Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Stone Art

Coisas soltas da vida que povoam o meu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria. Sejam bem vindos a esta minha casa.

Letras Escarlates

Letras_Escarlates.jpg

Letras Escarlates de Anne Bishop

Editado em 2015 pela Saída de Emergência
ISBN: 9789896377397
 
Sinopse
Ninguém tem a capacidade de criar novos mundos como Anne Bishop, autora bestseller do The New York Times. Nesta nova série somos transportados para um mundo habitado pelos Outros, seres sobrenaturais que dominam a Terra e cujas presas prediletas são os humanos. Meg é uma profetisa de sangue. Sempre que a sua pele é cortada, ela tem uma visão do futuro - um dom que mais lhe parece uma maldição. O Controlador de Meg mantém-na aprisionada de forma a ter acesso total às suas visões. Quando finalmente ela consegue escapar, o único sítio seguro para se esconder é no Pátio de Lakeside - uma zona controlada pelos Outros. O metamorfo Simon Wolfgard sente alguma relutância em contratar a estranha que lhe pede trabalho. Sente que ela esconde algo e, para além disso, ela não lhe cheira a uma presa humana. Algo no seu íntimo leva-o a contratá-la, mas ao descobrir quem a jovem realmente é e que o governo a procura, ele terá de tomar uma decisão. Será que proteger Meg é mais importante do que evitar o confronto que se avizinha entre humanos e Outros?
 
A minha opinião
Estava com saudades de ler Anne Bishop. Depois de ter lido a Trilogia Joias Negras e os seus volumes independentes, o Mundo Efémera e a trilogia Pilares do Mundo, estavam esgotados os livros desta escritora que, a par com Juliet Marillier, é a minha autora de fantástico preferida.
A espera valeu a pena!
O mundo é habitado e dominado pelos terra indigene (também conhecidos pelos Outros), seres sobrenaturais que permitem que os humanos vivam – não exactamente no meio deles mas por perto – quer porque a carne dos humanos é bastante saborosa quer porque algumas das invenções humanas lhes são bastante úteis. Entre os Outros há várias espécies. Os Lobos, os Ursos, os Corvos, os Pardos, as profectisas de sangue, e os mais temidos de todos – os Sanguinati e as Elementais. Todos eles, devido à convivência de séculos com os humanos são metamorfos. Ou seja, alternar a sua aparência entre humano e a sua espécie, sem dificuldade, mantendo, enquanto humanos, as mesmas características que enquanto terra indigene.
Todos os mundos criados por Anne Bishop tem uma breve história inicial, um mapa que nos mostra a geografia do mundo e expressões próprias. Em suma, enquadra-nos na trama do livro, tornando-o mais credível. E é nessa breve história que encontramos a melhor descrição do que é a convivência entre os terra indigene e os humanos:

“ainda se verifica uma tolerância atenta de um lado (Outros) e um profundo receio pelos que vivem na noite no outro (Humanos), mas, se tiverem cuidado, os seres humanos sobrevivem.

Quase sempre sobrevivem.”

Meg é uma profectisa de sangue que conseguiu fugir ao Controlador e que se refugia no Pátio que é controlado por Simon, um Lobo. Simon estranha o facto de Meg ser humana mas não cheirar a presa como os outros. Mas, apesar dessa estranheza, contracta Meg para Intermediária do Pátio, cabendo-lhe distribuir toda a correspondência e encomendas que chegam dos Humanos para os Outros. Por ter vivido toda a sua vida como reclusa, Meg desconhece os perigos que os Outros representam, pelo que só pode confiar no seu instinto. E é confiando no seu instinto que se torna amiga de todos os Outros, incluindo a temível Inverno (a pior das Elementais) e do Avô Erubus (o mais temível dos Sanguinati). É também pelo seu instinto que consegue que Sam, o lobacho sobrinho de Simon, saia da gaiola onde ele próprio se confinou após a morte da mãe pelos humanos.

Mas o Controlador não desiste de a procurar, afinal Meg era a sua mais rentável profectisa de sangue e está disposto a ir até às últimas consequências. Mesmo que isso signifique uma nova guerra entre os Outros e os Humanos, com a consequência quase garantida dos humanos serem exterminados.

Monty, um polícia transferido para a cidade perto do Pátio de Simon, quer fazer a diferença e servir de ponte entre os Outros e os Humanos, tentando, ao máximo, que os conflitos sejam resolvidos sem que a raça humana seja extinta – porque ele sabe bem o que acontece quando os acordos com os terra indigene não são cumpridos pelos Humanos.

Pelo meio, estranhos acontecimentos noutra cidade levam a que haja a suspeita que, tanto humanos como terra indigene estão a ser envenenados sem que se saiba exactamente como, por quem e porquê.

Uma trama bem à altura de Anne Bishop a quem, mais uma vez, faço a devida vênia, quer pela história, pelas reviravoltas e pela caracterização das personagens. Quase que diríamos que, se olharmos em volta, vamos encontrar os Outros por ai. E eles podem só querer conversar ou apenas… provar carne especial!

Aguardemos, calma e serenamente (ok, talvez não tão calmamente nem tão serenamente) a continuação. Já saiu? Ainda não? Então é quando???