te lê, quem é a Maria?
Às vezes. Quando quero partilhar coisas mais pessoais, sobretudo (e que é praticamente a mesma razão para não querer deixar o anonimato, se é que isto faz sentido). Projetos! Fotografias (embora depois descobrissem que não sou tenho queixo)! A verdade é que não me preocupo muito que alguém saiba quem sou, mas gosto que não seja algo imediato. Dá-me uma falsa sensação de liberdade. E acho que mesmo que um dia desfaça o anonimato por vontade própria, não vou pôr o nome no blog na mesma, a assinar posts, ou gritar a identidade aos sete ventos, deixo só que aconteça. A Maria das Palavras é uma parte de mim: a parte sarcástica que gosta de escrever. Não sou eu toda, com o meu nome de batismo.

3. Para o bem e para o mal, que balanço fazes do teu blog?
Aí vão mais de 400 dias a escrever ininterruptamente. Não esperei conseguir isso de mim e não esperei conseguir as reações fabulosas que tenho tido e que me roubam a modéstia que já não tenho (ou possuo, só para te enfurecer com uma palavra que não gostas, Magda). Já tinha tido um blog, que levava menos a sério, e estava longe de saber que podia ter centenas de visitas certas por dia, dezenas de milhares por mês. É um exercício de disciplina, de vaidade e (sobretudo) de prazer. Ao fim de pouco mais de um ano posso dizer que ambiciono mantê-lo por muitos e bons anos e só não digo para sempre, porque isso não se promete. Faz-me bem. E devemos sempre insistir no que nos faz bem.

4. Qual foi, até hoje, a viagem que fizeste que mais gostaste? e porque?
Que pergunta ingrata e maldosa. Entre as visitas a cantos maravilhosos e tão diferentes do nosso país, as (ainda tão poucas) viagens deliciosas com o Moço além-fronteiras e os tours de descoberta deste e daquele país com algumas amigas que serão as minhas eternas companheiras de viagem (mesmo que não voltemos a viajar juntas)...vou ter que te dar a resposta que tem tanto de cliché como de verdadeira. A minha viagem favorita será a próxima. Porque é aquela que me faz sonhar.

5. Sem saberes quem será a próxima convidada, que pergunta lhe deixas?
O que comeste na última quinta-feira ao almoço? Não vale inventar. Vá, puxa pela cabeça.

6. O que gostarias de me perguntar?
O que farias se, por uma condição médica ainda desconhecida que te fosse diagnosticada, tivesses de deixar de ler. O médico “tenho muito pena dona Magda, mas se ler livros de qualquer tipo, mesmo em formato digital, o seu estado vai-se deteriorar rapidamente e falecerá muito antes do tempo previsto para o fim do mundo. Entretenha-se com outra coisa, ler é que não. Agora tem de pensar em si e na sua família.”

Essa doença não existe, certo? Queres deixar-me umas noites sem dormir a pensar que isso pode acontecer, é? cruzes credo, que me valha Santa Iria da Azóia. Bom, mais a sério, sou uma apaixonada pela leitura e pelos livros, não é segredo, mas também sou uma apaixonada pela família. Se tivesse de escolher, não hesitaria. A leitura, claro, ficaria para trás. Mas não teria de abdicar dos livros. Afinal já há, hoje em dia, audiobooks. Não seria a mesma coisa, o mesmo prazer, mas seria uma pequena parte desse encanto que é, para mim, ler.

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