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Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

48 update

Ora então, e no seguimento daqui, hoje tive a reunião com o conselho directivo para resolver a questão fulcral: porque é que o meu filho tem faltas a educação física se ele calça o 48 e não se encontram sapatilhas para ele?

Conhecendo-me como conheço (ao fim de quase 47 anos convém que nos conhecemos a nós próprios) eu sei que ainda me vou rir da conversa surrealista e idiota que tive. Porque essa é a única solução, seguramente.

Lá tentei explicar que sim, que tenho procurado em todo o lado, sites portugueses, alemães, americanos. Que o moço não sai ao resto da família e que gosta de desporto. Que também não há muitos modelos de meias para este número, que não fui à escola antes porque contava com o bom senso da professora (que já se percebeu que não tem), que falei com a directora de turma e que enviei recados na caderneta e que não percebo a razão das faltas quando toda a gente envolvida sabe do que se passa pelo que, mesmo que acabe por encontrar uma solução, as faltas tem de ser retiradas.

Irredutíveis! Professora de educação física e directora da escola.

Porque, resumindo, eu sou mentirosa porque há de certeza sapatilhas nº 48 ou mais ainda. E sou descuidada com a educação do meu filho porque só agora é que fui à escola falar sobre o assunto. Além disso, o gaiato não quer é fazer educação física e estava na altura dele ter uma atitude positiva em relação à escola e à educação física. E quem está irredutível sou eu que não aceito as sugestões da escola para resolução do problema.

E que soluções são essas? usar as sapatilhas que usou do ano passado (e que são nº 45!) porque a professora experimentou no pé dele e, apesar do rapaz dizer que apertam, ela diz que mete o dedo à vontade no pé. Em alternativa, arranjar meias grossas do número dele e aplicar-lhes o antiderrapante que se usam para os móveis.

Confesso que esta última solução me fez rir. Porque sim, faz todo o sentido... (#soquenao).

Estava com muita vontade de amanhã ir direitinha ao Ministério de Educação. Porque, acima de tudo, me preocupam - mais que a avaliação ignorante que foi feita do meu papel de mãe - as faltas do pequeno. Falei entretanto com a directora de turma que vai tentar falar novamente com a professora de educação física para que as faltas sejam retiradas, arranjando-se uma solução de compromisso para ambas as partes (até porque as ditas sapatilhas só são usadas enquanto tiverem ginástica de aparelhos, que será mais umas semanas). Se as faltas forem retiradas, dou por encerrado o problema. Se não... bom, irei mesmo até às últimas consequências.

Entretanto, e com a ajuda de pessoas espectaculares, consegui encontrar sapatilhas nº 48 na Amazon Alemã. Estão encomendadas e chegam daqui a aproximadamente 15 dias. Vou gastar quase 30 euros divididos assim:

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Que é, como quem diz, que as sapatilhas custam € 8,92 e os portes € 20,92. E a pergunta fica: e se eu não pudesse gastar este dinheiro?

 

 

 

48

48 é número que um jovem que tem 85 quilos e 13 anos calça. É o número que o meu filho calça. Tem pé para dormir em pé, sem esforço de maior.

O que é um esforço é encontrar, agora, sapatos que ele possa calçar. Até há dois números atrás era relativamente fácil, agora só alguns modelos e, naturalmente, os modelos mais caros.

Mas tudo bem, desde que haja sapatos para o rapaz calçar, a coisa faz-se e, com maior ou menor esforço financeiro, lá se arranja maneira dele não andar descalço e até de ter ténis específicos para ir ao ginásio como ele tanto gosta.

E tudo estaria bem... se não fosse precisar de sapatilhas (modelo abaixo) para fazer as aulas de educação física no pavilhão da escola.

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Aqui é que a porca torce o rabo. O tamanho maior que encontrei (após procura exaustiva nas lojas de desporto físicas e on line) é o 45. Três números abaixo do número que o gaiato calça e, portanto, não servem.

Ou, pela lógica, não servem. Mas parece que a professora de educação física do meu filho acha que calçar sapatilhas nº 45 é perfeitamente aceitável para quem calça o 48. E não aceita, de modo algum, que sejam usados outros ténis para fazer ginástica no interior. Não quer abrir precedentes, diz ela. Já lhe explicamos que não há outra forma e a resposta da senhora foi brilhante: se não há, mandem fazer. Achará a senhora que me saiu o euromilhões e que posso suportar o custo de mandar fazer sapatos para serem usados uma dúzia de dias ou, até, que é assim tão fácil mandar fazer sapatilhas?

Acredito que, quem não conhece o gaiato tem dificuldade em perceber o tamanho do pé dele. O tamanho 48 corresponde a 33 cm. É muito? é! podia ser mais pequeno? podia. Mas não é. E não há nada que se possa fazer quanto a isso. O miúdo não tem culpa de ser grande e de ter um pé enorme. Que ainda está a crescer (aqui há dois meses ele calçava o 47).

À conta dum pé grande, o meu filho está a ter faltas e recados na caderneta. Porque a professora está a ser obtusa e não percebe que, quem calça o 48, não tem acesso aos mesmos sapatos que os outros.

E sim, a directora de turma já falou com ela várias vezes sobre o assunto e a professora não desarma. Estou, neste momento, a aguardar o contacto da directora da escola que, espero eu, ponha um ponto final nesta história. Se não o fizer... bom, segue-se, seguramente, queixa para o ministério da educação. O rapaz é que não pode ficar prejudicado por ser grande!