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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Odeio o meu trabalho?

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Chegou cá alguém à procura de testemunhos de quem odeia o seu trabalho. Não sei, sinceramente, a que texto acedeu porque eu sou daquelas pessoas que gosta do que faz e faz o que gosta.

Comecei a minha vida profissional muito cedo. Não tinha – não tenho – feitio para estar parada demasiado tempo e as férias de Verão, por melhor que me soubessem, chegava a um ponto e estava em desespero pela inactividade. Acho que tinha 15 anos quando fui, como voluntária, para uma creche ajudar com os miúdos quando iam para a praia. À tarde ou em dias que não pudesse ir, dava uma mão (ou mesmo as duas) no escritório.

Dai para a frente nunca mais parei nas férias de verão. Contei pregos e parafusos (entre outras coisas) para o inventário duma drogaria, colaborei na contabilidade duma loja de materiais de construção, vendi livros numa livraria (ohhh emprego de sonho, rodeada de livros por todo o lado), vendi material de papelaria. Gostei de todos os trabalhos – até mesmo do inventário – porque em todos aprendi alguma coisa.

Mais tarde tirei um curso de informática e trabalhei uns meses num part time nessa área na mesma entidade em que tinha tirado o curso. Aprendi coisas novas e claro que também gostei.

Pouco tempo depois um curso em revisão de contas deu-me direito a um estágio numa SROC a que se seguiu o meu primeiro emprego a sério. Confesso que gostava imenso do que fazia mas não gostava nem do ambiente nem de estar fechada num gabinete das 9h às 18h, sempre com as mesmas pessoas.

E chegamos a Abril de 1997 e a possibilidade de vir para o meu actual local de trabalho. E, desde essa altura, sinto-me realizada profissionalmente. É verdade que o que faço pouco ou nada tem a ver com a minha formação académica mas tem muito a ver comigo. Apesar de estar num aquário – nome que dou aos gabinetes de vidro onde só falta termos de abrir e fechar a boca a intervalos regulares para sermos autênticos peixinhos – a verdade é que tenho um excelente relacionamento com quem trabalha directamente comigo assim como com a hierarquia. Os dias não são monótonos porque atendemos ao público. E que público. Os clientes mais novos terão, em média, 17/18 anos – são jovens à procura da primeira casa para arrendar ou que vem estudar para a faculdade e precisam duma casa para residir. O cliente mais velho esteve cá a semana passada. Tem 98 anos e uma mente saudável num corpo saudável. Conversar com ele é fantástico, pela experiencia de vida que ele tem. Temos clientes que não sabem ler nem escrever e outros que somam mestrados e doutoramentos. Outros que não sabem onde vão buscar o dinheiro para a próxima refeição e alguns que nem sabem o dinheiro que tem.

Com todos, mas mesmo com todos, aprendo alguma coisa. Seja pela positiva ou pela negativa. A aprendizagem, aqui, é fundamental e o gosto pelo trabalho torna-se ainda mais agradável.

É por estas razões que eu digo que gosto do que faço e faço o que gosto. Aqui, neste blog, o que se pode encontrar é testemunhos de quem gosta mesmo do seu trabalho e não de quem o odeia.

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